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domingo, 23 de abril de 2023

Decorações de cozinha “Português suave”

"Azulejo" de plástico

Pareceu-me adequado para comemorar o 25 de Abril relembrar um conjunto de decorações de cozinha, que deve datar da época de 1950.

Na época, existia um gosto pelas imagens populares, neste caso, um casal dançarino regional, reproduzidas num material moderno como o plástico ou a melanina. O quadro em plástico assemelha-se a um azulejo, então numa apresentação actualizada.

Quadro em melamina pintado à mão
 Quanto ao prato, apresenta-se pintado à mão por algum habilidoso, usando como base um material recente, usado na altura em várias cores e modelos, que então fazia as delícias das donas-de-casa modernas. Lembro-me de existir em minha casa uma molheira espantosa em melamina, de forma cónica, cor de laranja, acoplada a uma base circular amarela. Era um sucesso de modernidade.

Pequena floreira em ferro-forjado e barro pintado

A este juntavam-se dois suportes de pequenos vasinhos, feitos em ferro forjado retorcido. O seu interior devia ser preenchido com as também recentes flores em plástico, alindando assim o espaço das cozinhas. 

Por último uma imagem religiosa colocada numa pequena janela (ou oratório) com telheiro, igualmente em ferro forjado e que na base apresentava uma pequena cavidade destinada a florinhas de plástico.

Objectos hoje desprezados, fizeram na época o encanto e a alegria de muitas cozinhas portuguesas. Recupero-os hoje, apropriadamente, como símbolos de uma portugalidade simples.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A exposição “Um cento de cestos”

Felizmente esta é uma exposição de longa permanência, porque os meus adiamentos podiam-me ter feito perde-la. Encontra-se no Museu de Arte Popular, um edifício maravilhoso, com ar abandonado, como se tivéssemos vergonha do que foi a estética do Estado Novo.

Entrada

 Faço votos para que ainda vamos a tempo de recuperar o que nos ficou dessa época e onde tantos e tão bons artistas colaboraram.

Parte do painel da sala
Utilizando exemplares do Museu de Arte Popular e do Museu de Etnologia, e tendo por base os estudos de Fernando Galhano, podemos ver mais de 300 cestos que, em grande parte, já não se fazem. As peças  são apresentadas por regiões e com indicação da sua utilidade.

Para mim uma exposição é mais do que um deleite visual, qualquer que seja o tema. Quero aprender com o que vejo. Por isso me irritam as exposições grandiosas, por vezes internacionais, com legendas mal traduzidas, informações superficiais e identificação que fica a um metro da obra, em que os curadores acham que a obra vale só por si.

Nesta exposição o conjunto de cestos tem placas que os identificam de forma fácil. Estão perto das obras, seguem o mesmo modelo em todas as vitrines e percebe-se, mesmo num conjunto grande de cestos, qual o seu nome, a região de proveniência e para o que serviam. Parece simples, mas para quem, como eu, já viu tantas exposições sabe que nem sempre é assim.

Pequeno cestinho para figos e doces
 Mostro aqui alguns modelos, alguns que eu já conhecia, mas a grande maioria foi uma agradável descoberta. Esta uma amostra de utensílios tão humildes, mas que foram tão úteis e que faz as pessoas olhar para eles com prazer e vontade de os preservar.

Não deixem passar, porque por vezes as exposições de longa duração são as mais fáceis de perder porque pensamos que vai lá estar mais tempo e quando damos por isso acabou. Vão ver!