sexta-feira, 27 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
A Fábrica de Refrigerantes Delta
A fábrica de refrigerantes Delta
foi fundada em 1945, em Castelo Branco por Rogério de Almeida Martins Ruivo,
que funcionou como director técnico e por seu irmão Raúl de Almeida Martins
Ruivo que tinha a seu cargo a parte comercial.
A empresa designada Martins
Ruivo, Lda, tinha então instalações modelares com as máquinas de produção
situadas no rés-do-chão enquanto que no 1º andar se situavam os laboratórios.
As secções de fabrico e de vasilhame estavam ligadas por um higiénico sistema
de tubagens. Tinha também secções de lavagem de garrafas, enchimento e
rotulagem independentes e separadas por vidraças.
Na fábrica trabalhavam algumas
dezenas de funcionários e a produção diária de refrigerantes era de 6 mil
garrafas.
| Casa das lavagens das garrafas |
Dos refrigerantes eram sobretudo
apreciadas as laranjadas, mas a fábrica era também conhecida pela produção de
xaropes de limão, groselha e outros frutos.
Em 1947 a fábrica estava no auge
e começavam a ser conhecidos em vários pontos do país tendo iniciado a
distribuição em garrafões de 5 e 10 litros para revendedores, que era de grande
utilidade porque então este tipo de bebidas era vendido em tabernas e cafés.
Em reportagem feita para a
revista Viagem na Primavera de 1947 a empresa preparava-se para a
produção de licores de todas as qualidades para o que dispunha já de pessoal
especializado. Na notícia era referido que esta era a única indústria de
xaropes da Beira Baixa. Apenas em 1950 foi pedido o
registo do nome «Fábrica de Refrigerantes Delta» (concedido a 18/2/1950).
Não foi esta contudo a primeira fábrica
de refrigerantes local. O meu Tio António, de 87 anos de idade e uma memória
prodigiosa, confirmou-me a existência desta fábrica no Largo da Srª da Piedade.
![]() |
| Garrafa e fotografia de Alberto Santos Alves em Frascofilia no Portal dos Clássicos |
Contou-me que antes tinha existido uma outra fábrica chamada «Castraleuca» que produzia
refrigerantes, pirolitos, gasosas e laranjadas e que era pertença de David
Benfica. Ficava ao fundo da Rua de Santiago (actual Praça da rainha D. Leonor) e
passou depois para a Alameda do Cansado onde existia um poço com água de muito
boa qualidade, pertença da Câmara, que a fornecia contra pagamento.
No Anuário Comercial de
Portugal de 1967 aparecem ainda as duas fábricas de refrigerantes: a
Castraleuca Lda, na rua Guilherme de Barros ao Cansado e a Delta no Largo da
Senhora da Piedade. Contudo no Anuário de 1973 já só vem indicada a
Castraleuca.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Museu Virtual: Lancheira escolar
Nome do Objecto: Lancheira
escolar.
Descrição: Caixa rectangular
com tampa e duas asas. Litografada a cores, apresenta nas faces laterais peixes
e outros elementos marinhos. Na tampa surge o desenho de um menino vestido de
pescador com um varão sobre os ombros com duas cestas para peixe, na praia, à
beira do mar.
Material: Folha-de-flandres
litografada.
Época: 1940-1960
Marcas:
Não tem. A representação da tampa está assinada «J Almeida» e faz lembrar os
desenhos de Laura Costa.
Origem: Adquirida no Porto
em 2013.
Grupo a que pertence: Equipamento
culinário.
Função Geral: Recipiente
para transportar alimentos.
Função Específica: Usada
pelas crianças para levar o almoço para a escola.
Nº inventário: 1147.
Objectos semelhantes: Não
classificados.
NOTA:
Encontram-se
em exposição vários tipos de lancheiras da colecção de Maria Proença e outros,
no Centro de Artes Culinárias, no Campo de Santa Clara em Lisboa. Intitulada Cozinhas
nómadas mostra vários tipos de equipamento utilizados em refeições fora de
casa e onde se podem ver lancheiras de trabalho, militares e escolares. Ainda podem ir ver.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Margarina Chefe: «Comer bem...digerir melhor»
Seleccionei este folheto,
distribuído em 1960, pelo seu belo aspecto gráfico. Foi feito na empresa de
publicidade Ciesa, que pertencia à Sociedade Nacional de Sabões, de cujo grupo
fazia também parte a Fábrica Nacional de Margarinas. Não tem qualquer assinatura
e foi impresso na Lito Maia.
Na capa um atraente prato de
lombo de carne assada, ladeado por vários legumes aprumados, confirmava o
título.
