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terça-feira, 10 de junho de 2025

Um cartão pop-up

 

À primeira vista parece um cartão normal, com uma temática infantil, a Branca de Neve e os Sete Anões, acentuado pela letra de menina que escreveu nele o  nome da amiga (“para a Lúcia”).

Quando se abre percebe-se que é uma carteira de agulhas especial. Para a menina, está visto, que devia aprender a cozer e a bordar desde pequenina.  

Ao abri-lo temos a surpresa de visitar o interior da casa onde vive a Branca de Neve e os seus sete amigos. Completa: com o quarto com as caminhas alinhadas, a cozinha com o grande forno e, em relevo, a mesa onde todos se sentam para comer.

Nas costas, acentuando a infantilidade, dois gatinhos que brincam com novelos de lã. 

É nestas alturas que regressamos à infância.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Museu virtual: Conjunto de cozinha de brincar

 

Nome do Objecto: Conjunto de cozinha de brincar

Descrição:  Caixa de papelão contendo um conjunto destinado ao fabrico de bolos, para menina. É constituído por uma taça maior e 4 mais pequenas em cerâmica vidrada; uma peneira em madeira; uma faca; uma colher de pau; um frasco com tampa para açucar e uma caçarola em cobre para doces.

 Material: Cerâmica, cobre, metal e madeira.

 Época: Década de 1930 - 1940.

 

Marcas: Sacavém nas peças cerâmicas, com o carimbo “Gilman & Cia”, em verde, usado a partir de 1905 e em baixo “Portugal”.

 Origem: adquirido no mercado português.

 Grupo a que pertence: equipamento culinário.

 Função Geral: Fazer doces.

 Função Específica: Brincar com utensílios de cozinha destinados à confecção de doçaria.

 Nº inventário: 5354.

 Objectos semelhantes: Vários não classificados.

 

Observações: A caixa em papelão, que nunca foi desmontada, destinava-se a ser utilizada pela criança que reproduzia nas suas brincadeiras as confecções culinárias que tinham lugar na cozinha. O conjunto é específico para doces, sendo de prever que da colecção faziam parte outros conjuntos destinados a salgados. Os objectos em si reproduzem outros semelhantes, em especial as identificadas peças da Fábrica de Louça de Sacavém. A faca apresenta-se igualmente marcada.

sábado, 14 de outubro de 2023

Bonecas recortadas


 Não consigo recordar-me se brinquei com bonecas de papel recortadas, o que torna pouco provável que tal tenha acontecido. Mas sei que os livros infantis com figuras de meninas e meninos, com os seus múltiplos fatinhos, que se cortavam laboriosamente com uma pequena tesoura e que permitiam depois, através de pequenas aletas, adaptá-las ao corpo das figuras, exerceram sempre sobre mim uma grande atracção. 
Figura recortada e aguarelada. Laço em papel

Fui-os juntando: os livros e as peças. Num dossier foram, a pouco e pouco, entrando as várias imagens. Na primeira metade do século XX usaram-se publicações próprias para esse fim, adaptadas ao gosto e modas de então.
Mas comecei a perceber que no século XIX, mesmo famílias abastadas, usavam bonecas recortadas de revistas ou modelos feitos de raiz. Usando modelos já conhecidos ou copiados de revistas eram desenhados a papel e os vestidos eram depois pintados, a lápis ou com aguarelas. 
Alguns vestidos, como os de baile, apresentavam mesmo purpurinas coladas. Num último achado, juntamente com as bonecas vinham amostras de papel de embrulho, que permitiam uma outra variante que era fazer os vestidos com os padrões desse papel. Nalguns casos serviam apenas de base, noutros, sobretudo nas cores mais claras, eram desenhados pormenores por cima. 
Mas o mais interessante foi encontrar papéis que tinham sido forros de envelopes de carta. Esses forros eram habitualmente muito discretos, mas ao mesmo tempo encantadores. Feitos de papel muito fino elevavam a categoria da correspondência, sendo usados em situações de maior cerimónia. Que tivessem sido reutilizados para fazer vestidos de bonecas, nunca tal me ocorrera. 
Em cima vestido feito com papel de embrulho e desenho aguarelado e picotado e em baixo vestidos feitos com forro de envelope de carta

