O lançamento terá lugar às 15 horas de um sábado, depois de almoço. É, também, para muitos, um regresso a Campo de Ourique e ao antigo Cinema Europa. E é sempre uma boa ocasião para reencontrar amigos que não vemos há muito.
Esperamos que apareçam!.
O lançamento terá lugar às 15 horas de um sábado, depois de almoço. É, também, para muitos, um regresso a Campo de Ourique e ao antigo Cinema Europa. E é sempre uma boa ocasião para reencontrar amigos que não vemos há muito.
Esperamos que apareçam!.
Fiquei entusiasmada com esta
ementa de um grupo, aparentemente fundado em 26 de Novembro de 1922, designado “Grupo
dos 15 amigos de S. Bento”. O jantar
realizou-se em 11 de Janeiro de 1925 e era o 8º jantar de confraternização,
pelo que posso supor que teria tido lugar duas vezes por ano.
Os promotores da iniciativa foram
João Alves e António Branco, mas infelizmente não consegui descobrir a que se
dedicava esta associação. A ementa apresentava uma fotografia de qualidade, provavelmente
relacionada com o grupo, onde se podia ver o antigo Arco de S. Bento.
Vejamos então o “Menu” que é
descrito de forma humorística com designações que nos remetem para o espírito bem-humorado
deste tipo de associações. Ficamos a conhecer a ordem da refeição mas no que
respeita à confecção é um mistério dadas as designações usadas.
O jantar teve lugar no Restaurant
Sport, em Sete Rios, em Lisboa. Esta designação à francesa, só começou a
divulgar-se em Lisboa depois de 1870, usando-se em vez disso a designação de “casa
de pasto”, enquanto o café era designado “botequim”. Ao consultarmos o Novo
Guia do Viajante em Lisboa, de 1872, escrito por Júlio Cesar Machado, no
que respeita aos hotéis, casas de pasto, botequins ou cafés, encontramos
referência a um total de 46 estabelecimentos, mas apenas três destes se
designavam “restaurant”.
Estávamos agora na década de
1920, e a designação à francesa mantinha-se. Infelizmente não consegui
encontrar qualquer informação sobre o estabelecimento, mas a designação remete-nos
para um gosto sobre o desporto que começava a despontar.
Uma pequena foto no cimo da
fotografia deixa-nos ainda a dúvida de quem se tratará. De um dos promotores?
Do fundador da associação dos 15 amigos?
Por aqui nos ficamos, pelo
menos por agora.
O Café Martinho
foi um dos locais frequentado por Rafael Bordalo Pinheiro, tal como descrevi
no meu último livro Rafael de Faca e Garfo.[1] Era
um local famoso onde se podiam encontrar várias figuras importantes da época, como
Almeida Garrett, Bulhão Pato, Júlio de Castilho, Camilo Castelo Branco, Júlio
César Machado, Guerra Junqueiro entre outros. Até Eça de Queirós, no livro A
Relíquia nos relatou a sua importância.
A mesma ideia
transmitiu também Rafael Bordalo Pinheiro, ao publicar em A Paródia de 5
Fevereiro de 1902 uma imagem de “Os três parlamentos” que eram, nem mais nem
menos que São Bento, São Carlos e o São Martinho, numa referência humorística à
influência das pessoas que se cruzavam nesses espaços.
Este café devia
o nome ao facto de ter sido fundado por Martinho Bartolomeu Rodrigues, em 1846.
Era considerado o mais importante café de Lisboa, situando-se no actual Largo
D. João da Câmara (antigo Largo Camões). Inicialmente tinha uma grande sala com
arcos, sendo as colunas revestidas com espelhos de Veneza.
Era conhecido
pelas torradinhas feitas com pão de Meleças, o chá verde com limão e a neve.
Bulhão Pato nas suas Memórias conta-nos que “as senhoras atravessavam
até à sala interior, para tomarem neve n’uma estufa!».
Esta neve era
proveniente de um depósito que o proprietário possuía, uma vez que era
contratador oficial de fornecimento de gelo, pelo menos desde 1829. Fornecia
também um outro local de comércio do mesmo proprietário, o Café da Arcada. Mais
tarde, mudaria o seu nome ficando conhecido pelo actual “Martinho da Arcada”, situado
numa esquina da Praça do Comércio.
Em 1905 entrou
em obras o que gerou controvérsia e críticas. Mas apesar disso as imagens de 1910 mostram
a sua beleza, ao gosto Art Nouveau.
![]() |
| Arquivo fotográfico da CML: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LSM/000820 |
Esta peça, que tive a sorte de adquirir há poucos dias, será da fase anterior ao período das obras. Trata-se de uma fruteira de pé, em porcelana branca com o nome deste café na taça e na base, onde se pode ler “Martinho” em dourado.
A marca na base Limoges. WG & Co, indica-nos que foi feita em França por Wilhelm Guérin (1838-1912), natural de uma local perto de Limoges, que começou por alugar uma oficina, em 1836, em Limoges, onde produzia peças para exportação.
