domingo, 1 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
«Il Cuoco maceratese», um livro de receitas do século XVIII
Não são muitos os livros de
receitas anteriores ao século XIX e, pensava eu, que conhecia os mais
importantes. Hoje veio-me parar às mãos um livro italiano chamado «Il cuoco
maceratese» (O cozinheiro de Macerata), publicado em Macerata, um região
do centro de Itália e percebi que a minha ignorância era maior do que pensava.
Trata-se de um fac-simile da 2ª
edição do livro da autoria de Antonio Nebbia, publicado pela primeira vez em
1779.
A obra demonstra a influência
francesa que se fazia sentir em toda a Europa no século XVIII, mas apresentava
as características da cozinha regional italiana, como o próprio título fazia
antever. Tal como outros livros com designações idênticas, que se lhe seguiram
em Itália, destinava-se às grandes casas.
Da influência francesa o autor
refere os molhos (Salze), os coli (que penso correspondem aos coulis
franceses) e o uso da manteiga, como encontrámos na receita da Fritelle di
Pasta.
Alguns estudiosos italianos
consideram Nebbia um precursor da confecção do risotto ao dar receitas
em que demolhava o arroz durante uma hora, como na receita Minestra di riso.
O que mais me interessou no livro
foram os últimos capítulos. No capítulo décimo em que apresenta o modo de bem
apresentar um serviço com 20 ou 25 cobertas, em que explica quais os pratos que
devem ser usados no 1º e 2º serviço, a importância da simetria da mesa, o autor revela-nos as regras do «serviço à francesa». E termina com dois artigos
normativos «As regras do cozinheiro», uma referência ao chefe, a que se segue o
modo como o sotto-cozinheiro (expressão que significa “abaixo” e que em
Portugal se usou para algumas profissões, por ex. soto-cocheiro) e que corresponde ao
ajudante, devia ter no seu ofício e que passavam pela ordem e limpeza na cozinha e o respeito pelo seu chefe.
Pensa-se que Antonio Nebbia terá nascido em Frontillo
Pievebovigliana, de onde era originária a sua família e foi chefe das cozinhas
da família Presuttini de Recanati no século XVIII. A obra foi reeditada em 1781 (2ª edição), em 1783 (3ª edição), em 1786 (4ª edição), em 1787, em 1796, em 1809 e em 1820, pelo menos.
Esta
edição de que aqui falo é uma reedição da obra de 1791 e tem uma história interessante.
Foi dada à estampa por um seu descendente Franco Nebbia (1927-1984) que foi
músico de jazz, critico de cinema e fundador do primeiro cabaret italiano em
Milão. A ele se juntou Davide Scafà, o proprietário do Restaurante Davide. Foi
um dos seus filhos, que com ele trabalhava, quem descobriu um original do livro
na casa da condessa Stelluti Scala ao pesquisar receitas da sua região. Os
exemplares destinavam-se a ofertas a clientes do restaurante e a amigos de
ambos, como o caso deste livro, oferecido a um português por Franco Nebbia.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Festival Internacional de Licores e Aguardentes Tradicionais
Há imensas actividades interessantes que têm lugar em Portugal e que nos passam muitas vezes ao lado.
Se não me tivessem convidado para apresentar o meu trabalho eu também não daria por este festival de licores tradicionais, numa zona de grande tradição de produção de destilados.
Foi na Serra do Caldeirão que os árabes implantaram as primeiras destilarias no século X, na região que posteriormente viria a ser o reino de Portugal e dos Algarves.
Aqui fica a divulgação.
Se não me tivessem convidado para apresentar o meu trabalho eu também não daria por este festival de licores tradicionais, numa zona de grande tradição de produção de destilados.
Foi na Serra do Caldeirão que os árabes implantaram as primeiras destilarias no século X, na região que posteriormente viria a ser o reino de Portugal e dos Algarves.
Aqui fica a divulgação.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
A Confeitaria Serrana no Porto
Há algum tempo um amigo meu
tinha-me falado numa pastelaria, situada perto da estação de comboios de S.
Bento, que eu devia visitar. Por coincidência, na minha agenda tinha já escrito
para visitar, na próxima ida ao Porto, a Confeitaria Serrana, na rua do Loureiro,
52.
Era precisamente o mesmo local e, apesar de já ser sobejamente conhecida dos portuenses, quero falar nela por várias razões. Em primeiro lugar é demasiado bela para ficar ignorada pelas pessoas que visitam a cidade do Porto e que a desconhecem, como era o meu caso até ontem. Em segundo lugar, presentemente está à sua frente uma delicada proprietária, a Srª Dª Mónica Oliveira, que me recebeu com um sorriso e me agradeceu a visita o que, podem estranhar, não é tão frequente como isso nas minhas peregrinações. Pôs à minha disposição as informações que tinha conseguido e deixou-me fotografar à vontade.
