sábado, 17 de dezembro de 2011

Os Rebuçados Peitorais do Dr. Centazzi


O Dr. Guilherme Centazzi (1808-1875) foi um médico que nasceu em Faro e, embora tenha iniciado a sua carreira em Coimbra, acabou por se doutorar em Paris. Sobre este período de estudante, em Portugal, de onde foi obrigado a afastar-se pelos seus ideias liberais e, posteriormente, em Paris, publicou, em 1849, um livro de memórias intitulado: «O Estudante de Coimbra ou relâmpago da História Portuguesa desde 1826 até 1838». Além desta, escreveu outras obras, entre as quais «Hygiene e medicina popular».

Na segunda metade do século XIX e na primeira do século xx, os rebuçados do Dr. Centazzi foram muito famosos. Na época, o fabrico de rebuçados em farmácias era frequente, porque eram sobretudo medicinais. Deve ter sido o que aconteceu neste caso, embora não tenhamos informação sobre o modo de fabrico inicial.

Eram recomendados «muito especialmente aos cantores e oradores». Eram vendidos a peso e não continham essências artificiais.

Em 1924 os irmãos Alberto e Arnaldo Pereira fundaram a A. F. Pereira Lda, que daria origem à Salutem.  Em 1925 adquiriram uma fábrica de rebuçados e criaram a marca Centazzi, com pedido de registo em 9 de fevereiro desse ano (1) e formaram a sociedade Centazzi Lda.
A comercialização destes rebuçados foi acompanhada por algumas preocupações de publicidade e a imagem desta mãe a dar ao filho um xarope, feito com estes rebuçados, data de 1925. Para obter o xarope diluíam-se 6 rebuçados em dois decilitros de leite ou café e tomava-se, de preferência, ao deitar.
Numa das suas imagens usadas para publiciade dizia-se: «Pedir em toda a parte», e realmente a sua venda estava divulgada.
No jornal O Cezimbrense (2), de 1929, a publicidade à Mercearia, Café e Cervejaria da Viúva de Francisco Pinto Coelho & Filho, para além dos seus inúmeros produtos, informava que tinha sempre em depósito «os afamados Rebuçados Peitorais do Dr. Centazzi».
A lata que aqui se apresenta levava 4 kg de rebuçados «contra tosses, bronquites, rouquidões e afecções das vias respiratórias».
Estes rebuçados eram « feitos com um xarope especial e aromático segundo fórmula do Dr. Centazzi».
Nesta altura, década de 1940-1950, eram feitos em exclusivo por esta fábrica da Sociedade Centazzi Lda, situada na Rua da Aliança Operária, Nº 4, Pátio do Cardoso 8, em Santo Amaro, Lisboa.
Embora hoje as pessoas só conhecem os rebuçados do Dr. Bayard, é importante recordar outras marcas que foram igualmente, ou mais, famosas.

(1) Boletim da Propriedade Industrial, 1925, Nº 2, pp. 62-63 e Nº 4, p. 166.
(2) O Cezimbrense, n.º 157, 28.4.1929.

6 comentários:

  1. Ainda me lembro,miúdo,dos Centazzi.
    Mas também dos "Dr.Bentes".
    Que tenha "Festas Felizes"sem tosses
    ou outras maleitas.
    José

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  2. José,
    É sempre bom ter notícias suas.
    Festas Felizes também para si a sua família.
    Um abraço

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  3. boa tarde, sobre o Dr. Guilherme Centazzi gostava imenso de trocar algumas impressões consigo, pois indica nesse seu post dá informações muito interessantes. O meu enfoque nele é sobretudo literário; aliás, o livro que refere, «O Estudante de Coimbra» não é um livro de memórias, mas sim um verdadeiro romance. Se poder, indique-me um seu endereço de e-mail através de autor@pedroalmeidavieira.com

    Obrigado
    Pedro Almeida Vieira

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  4. Pedro Almeida Vieira,
    Já tinha conhecimento do seu interesse pela obra literária do Dr. Centazzi.
    Pode escrever-me para o endereço do blog que é: garfadasonline@gmail.com
    Cumprimentos

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  5. Meu pai, médico, andava sempre com rebuçados do Dr. Centazzi no bolso. Achava-os excelente preventivo das infecções de garganta e peito. Volta e meia, de inverno chupava um. Não sei se o conceito justificava o tratamento ou a gulodice

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  6. G. Reis Torgal,
    A gulodice com base científica é um bom alibi. Cumprimentos

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