Por volta
de 1872, Guérin assumiu a direcção da oficina de porcelana de Lebron & Cie
e, em 1877, comprou uma outra fábrica de porcelana na Rue du Petit-Tour,
igualmente em Limoges. A fábrica desenvolveu-se e, em 1903, os dois filhos de
Guérin, William e André, entraram empresa, de onde provém o “Co” da marca. Em
1911 esta empresa fundiu-se com a fábrica Pouyat, e tornou-se na Guérin &
Cie. Marcas na base
Assim sendo, e para abreviar a história, podemos concluir que esta peça faria parte do serviço em utilização no Café Martinho, tendo sido adquirida antes das obras. Segundo um pormenor da fotografia existente no Arquivo fotográfico após a remodelação um serviço idêntico continuava a ser usado, na sala de jantar.

Pormenor da fotografia com um prato com cartela idêntica
Pode ver-se um prato sobre a mesa em porcelana branca como o desenho e a palavra Martinho, idêntica à da fruteira aqui mostrada. Felizmente
esta escapou e foi parar a boas mãos.
O anúncio desta
exposição, que está patente no Museu de Lisboa Santo António, deixou-me logo
curiosa.
Abriu há pouco
tempo e é uma pequena mostra do muito que deve haver e que nos escapa. Para
além do espólio do Museu contou com a colaboração de outros museus, como o
Museu Bordalo Pinheiro, e com os empréstimos de vários coleccionadores particulares.
Para quem gosta
de publicidade, associar este tema a um santo que aos lisboetas (eu sou
lisboeta quando me convém) diz tanto, é um autêntico rebuçado.
Foi assim que
surgiu associado a empresas que tomavam o seu nome, como a Quinta de Santo
António, a Pastelaria de Santo António, etc., ou como marcas em que está
presente a sua imagem. Deste modo a sua imagem está presente em inúmeros cartazes, rótulos de
vinhos, marcas de café, de bolachas,(*) etc.
Para recordar as minhas férias de meninice na Costa da Caparica, não podia faltar a Pastelaria de Santo António, com os seus bolos deliciosos que comíamos à tarde na esplanada.
E eu disse que
só falava no ramo alimentar. Aconselho a irem ver!
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(*) Ver o meu poste Fabrica de Santo António. 1 - História https://garfadasonline.blogspot.com/2010/02/fabrica-santo-antonio-1-historia.html e Fábrica de Santo António. 2 -Os produtos https://garfadasonline.blogspot.com/2010/02/fabrica-santo-antonio-2-os-produtos.html
O lembrete
é evidentemente para recordar o lançamento do livro Rafael de Faca e Garfo,
no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, no dia 12 de Outubro, sábado às 15,30 m. Aproveite, visita o Museu e assiste ao lançamento. Dois em um.
![]() |
| Pag. 95 do livro |
A coincidência
está bem visível nas imagens apresentadas.
![]() |
| Pág. 96 do livro |
![]() |
| Marca incisa e pintada |
Tenho o prazer
de anunciar o lançamento do meu novo livro “Rafael de Faca e Garfo” que terá
lugar no dia 12 de Outubro no Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa, às 15,30
horas.
Sobre o mesmo remeto para as informações já disponíveis no site do Museu, em
Estão todos convidados. Apareçam!
Há 56 anos as Festas da Cidade de Lisboa estendiam-se por quase todo o mês de Junho.
O programa publicado numa revista especial mostrava-nos artigos com pormenores sobre os melhores momentos das festas dos anos anteriores, um artigo sobre Santo António, as letras das marchas dos diferentes bairros e outro tipo de informações adequadas.
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| O trono de Santo António premiado em 1952 |
O mais surpreendente era o título do anúncio que o publicitava para uso nas “Festas da Cidade ou da Aldeia”, que assim se tornavam mais alegres. Original, pelo menos!.
A empresa que havia fundado a Taberna Ingleza, em 1908, ofereceu aos seus clientes um pequeno Almanack-Brinde para o ano de 1909.
Situada na Rua
Jardim do Regedor, 33, em Lisboa, perto dos Restauradores, numa zona então
muito movimentada, era descrita como “um elegante restaurante que tomou o
título da célebre e bem conhecida Taberna Ingleza, que há anos existiu no Cais
do Sodré”.
Referia-se assim a um dos restaurantes que existiu na zona ribeirinha, no local onde se situava um botequim do Marrare. António Marrare fundou quatro botequins: o de S. Carlos à esquina da Rua da Figueira (hoje rua Anchieta); o chamado Marrare das Sete Portas no Arco do Bandeira; o Marrare de Polimento no Chiado, e o do Cais do Sodré N° 9, à esquina da Travessa dos Romulares.
