quinta-feira, 1 de março de 2012

Iogurte Caseiro


Numa altura em que nos alimentos se encontram cada vez mais aditivos é importante ler os rótulos das embalagens. Mesmo que só nos dêem parte da informação, os dados básicos estão lá.

Em relação aos iogurtes tenho que reconhecer que a maioria das pessoas não gosta verdadeiramente de iogurte, mas de um creme, derivado do leite, com sabor a outras coisas. É por isso que é tão difícil comprar iogurtes simples, ao contrários dos outros que enchem prateleiras imensas. Este poste não é, portanto, para essas pessoas.
Alguns contudo, os verdadeiros apreciadores de iogurte, sabem que dificilmente os melhores iogurtes do mercado são comparáveis aos gregos. Falo do verdadeiro iogurte grego e não dos «tipo grego» que agora inundam os expositores. Quando pergunto num supermercado por iogurtes gregos (que só se encontram numa única cadeia de supermercados) apontam-me os outros e espantam-se com o que consideram ser a minha confusão.

Para não ter que me deslocar comprava esses do «tipo grego» até descobrir que, uma pequena embalagem, tinha 12 g de açúcar. Isto é, trazia já 2 pacotes de açúcar. Verifiquei depois que algumas variedades chegam a ter 4 pacotes de açúcar.

Há alguns anos atrás eu fazia iogurtes na iogurteira, objecto que todas as pessoas tinham em casa e que abandonaram. Agora, após ter experimentado os iogurtes caseiros em casa de uma amiga minha, feitos no forno, decidi experimentar. E o resultado foi tão bom que não quero deixar de partilhar a receita.
Começa-se por comprar um iogurte simples. Optei por um iogurte natural açucarado da Danone (13,5 g de açúcar), que se vendem em embalagens de dois.
Ligo o forno a 150º C enquanto preparo a mistura e o leite aquece. Aquece-se um litro de leite até cerca de 70ºC, isto é, quando começa a fumegar e antes de ferver. Se estiver demasiado quente tem que se deixar arrefecer para não destruir os lactobacilos.
Junta-se o leite a uma mistura de 1 iogurte mais 1 colher de leite em pó (usei o leite Molico magro), que se bate ligeiramente.
Despeja-se a mistura em cerca de 8-9 frascos de iogurte (utilizo uma caneca com asa que dá aproximadamente o volume da cada um). Colocam-se num tabuleiro com água quente (não a ferver), em banho-maria) e metem-se no forno que deve estar a cerca de 100-110 ºC, cobertos com uma prata. Ficam a essa temperatura 10 minutos, desliga-se o forno, tapa-se a prata com um pequeno cobertor para manter o calor e deixam-se ficar durante cerca de 4-6 horas, isto é, até o forno arrefecer.

Obtém-se um iogurte com uma estrutura cremosa, bastante sólida e muito saborosos, que não necessitam de açúcar. Pode juntar-se fruta ou doce para quem gostar.
Guardo-os no frigorífico tapados com folha de prata e duram cerca de 10 dias. Depois começam a ganhar bolor porque não têm conservantes.
Experimentei juntar-lhe framboesas esmagadas mas o gosto que se obtém é demasiado subtil e não compensa, o que também nos mostra que o sabor a fruta dos comerciais só pode ser obtido com aditivos.

Conclusão: estes iogurtes são mais baratos, mais saudáveis e mais saborosos.
Que mais se pode pedir?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Fábrica de Bolachas da Pampulha

A Fábrica de Bolachas da Pampulha,  situava-se entre a Pampulha e a Rua 24 de Julho e foi fundada por Eduardo Costa, na década de 1870.
Foi a primeira fábrica de bolachas em Portugal e teve uma produção importante, tendo chegada a produzir mais de trezentas variedades de bolachas e biscoitos. Para além da fábrica tinha um depósito em Lisboa, na Rua dos Retrozeiros, 32-34 e um outro no Porto, que se situava na Rua D. Pedro, 143-145.
O amassador mecânico
A qualidade dos seu produtos era seguramente boa porque conseguiu ganhar vários prémios com os seus produtos. Era a época das Exposições Industriais chamadas Universais e os prémios nelas ganhos conferiam grande prestígio aos produtos. Na Exposição de Filadélfia, em 1876, ganhou uma medalha de mérito da Associação Promotora da Industria Fabril e em 1878 uma outra medalha na exposição de Paris. Em Portugal foi premiado na Exposição Agrícola de Lisboa, em 1884 e na Exposição Industrial Portuguesa de 1888.
Preparação da massas em lâminas
O edifício tinha vários andares, servidos por um elevador. As farinhas chegavam á fábrica de carroça e eram transportadas para o terceiro piso onde se encontravam as máquinas de preparação das massas.
Os fornos para cozer as bolachas
Passavam depois para o quarto piso onde estavam as máquinas de cortar e os fornos para as cozer e por fim passavam para o quinto piso onde eram seleccionadas e acondicionadas em caixas. Esta disposição, que nos parece absurda, fazia sentido se percebermos que o terreno era inclinado e que a matéria prima entrava por baixo, pelo portão do Aterro e saía depois por cima, uma vez que o quinto piso correspondia ao piso térreo da Travessa dos Brunos.
Local de escolha e enlatação das bolachas
Da grande variedade de bolachas infelizmente não foi feito qualquer registo, o que era habitual à época, mas percebe-se que o proprietário e os seus descendentes tiveram preocupações publicitárias que se manifestaram pela oferta de produtos promocionais, como calendários e outros como é o caso da bolacha que apresentei em anterior poste.
A apurada qualidade gráfica das suas embalagens e cartazes era manifesta e pode ser constatada nos raros exemplares que vão aparecendo. São normalmente de carácter histórico e nacionalista enaltecendo figuras portuguesa como Bocage e o Marechal Gomes Freire de Andrade, como no exemplo apresentado, entre outros. Voltarei a este tema para mostrar outros exemplares que o confirmam.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fantasias de Carnaval

Para não deixar passar esta época sem um poste alusivo apresento algumas fotografias antigas com fantasias de Carnaval. 
Diferentes das de hoje em dia, sem heróis, representavam sobretudo figuras populares com trajes regionais.

