sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O órgão da Covilhã

Não, não vou falar de música, mas de doçaria. Neste caso covilhanense.

Há mais de 10 anos, em 2015, escrevi sobre um doce que se tornou típico da Covilhã, a Garganta de Freira. O texto terminava com uma promessa minha, em que mencionava o órgão: “Sobre essa raridade, demasiada trabalhosa para ser feita nos dias de hoje, falarei outra oportunidade”. Nunca cumpri essa promessa e por isso me sinto obrigada a reviver esta memória.

Há poucos dias fui contactada por uma pessoa da Covilhã, que não conhecia, e que me perguntava sobre doces tradicionais nessa cidade. Interrogava-me mesmo sobre o “Órgão”. Senti-me então na obrigação de dar seguimento à minha antiga palavra.

A minha ideia sobre este doce perde-se já na bruma do tempo. Do que eu me lembrava era apenas da imagem do conjunto e a visão da fita de seda que rodeava a doçaria e que terminava num lacinho.

Falei com a minha amiga Cilinha Alçada, que se lembrava de uma pessoa da família Pereira Nina que sabia fazer este doce. Quanto à receita, remeteu-me para o livro Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lurdes Modesto.

 Lá vem a receita que reproduzo aqui. Para fazer este bolo é preciso ter uns canudos, de diferentes tamanhos, feitos em cana ou em folha de Flandres. A massa é enrolada à volta desses canudos, em espiral, e é frita.   Recheiam-se depois os canudos com um creme de ovos com amêndoa. No topo colocam-se fios de ovos. 

A montagem dos canudos é feita do centro para a periferia, com o canudo maior no centro, que é rodeado por outros, progressivamente menores. No final o conjunto é suportado por uma fita de seda, tal como eu me lembrava.

Para quem tiver coragem: mãos à obra. É bom que estes doces não desapareçam.

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