 Gosto de descobrir coisas simples do passado, de imaginar a mãe a orientar a filha nesse trabalho, numa forma de reciclagem tão intuitiva. Era um tempo em que não existia a abundância de hoje, em que tudo se valorizava. Não se tratava de reciclar, apesar da expressão antes empregue, mas apenas de aproveitar o que havia ao dispor. Nesta sociedade de excesso de consumo ficam alguns exemplos que nos transportam para uma época com outras noções de brincadeira, de ocupação de tempo e de reutilização de materiais.

Papel de embrulho em cima e em baixo forros de envelopes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

No Reino da Lambarice

 


 Os jogos da Majora povoaram muitos dias da minha infância. Lembro-me por exemplo do aquário com peixes, feito em cartolina, claro, onde pescávamos peixes com uma cana que terminava num íman magnético. Mas muitas outras variedades destes jogos de tabuleiro, infantis, foram surgindo ao longo do tempo.

 A fragilidade do material, usado tão frequentemente, fez com que muitos jogos não resistissem. Começava por se estragar a caixa e depois as peças, a pouco e pouco, iam-se perdendo. As mães, diligentes,  olhavam para aquilo e achavam que já tinha chegado ao fim da  sua vida. E lá ia o jogo!

A marca, criada em 1939, por  rio José de Oliveira, usando as letra do início e fim do seu nome, surpreendia os portugueses com a diversidade que apresentava. Ainda hoje me surpreendo com jogos que nunca vi.

Este é um desses raros jogos que devia mexer com o imaginário das crianças, sobretudo numa época em que os doces, só estavam presentes em datas especiais.

Percorrer esse caminho sinuoso, do Reino da Lambarice, por entre a visão de doçarias apetitosas, jogando os dados para avançar as marcas até ao final, onde o vencedor se podia deleitar com as mais variadas gulodices devia ser uma excitação. Mesmo não existindo na realidade qualquer doce verdadeiro sobre a mesa.

Mas naquela época todas as coisas simples tinham mais valor. Os doces eram mais doces e mais valorizados por serem raros. Hoje o seu consumo quotidiano tirou-lhes o valor e a magia. Se hoje uma criança jogasse este jogo seguramente que ia negociar com os pais comer, no final, uma guloseima da sua predilecção. Não perdoava.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Infantilidades 01

 

Quando acrescento ao título um número faço prever que voltarei ao assunto. Mesmo que não esteja directamente ligado à alimentação diz respeito ao quotidiano, de que muito aprecio recordar histórias ou momentos.

Neste caso a memória tem a ver com o mundo da infância, de que mantenho  acesa uma viva curiosidade e nostalgia. Isso faz com que não resista aos livros infantis antigos, de que tenho um número considerável e que trato com carinho, inclusivamente mandando encadernar os mais delicados com pano de chita com riscas cor de rosa e pequenas florinhas.

Desenhos de Laura Costa

O mesmo se aplica a outros objectos antigos de brincar (claro que os de cozinha são os preferidos).

Mas existe um outro tema que se integra no que eu chamo de forma genérica “Panos” e onde se incluem muitos bordados infantis. Outro tema é o dos lencinhos de mão. Se os do final do século XIX e início do século XX eram delicados, com bordados e rendas, os que são verdadeiramente encantadores, para mim, são os dos anos 50-70.

Comecei a guardar os meus próprios lenços da juventude e fui aumentando a colecção. Este, que mostro agora, é novo e o motivo é encantador.

E não posso mostrar mais nenhum porque estão acondicionados em caixas num armazém. Um dia virão à tona. Para já fica este, embora já velho e que necessitou de um pequeno restauro.