Lá dentro uma dona de casa de
olhos orientais e sorriso enigmático apresentava-nos a Margarina Chefe: «Nova
Inteiramente Nova».
A segunda folha, com um
desdobrável recortado ampliava a cena de frutos tropicais (Coco, amendoim e
palma) de grande beleza onde era realçada a presença na margarina de vitaminas,
calorias e proteínas.
Para terminar na contracapa apresentavam-se 3 receitas de
pratos feitos com margarina.
Os meus comentários ficariam por
aqui, salientando as características da publicidade alimentar da época, se não
fosse um pormenor original.
Na face posterior da extensão recortada era
inserida uma informação científica. Referiam-se os estudos dos Dr. Bun e Barnes
(1) que haviam estabelecido uma relação entre a alimentação a a
arterioesclerose e em especial o papel desempenhado pelas gorduras no seu
desenvolvimento.
Mencionavam-se as provas de que a
gordura de origem animal (uma referência subtil à banha usada em Portugal)
levavam ao desenvolvimento da arteriosclerose , enquanto as de origem vegetal
tinham acção preventiva.
Confesso que perdi bastante tempo
à procura destes estudos (inclusive na Pubmed), mas não os consegui encontrar. Mas encontrei outros idênticos. Pensava-se
então que bastava reduzir as gorduras para diminuir a doença cardíaca, mas o
tempo veio mostrar que o importante era consumir dietas saudáveis com gorduras
“boas” e não era a quantidade que contava.
Os estudos americanos mostraram
que na década de 1960 cerca de 45% das calorias alimentares provinham das
gorduras e existiam cerca de 13% de obesos adultos(2). Presentemente o consumo de calorias baixou para 33%
e existem 34% de adultos obesos(3).
Não vou falar nas gorduras boas
(não saturadas) e más (saturadas) mas nas péssimas como as trans.
Estas são obtidas por aquecimento dos óleos vegetais em presença do hidrogénio,
num processo chamado hidrogenização, que pode ser parcial ou total. Este
processo do ponto de vista comercial tem a vantagem de tornar os óleos vegetais
mais estáveis e mais facilmente transportáveis porque passam ao estado sólido.
Esta descoberta foi recebida de
braços abertos pela indústria alimentar, em especial pelas cadeias de fast
food, mas também pelos produtores de margarina. As margarinas sólidas, mesmo
feitas com óleos vegetais não saturados, são menos saudáveis do que a manteiga,
porque contêm ácidos gordos trans. Nos anos 60 não se sabia isso, mas hoje há
que estar atento aos rótulos de composição dos alimentos e, se lerem que têm gorduras
trans, não comprem.
_____________________________
(1)
Poderá ser o Dr. Robert W. Barnes, que foi médico chefe do serviço de Cirurgia
Vascular entre 1978-1981 no VA Medical Center, Richmond ?.
(2) USDA Center
for Nutrition Policy and Promotion.Nutrition Insights: Insight 5: Is Total Fat Consumption
Really Decreasing? 1998.
(3) Flegal K, Carroll M,
Kuczmarski R, Johnson C. Overweight and obesity in the United States:
prevalence and trends, 1960-1994, Int J Obes Relat Metab Disord. 1998;22:39-47.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Objecto Mistério Nº 38 Resposta: Paliteiros
Este desafio não era fácil. Eu
própria estive enganada durante anos quanto à função deste objecto. Comprei
duas jarrinhas destas há mais de 30 anos e pensava que se destinavam a colocar
flores no recipiente posterior. Quando fiz um trono de Santo António fui
procurá-las mas uma já tinha desaparecido, levada por alguém que com ela se
encantou.
Confirmou-me a experiente
vendedora que se destinavam a palitos. Fazia sentido. O tamanho é perfeito para
essa função e vistas de frente estes não são visíveis.
Tinham assim função utilitária e
decorativa sobre a mesa, numa época em que a presença das flores sobre esta era
importante.
Devem datar do final do século XIX ou início do século XX e fazem
lembrar as mesas que vimos representadas nas gravuras dos livros de Mrs Beeton.
A presença destes puritanos paliteiros integrava-se perfeitamente na profusão
floral que cobria o centro.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Objecto Mistério Nº 38
Este pequeno objecto tem 11 cm de altura e é feito em
folha-de-flandres litografada.
A que se destinava?