Era precisamente o mesmo local e, apesar de já ser sobejamente conhecida dos portuenses, quero falar nela por várias razões. Em primeiro lugar é demasiado bela para ficar ignorada pelas pessoas que visitam a cidade do Porto e que a desconhecem, como era o meu caso até ontem. Em segundo lugar, presentemente está à sua frente uma delicada proprietária, a Srª Dª Mónica Oliveira, que me recebeu com um sorriso e me agradeceu a visita o que, podem estranhar, não é tão frequente como isso nas minhas peregrinações. Pôs à minha disposição as informações que tinha conseguido e deixou-me fotografar à vontade.
Vê-se que tem orgulho na firma e
na casa que o seu pai tomou posse e que existe como empresa com o nome Daniel,
Albuquerque & Cª, Lda, desde 1953 e com a designação de Confeitaria
Serrana, que mantiveram e da qual procura saber mais elementos.
Mantém como principal actividade
a venda de bolos e pastéis e o seu produto mais característico são as gigantes
bolas de Berlim, achatadas e cobertas com açúcar em pó.
O exterior do edifício, que se
sabe ser anterior ao século XIX não nos faz prever o que vamos encontrar no
interior. Segundo registos camarários o imóvel sofreu obras de beneficiação em
1869, quando era seu proprietário Francisco José Carvalho, que lhe adicionou
mais um andar e aumentou as janelas. Mas as alterações fundamentais tiveram
lugar em 1911, e destinaram-se a transformar o espaço numa luxuosa ourivesaria.
Foi o seu proprietário José Pinto da Cunha quem realizou o pedido da obras mas seria o seu sobrinho Alfredo Pinto da Cunha[1], filho de António Pinto da Cunha e Margarida Augusta Ribeiro de Sousa, nascido na Lousada em 20 de Fevereiro de 1884, que tomaria a responsabilidade da casa e que se tornaria num dos principais negociantes do ramo na cidade do Porto[2]: Em 1914 transferiu-se para uma nova Ourivesaria Cunha na rua 31 de Janeiro, que mais tarde viria a ser a Machado Joalheiros.
Foi o seu proprietário José Pinto da Cunha quem realizou o pedido da obras mas seria o seu sobrinho Alfredo Pinto da Cunha[1], filho de António Pinto da Cunha e Margarida Augusta Ribeiro de Sousa, nascido na Lousada em 20 de Fevereiro de 1884, que tomaria a responsabilidade da casa e que se tornaria num dos principais negociantes do ramo na cidade do Porto[2]: Em 1914 transferiu-se para uma nova Ourivesaria Cunha na rua 31 de Janeiro, que mais tarde viria a ser a Machado Joalheiros.
Em
comum, ambos os estabelecimentos têm características Art Nouveau e foram o
resultado da acção conjunta de dois irmãos Francisco de Oliveira Ferreira
(1884-1957), como arquitecto, e de José de Oliveira Ferreira (1883-1942) como escultor.
Mais tarde, em 1932, o local foi
uma loja de fazendas, para adaptação da qual foram feitas novamente obras e em
1943 esteve aí instalado o restaurante S. Bento, propriedade de Altino Gomes
Silva, até passar a confeitaria em 1953. De todas estas alterações ficou preservado
apenas o espaço inicial da ourivesaria ao nível do primeiro piso.
Trata-se de um espaço em mezzanine, representativo da arquitectura do ferro com um escada também em ferro que se divide em dois lances e termina numa área aberta circundada a toda a volta por um varandim. Do lado da entrada a estrutura apresenta duas colunas em ferro pintado, cada uma delas ladeada por anjos, atribuídos a José de Oliveira Ferreira.
Trata-se de um espaço em mezzanine, representativo da arquitectura do ferro com um escada também em ferro que se divide em dois lances e termina numa área aberta circundada a toda a volta por um varandim. Do lado da entrada a estrutura apresenta duas colunas em ferro pintado, cada uma delas ladeada por anjos, atribuídos a José de Oliveira Ferreira.
No tecto, ao centro, está colocada uma tela de Acácio Lino
(1878-1956), datada de 1911[3], rodeada
por uma moldura em gesso pintado.
Um facto interessante, para fechar esta história, é que os
pais dos dois irmãos Oliveira Ferreira, responsáveis por este projecto, eram
proprietários de uma pastelaria, fim a que este seu projecto se viria a
destinar, como numa ironia do destino.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
A escova de louça LOLA ou a minha Lola preferida
Vou falar de um produto de que,
ia dizer, me lembro desde sempre, mas pensando bem é apenas desde que comecei a lavar
a louça.
Refiro-me à escova para lavar
louça Lola, que seguramente os mais novos já não conhecem.