A terminar, a imagem que desencadeou a vontade de lhes apresentar esta sequência.
A fotografia de um menino de dois anos e meio que, em 1914, vestido de cozinheiro, oferecia os seus serviços. Segundo os seus pais garantiam: «Sabe bem da sua arte!».

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Museu Virtual: Oveiro coberto com saleiro

Nome do Objecto: Oveiro coberto com saleiro

Descrição: Oveiro em forma de esfera com duas metades, a superior servindo de tampa e a inferior de base para os recipientes em vidro para colocar o ovo e o sal. A cavidade inferior permite também colocar água quente impedindo o «ovo quente» de esfriar. Assenta num pedestal, no mesmo material.
Material: EPNS (electroplated nickel silver)  e vidro.


Época: Final do século XIX.


Marcas: MAPPIN & WEBB. London. Shefield

Origem: Mercado português.

Grupo a que pertence: Recipiente para o serviço ou consumo.

Função Geral: Equipamento para servir e consumir a comida.
Função Específica: Para servir «ovos quentes». A taça de vidro anexa serve para colocar o sal para o tempero do ovo. O recipiente inferior permite introduzir água quente para manter o ovo em boas condições de temperatura, o que também é facilitado pela tampa que encerra o objecto.
Nº inventário: 1010

Objectos semelhantes: Pode confundir-se com outros oveiros a que os ingleses chama «egg coddler» ou «egg boiler» que são utilizados para fazer os ovos quentes na própria sala. Estes têm geralmente cavidades para vários ovos, habitualmente seis, e têm em baixo uma lamparina para manter a água quente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um papel de gelado Mayflower

Um dos meus gostos é descobrir o rasto de velhos papéis. Este foi um desafio difícil sobre o qual consegui pouca informação.
Trata-se de um invólucro em papel de um gelado americano, que se encontrava por mero acaso no meio do espólio de portugueses que viveram nos Estados Unidos nos anos 30. Regressados a Portugal trouxeram os seus haveres que consideravam importantes mas, perdido entre estes, estava este insignificante papel.
O gelado foi produzido pela empresa Mayflower Ice Cream Company, situada no lado oeste da Avenida Vernon, perto da Avenida 43, em Long Island, Queens.

No início do século XIX, nos Estados Unidos, o leite começou a ser produzido em destilarias que aproveitavam os excedentes da produção do whisky para alimentar as vacas. Este leite tinha uma qualidade deficiente e esteve na origem de surtos infecciosos dos que se atreviam a bebê-lo. Apenas em 1895 as máquinas industriais para pausteurizar o leite foram introduzidas nos Estados Unidos, obviando a muitos destes problemas.

Após a Grande Depressão o presidente Roosevelt implementou vários projectos de desenvolvimento entre os quais, um destinado a empregar artistas, o Works Progress Administration (WPA), que teve início em 1935. Estes foram utilizados em várias campanhas publicitárias como as que se destinavam a fomentar o consumo do leite e de que este poster é um exemplo.
Nessa época o fornecimento de leite, manteiga e gelados, isto é de lacticínios,  a Nova Iorque era feito por leitarias locais, entretanto desaparecidas. De entre as mais conhecidas salientava-se a R. H. Renken Dairy, a Sheffield Farms e a Mayflower Ice Cream Company.
Esta última ainda existia em 1945, ano em que publicou um anúncio no jornal Long Island Star Journal de 4 de Agosto, pedindo raparigas, mesmo sem experiência para trabalhar na fábrica, com um horário de 40 horas semanais.
O edifício persiste ainda hoje e este pequeno papel de gelado também.
PS. Dedico este poste ao meu mais fiel leitor, um desconhecido residente nos USA, em Mountain View, California.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma máscara de Carnaval


Numa altura em que os cozinheiros estão em alta nada mais adequado do que uma máscara de Carnaval com um barrete de cozinheiro.

Tratando-se de um Carnaval polémico, que perdeu o direito à tolerância, poderá ser usada no domicílio, após período laboral.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Detergente Barrix

Desde há anos que este anúncio ao Barrix está na minha posse, sem que, até há cerca de uma semana, tenha conseguido localizar qualquer informação.
Esta figura, recortada em cartão tem um pequeno suporte do mesmo material que lhe permite ficar em pé.
Por baixo da marca «Barrix» tem escrito «Detergente líquido escocês» e nada mais.
A vestimenta do despachado gato, como o que parece ser um macaco azul e um boné na cabeça, remetia-me para o campo industrial e pensei que se tratava de um detergente para lavar automóveis.
Felizmente não cheguei a publicar esse disparate.
Sei agora que se trata de um detergente para lavagem de roupa e que foi registado em 1955 por Alfredo Barros & Irmão, industrial com sede na Rua de Santa Catarina 300, 2º, no Porto.