Foi
uma autêntica descoberta para mim esta planta oferecida pela minha amiga Isabel
Fernandes, para ser utilizada como infusão. Foi comprada na Ilha da Madeira no
mercado de Santo António da Serra e foi-me descrita como sendo uma excrescência do
loureiro, que crescia no lado virado a Norte.
É
desconhecida no continente porque se desenvolve apenas na Madeira (na
Laurissilva), na Galiza e nas Ilhas Canárias (Gomera, La Palma).
Muito
apreciada na Madeira é sobretudo na freguesia da Fajã da Ovelha que é mais
utilizada. É usada em infusão sozinha ou com outras ervas, como botões de
macela, erva-cidreira-de-caninha, salva-de-nossa-senhora,
gervão, funcho, hortelã-pimenta, orégãos, canela-de-pau, erva-doce, noz-moscada,
arruda e casca de limão, sendo adoçada com açúcar ou mel.
Tem
uma aplicação vasta em resfriados, como hemostática, em doenças reumatismais,
em doenças circulatórias e muitas outras indicações.
No
período pós-parto, é dado às parturientes um pequeno cálice de “infusão” de
madre-de-louro e alfavaca (Parietaria judaica), sempre-noiva (Polygonum
aviculare), canela-branca (Peperomia galioides).
Para
além do uso medicinal a madre-de-louro também é usada para fazer licores e outras
bebidas, apreciadas pelo seu sabor agradável, e a que também são atribuídas propriedades
calmantes.
Já
agora, também tem uso na cozinha servindo para cozinhar carne dura que, doutro modo, não
seria apta para consumo.
Bibliografia:
-
Freitas, Fátima; Mateus, Mª da Graça. Plantas
e seus usos tradicionais na Freguesia de Fajã da Ovelha. Parque Natural da
Madeira. Consultdo online a 6-4-2019 em https://issuu.com/parquenaturalmadeira/docs/livro_plantas_versao_final/4
-
Morais, JMC. Identificação e acção farmacológica de alguns constituintes do
fungo parasita Laurobasidium lauri
(Geyler) Julich e a sua detecção na planta hospedeira Laurus azorica (Seub) Franco. Tese de Doutoramento, Universidade de
Lisboa, Faculdade de Farmácia 1987. Consultado online a 6-4-2019 em https://digituma.uma.pt/bitstream/10400.13/626/1/MestradoMariaJo%C3%A3oCarvalho.pdf









No campo da compotas a variedade é grande, sendo interessante notar a utilização de frutas tropicais e semi-tropicais usadas na sua confecção. Assim podemos encontrar, a par de doces mais tradicionais como os de amora ou limão, os doces de tamarilho, pitanga, manga, banana e maracujá, papaia e maracujá, etc.
Frasco de doce tendo em baixo o tecido típico da Madeira, que cobria os frascos, agora substituído por papel idêntico
João José Abreu de Sousa*, afirma que o bolo de Mel de cana de açúcar nasceu no convento franciscano masculino de Monchique, no Algarve. Foi frei Jordão do Espírito Santo, quem, nos finais do século XV, embarcou para a Madeira levando consigo esta receita. Seriam as freiras franciscanas do Convento de Santa Clara que, ao tomarem conhecimento desta, lhes adicionaram as especiarias vindas do Oriente, com destaque para o cravinho, iniciando assim uma tradição na doçaria madeirense.
Nota final:
A fábrica foi fundada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva. Desde o início que a fábrica e loja têm permanecido no mesmo local, na Travessa do Forno. Começou por produzir bolachas e biscoitos, em que se torna evidente a influência inglesa, tanto no que respeita às receitas como ao logótipo das latas de 5 Kg onde estas eram acondicionadas. Podemos ver as latas antigas, em folha de Flandres forradas a papel, ao lado de latas da Huntley & Palmers, fábrica inglesa fundada em 1822 e que se tornou na maior fábrica de biscoitos do mundo e perceber a sua influência. Do mesmo modo as bolachas de gengibre remetem-nos imediatamente para Inglaterra.
Em 1948, a fábrica, parcialmente visível por detrás do balcão, foi remodelada e adaptada à electricidade. A modernização poupou contudo a principal máquina, uma moldadora de bolachas, que data de 1900 e que foi apenas adaptada à nova força motriz.
Com a morte do fundador a fábrica passou para seu filho Américo Ciríaco Silva e deste para António Manuel Carregal Côrrea da Silva. Permanece ainda na posse da família, sendo sua actual proprietária Christiane Bettencourt Sardinha. É a esta sucessão familiar que se atribui a persistência desta fábrica, uma das mais antigas fábricas de bolachas do país.




Como se chama? 