No entanto o nome da marca «Lola» ficou como sinónimo de
escova de lavar a louça, tal como aconteceu com o Frigidaire para qualquer
frigorífico (sobretudo na África portuguesa) ou a Gilette para as máquinas de
barbear.
A história da Lola começou em
1930 na Alemanha Oriental mas no Ocidente a sua grande divulgação começou apenas
em 1968 quando um vendedor tentou vender escovas de madeira fabricadas na
Alemanha Oriental num loja chamada «Pottery of all
Nations», em Nova Iorque. As primeiras dúzias que o proprietário adquiriu
venderam-se rapidamente, o mesmo sucendendo com as seguintes, o que levou o
proprietário a importá-las directamente da Alemanha Oriental. De notar que se
estava em plena “guerra fria” e nada impediu este interessante negócio.
Logo no ano seguinte formava-se a
«Lola Brush Corporation», pelas mãos de Larry
Lewis e Jim Berger, que passaram a vendê-la nos Estados Unidos. A ele se
juntaria um especialista em produtos domésticos Edward D. Spitaletta, passando
a firma a designar-se «Lola Products Corporation» e posteriormente «Lola
Products». Na década de 1970 esta empresa com uma gama de produtos úteis e
fáceis de utilizar na higiene doméstica tornou-se no líder de mercado neste
campo.
Após 2001 a empresa ficou apenas
nas mãos de Ed Spitaletta, que introduziu novos
produtos adaptados aos tempos actuais, mas onde permanece inalterável a escova
para a loiça Lola. Como dizia o meu amigo alemão Helmut, a quem pedi ajuda para
eventuais traduções: «Não se muda um produto que está optimisado».
A empresa
"ebf" - Bürsten und Besen oHG, uma fábrica alemã fundada em 1886, ainda
produz Lolas, mas sob licença,com outro nome, pois a utilização do nome Lola é
interdita.
Em
Portugal não sei dizer quando começou a ser comercializada, mas sei que desde
que a descobri achei impensável lavar a louça com as mãos e uma esponja ou um
pano.
Um
dia dei comigo a só encontrar Lolas em plástico. Não tive outra opção
senão comprá-las porque deixei de encontrar as verdadeiras. Ainda hoje quando
vejo pequenas lojas de venda de produtos para casa, em especial na província,
entro e pergunto se têm Lolas. Os mais novos abrem os olhos e tenho de
explicar. As pessoas mais velhas informam-me que nunca mais apareceram.
No entanto surgiram substitutos em madeira. Na internet podem encontrar-se cópias perfeitas, sem marca, com a designação de que se trata de escovas feitas com madeira de faia, fio de aço inoxidável e fibra de tampico, sendo o design 100% sueco. É por isto que o registo de patentes é importante!.
Presentemente
o mercado de design doméstico produziu variantes interessantissimas de Lolas,
sobre as quais se justifica um outro poste, mas entretanto deixo um aperitivo.No entanto surgiram substitutos em madeira. Na internet podem encontrar-se cópias perfeitas, sem marca, com a designação de que se trata de escovas feitas com madeira de faia, fio de aço inoxidável e fibra de tampico, sendo o design 100% sueco. É por isto que o registo de patentes é importante!.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Livro «Licores de Portugal (1880-1980)»
| Capa da edição especial |
Trata-se de uma edição de autora,
uma vez que a minha editora não considerou que fosse um tema vendável. A minha
opinião é a oposta e investi nesta obra uma boa parte das minhas economias que,
com a ajuda de todos, espero recuperar.
Com a liberdade de autora/editora
pude fazer uma livro ao meu gosto, sem restrições de imagens, em papel couché e
com as imagens inseridas no texto. Assim o livro ficou quase com 300 páginas e
é profusamente ilustrado.
Como bibliófila decidi também
fazer uma edição especial de 50 livros numerados e assinados pela autora, com
capa dura, neste caso branca, como o hábito dos monges, para contrastar com a
cor cereja dos livros brochados e, nas duas modalidades, são vendidos a preço
de crise.
A origem dos licores; Licores conventuais,
Licores caseiros; Licores comerciais e Centros
licoreiros portugueses; A Ginjinha. Um caso especial; O Granito de Évora;
Antigas marcas de licores; Os objectos de consumo; O papel social dos licores; A
rota dos licores lisboetas e uma extensa bibliografia.
Deixo aqui algumas imagens para
ficarem com ideia do livro que, espero, tenha aceitação, uma vez que se trata
de uma área completamente inexplorada e em que se abordam novos temas de
características portuguesas como as garrafas de vidro figurativas e os rótulos
de licor.
Muito do material usado para o
livro está patente na exposição do Centro de Artes Culinárias e sobre ela
falarei mais tarde, logo que tenha fotografias de qualidade.
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