Este último acabou
em 30 de Junho de 1827,[1] e daria
lugar à Taberna Ingleza. Esta daria depois lugar ao Café Price. Em 1880 no Novo
Guia do Viajante era referido: “Fornece almoços e mesmo jantares à inglesa;
é notável pelos seus bifes, e muito frequentada por estrangeiros e marítimos”.[2]
O pequeno almanaque incluía um calendário com os meses e identificação dos santos por dias; uma pequena história intitulada “Um bom conselho”, em que aproveitava par realçara a qualidade da sua comida; provérbios relacionados com a alimentação e terminava com uma poesia-oração “A devoção do Barqueiro”.
Como diziam no
início, a oferta do Almanaque era uma prova de reconhecimento às pessoas que, “com
a sua visita tem honrado a Taberna Ingleza".
É já na próxima
quarta-feira, dia 20 de Dezembro, às 17 horas o lançamento do livro baseado em manuscritos
culinários inéditos, do século XIX, de uma família da região do Norte. A apresentação será feita pela minha amiga Prof. Drª Ana Isabel Buescu que já nos habituou a excelentes análises.
Eu sei que o
dia e a hora não são bons, mas por favor interrompam as compras de Natal e
programem um tempo para estarem presentes. A apresentação será em Campo de
Ourique, no antigo cinema Europa, onde agora existe uma Biblioteca da CML.
O livro está
lindíssimo e estou certa de que vão gostar.
Será um prazer rever velhos amigos e também fazer novos amigos, como já aconteceu.
Até lá!
Anda falta um mês. O lançamento será só no dia 20 de Dezembro, mas como já tenho o convite, optei por o divulgar. Podem pôr nas vossas agendas uma anotação, se tencionarem ir.
Lá nos
encontraremos em boa companhia.
Nas últimas eleições, no auge da pandemia, fui votar cedo para evitar ajuntamentos. Quando cheguei ao local de voto, na Praça da Ribeira, verifiquei que as mesas estavam vazias.
Não havia qualquer fila e, à minha
frente, apenas um senhora carregada com sacos de supermercado, mais de dois em
cada mão. Interroguei-me sobre a necessidade de se deslocar com aquele peso,
num dia de acto eleitoral, para o qual só é necessário um cartão e uma caneta.
Votando no mesmo local que eu, pensei
que devia ser aqui da freguesia, mas nunca a tinha visto. Durante todo o ano de
confinamento vi-a apenas por duas vezes, a descer a rua, carregada de sacos em
ambas as mãos. Com o rosto sempre tapado por grandes chapéus de abas continuei
sem lhe visualizar a cara.
Voltei hoje ao mesmo local
para votar. O movimento era escasso, quase nulo. À minha frente, novamente, estava
a senhora dos sacos. Tirei uma fotografia de costas, porque pensei que se eu
contasse esta história ninguém acreditaria.
Mal posso esperar pelas
próximas eleições.
………….
De entre as figuras populares femininas atrai-me à cabeça a da varina de Lisboa, logo seguida pela lavradeira minhota. As primeiras já desapareceram, ao passo que as segundas continuam a ser lembradas numa tradição local, pelo menos durante o período das festas. Em comum têm a beleza da elegância feminina com trajes de saias rodadas que acompanham o movimento do corpo, nas suas actividades. Mais simples, a varina apresentava-se muitas vezes descalça, escondendo na canasta as chinelas que a legislação higienista as obrigava a usar. Perante a visão do polícia regulador, lá saltavam apressadamente as chinelas para os pés habituados ao chão da rua.
Quando em 2015 o meu amigo
António Miranda, então director do museu da Cidade de Lisboa organizou uma
magnífica exposição sobre as Varinas de
Lisboa, emprestei algumas peças simples da minha colecção para estarem
presentes. Se fosse agora este azulejo iria fazer-lhes companhia.
O azulejo, feito na Fábrica Viúva Lamego tem como assinatura: Jorge Pinto. Penso tratar-se de Pedro Jorge Pinto (1900-1983), atendendo à provável data de produção e à fábrica, uma vez que o seu pai trabalhou sobretudo com a Fábrica Constança. A sua assinatura era muito semelhante à de seu pai José António Jorge Pinto (1875-1945) que deu luz a imensos trabalhos de azulejaria, com lindíssimos painéis de Arte Nova, muitos dos quais ainda hoje visíveis na cidade como vários painéis em habitações da Avenida Almirante Reis, os azulejos da Leitaria a Camponesa, na Baixa, os da pastelaria a Tentadora, em Campo de Ourique e muitos mais que aqui não refiro.
O seu filho Pedro, que assina
este azulejo, foi também o responsável pelos painéis do Mercado do Livramento
em Setúbal, com temas relacionados com a Agricultura.
Este simples azulejo, de
linhas límpidas, remete-nos para um enquadramento de Lisboa antiga e para uma
profissão já desaparecida, que eu recordo ainda da minha meninice.
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| Painel de azulejo exteior de Sá Nogueira. Foto do site SOS Azulejos |
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| Foto da internet (wikimedia) |
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| IST. Arquivo fotográfico da CML. |