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
O menino de pão de ló
Os livros com partes móveis
existem há centenas de anos. Um dos primeiros exemplos surgiu no século XIII tendo
sido concebido por Ramon Llull, de Maiorca (1232-1316), que escreveu livros de alquimia e
botânica. Foi o criador de um disco designado volvelle ou círculo
Lulliano, que consistia em dois ou mais círculos de papel com com letras ou
símbolos que rodavam e que tantas aplicações teve no futuro (ainda me lembro de
usar em Obstetrícia uns discos para calcular a data de nascimento das crianças
baseados nesta técnica).
No século XVIII Robert Sayes produziu
livros de «metamorfoses», em 1765, também chamados «turn-up» ou «harlequinades»
que eram compostos por folhas impressas e dobradas. Quando desdobradas noutras
posições apareciam outras imagens que contavam uma diferente história.
Entre 1810 e 1816 uma empresa
inglesa dedicada a produtos infantis, a firma S. & J. Fuller, produziu um
série de livros que tinham bonecas de papel com cabeças móveis e fatos variados
para as vestir. Não tinham histórias e eram considerados brinquedos. Os livros
móveis para crianças surgiram apenas em 1860 e foram publicados por Dean and
Son.
Em 1890 Ernest Nipers concebeu uns livros em que as figuras eram recortadas e surgiam automaticamente quando se abria o livro. Vários exemplos se seguiram até chegarmos ao trabalho de Julian Wehr que publicou o primeiro livro móvel designado «As excitantes aventuras de Finnie e Fiddler».
Wehr registou a patente do seu dispositivo, muito simples, que consiste numa única paleta, na parte inferior do livro, que mexia para a frente e para trás e que fazia mexer mais do que um mecanismo e fez com esta técnica mais de trinta livros. Estava-se na época que antecedeu os livros pop up, que desabrochou nos anos 60 e de que já falámos anteriormente.
Este livro aqui apresentado foi publicado nos Estados Unidos em 1943 com o título «The Gingerbread Boy», o que revelava as origens alemãs do escritor norte-americano. Traduzido para português como «O menino de Pão de Ló» o que fazia todo o sentido numa época em que os portugueses não sabiam sequer o que era o gengibre e as bolachas de gengibre, de influência inglesa, era pouco conhecidas (exceptua-se a sua produção na Madeira pela Fábrica de Santo António, como produto localizado) .
Em 1890 Ernest Nipers concebeu uns livros em que as figuras eram recortadas e surgiam automaticamente quando se abria o livro. Vários exemplos se seguiram até chegarmos ao trabalho de Julian Wehr que publicou o primeiro livro móvel designado «As excitantes aventuras de Finnie e Fiddler».
Wehr registou a patente do seu dispositivo, muito simples, que consiste numa única paleta, na parte inferior do livro, que mexia para a frente e para trás e que fazia mexer mais do que um mecanismo e fez com esta técnica mais de trinta livros. Estava-se na época que antecedeu os livros pop up, que desabrochou nos anos 60 e de que já falámos anteriormente.
Este livro aqui apresentado foi publicado nos Estados Unidos em 1943 com o título «The Gingerbread Boy», o que revelava as origens alemãs do escritor norte-americano. Traduzido para português como «O menino de Pão de Ló» o que fazia todo o sentido numa época em que os portugueses não sabiam sequer o que era o gengibre e as bolachas de gengibre, de influência inglesa, era pouco conhecidas (exceptua-se a sua produção na Madeira pela Fábrica de Santo António, como produto localizado) .
A história, os desenhos e a
animação saíram todos da mesma pena. A narrativa é um bocado sinistra, mas com
a insensibilidade que caracteriza as crianças, deve fazer sentido. Conta a
história de um casal idoso muito feliz em tudo excepto no facto de não terem um
filho. Um dia a velhinha resolve fazer um bolo com o feitio de um menino para
viver com eles. No forno o menino de bolo toma vida e sai a correr recusando-se
a viver com o casal. Seguem-se as desventuras que resultam do encontro do
menino bolo com uns lavradores, com uma vaca, um porco e uma gata selvagem,
todos procurando-o comer. Desanimado o menino volta a casa do casal. Muito contente
a velhinha abraçou-o «mas, de repente,... zás. O menino de pão de ló partiu-se
em dois pedaços iguais». O que mostrava que os meninos de pão de ló serviam
para serem comidos e «o velhinho e a velhinha acabaram por comer inteirinho
este menino de pão de ló».
Acaba assim a história de um forma
que nos deixa de olhos abertos, sobretudo quando estamos à espera de um final feliz. Para além das ilustrações no meio do texto o livro tem 5 folhas
com mecanismos móveis por meio de um paleta, como era hábito do autor, e que
delicia as crianças e alguns adultos, como é o meu caso.
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