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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Licor Beirão e a Fábrica Imperial

José Carranca Redondo (1921-2005), em entrevista dada ao Diário de Notícias, em 17 de Julho de 1998, referia-se à sua entrada na «Licor Beirão», em 1940.
Em todas as informações que são divulgadas sobre a firma repete-se a mesma afirmação.

Foi pois com surpresa que encontrei uma notícia sobre a «Fábrica Imperial e os Preciosos Licores da Lousã», publicada na Revista Turismo de Maio/Junho de 1942.
 O jornalista, não identificado, deslocou-se à Lousã onde visitou várias fábricas. Entre elas salientava-se a Fábrica Imperial, dirigida pelo então jovem proprietário e gerente José Carranca Redondo.

Conhecido era já o Licor Beirão, produto que segundo o redactor da notícia se encontrava em todos os cafés do país. Além deste, a fábrica produzia outras bebidas licorosas, como os “Ponches Iris”, “Montecarlo” e “Raquel”, que afirmava «têm merecido deste industrial o maior carinho», o mesmo se aplicando a todas as outras marcas da «Imperial».
O futuro viria a demonstrar que o carinho dedicado ao Licor Beirão foi realmente superior e que todas as campanhas publicitárias que este industrial veio a desenvolver se centraram nesta bebida. Todas as outras, bem como a Fábrica Imperial, ficaram esquecidas.
Esta era uma pedra perdida no puzzle que constitui a história de um dos nossos mais míticos licores e que eu não podia deixar de partilhar.

sábado, 8 de maio de 2010

O Licor Beirão ontem e hoje

Tenho por hábito ver os postais publicitários colocados nos restaurantes e cafés. Já fazia isso no estrangeiro e agora, que também já são frequentes em Portugal, faço o mesmo.
Uma grande maioria não me diz nada, há alguns que me deixam espantada e outros, em especial os de “comidas e bebidas” fazem as minhas delícias. Selecciono estes últimos e penso sempre que posso um dia vir a utilizá-los. Ainda não tinha acontecido.
Há dois dias entrei numa casa para tomar um café e, ao sair vi num escaparate vários desses postais. Entre eles encontravam-se dois de publicidade ao Licor Beirão.
Um deles reproduzia uma majorette americana vestida de encarnado, com um curtos calções e um blusa ainda mais curta que, segundo uma entrevista dada pelo fundador da fábrica[1], o senhor José Carranca Redondo (1916-2005), causou na altura grande escândalo. Estava-se em 1951 e a moral então existente achou a imagem demasiado escandalosa, por pouco vestida. As letras LB, na blusa e no megafone da jovem eram a única ligação ao Licor Beirão. A legenda dizia «É de bom gosto servi-lo... É de bom gosto bebê-lo...». A publicidade é que não era de bom gosto, ao contrário de todas as outras que a empresa, grande precursora das técnicas publicitárias, veio a utilizar.

A história do Licor Beirão pode ser consultada no site da própria empresa ou no da Câmara da Lousã, mas vou resumi-la rapidamente.

Nos finais do século XIX, a Farmácia Serrano, na Lousã produzia uma bebida, tipo licor, com várias ervas (funcho, erva-doce, orégãos, etc) e que era vendida como bebida medicinal.

Luís de Pinho um caixeiro-viajante, que vendia vinho do Porto, após ter casado com a filha do farmacêutico, decidiu comercializar a bebida num local separado da farmácia. O licor, após o Congresso Beirão, que teve lugar em 1929, passou a chamar-se Licor Beirão. Foi para essa empresa, a Lousanense, que foi trabalhar José Carranca Redondo, vindo posteriormente a adquiri-la, em 1940, quando Luís Pinho faleceu.

Carranca Redondo teve, desde o início, uma percepção da importância da publicidade, notável para a época.

Se bem que o mais conhecido cartaz publicitário desta bebida seja o que inclui uma placa de madeira com a palavra Licor Beirão, sobre a qual repousa um pequeno pássaro, frente a uma paisagem calma, feito em cartão ou em azulejos, espalhados por Portugal, muitas outras surgiram.
O anúncio feito para televisão, interpretado pelo cantor romântico Tony de Matos, é um momento a recordar com prazer e pode ser visto no youtube ou em vários blogues.
E chegamos agora ao segundo postal que recolhi e que se trata de um anúncio sobre um concurso de design Licor Beirão. Com a imagem tradicional da placa de madeira em várias cores, num grafismo tipo Andy Wharhol, segue as pisadas do fundador da casa e procura manter vivo o imaginário da bebida, agora renovada pela nova geração herdeira.
E para finalizar, deixo a imagem de dois suportes de guardanapo, dos anos 60-70, da minha colecção e que aguardavam um momento para serem apresentados.
Distribuídos por bares e cafés, tinham a mesma missão que sempre guiou o seu fundador: a de divulgar a imagem da bebida e colá-la à ideia de Licor de Portugal.
[1] “Diário de Notícias”, 17 de Junho de 1998.