Em relação à primeira pergunta, qual o nome do objecto mistério Nº 20, vejo-me obrigada a responder em inglês, por desconhecer se existe um nome próprio em português. Trata-se de um «Penny lick». Em português tenho que traduzir simplesmente para «copo para gelado» e, com esta afirmação, já respondi à segunda pergunta.
Este tipo de copo foi usado em Inglaterra, durante o século XIX, pelos vendedores ambulantes para vendiam gelado nas ruas. Existiam três tamanhos para além do apresentado: um menor o «halfpenny lick» e um maior «duplo penny lick». Como a palavra “lick” indica, estes gelados eram lambidos e não comidos com colher.
O vidro grosseiro e espesso permitia apresentar um copo em que as paredes exteriores não reflectiam o diminuto conteúdo. A bola de gelado colocada na pequena cavidade era reflectida pelo vidro que aumentava, de forma enganadora, o seu tamanho.
A este tipo de copos chamam os ingleses “deceptive glass”, o que se pode traduzir por “copos enganadores”.
No caso dos gelados, permitiam ao vendedor economizar no produto que vendia.
E o mesmo se passava nas tabernas, local em que, em Portugal, foram sobretudo usados. Existiram vários modelos de que apresento alguns exemplos que possuo.
O vidro espesso que caracteriza este tipo de copos não se destinava apenas a diminuir a possibilidade de quebra do vidro, tanto mais arriscada quanto se reduz a sua espessura. Tinha por fim enganar os clientes e servir uma menor quantidade do que este pensava estar a ingerir.
Nalguns casos havia quem considerasse uma vantagem o seu uso social. Um anfitrião podia acompanhar os seus convivas, bebendo por um copo deste tipo, o que lhe permitia manter maior sobriedade ao mesmo tempo que parecia acompanhar os seus companheiros.
Também são conhecidos por “copos de chefes de cerimónia”. Existe no Museu Albert and Victoria, em Londres, um exemplar destes, do século XVIII. Foi usado com esse fim, isto é, permitir ao chefe de cerimónias fazer saúdes com o seu copo enganador e manter a compostura e sobriedade que a função lhe exigia. São contudo muito raros, uma vez que a grande maioria deste tipo de copos são do século XIX.
No séculos XVIII e XIX aplicavam-se assim conhecimentos empíricos, que mais tarde viriam a ser estudados, sobre a forma como o feitio de um copo influência o seu consumo. Não é por acaso que as “flutes” de champanhe vieram substituir as taças de champanhe de copa larga que se usaram até há pouco mais de uma década. É que com as novas flutes se bebe menos champanhe.
A mente humana tem tendência a ver nos copos altos e estreitos menos quantidade quando comparados com copos baixos, ainda que largos. Foi isto que um estudo feito por Brian Wansink, professor americano na Universidade de Cornell, e investigador sobre os hábitos de consumo e em ciência nutricional descobriu, publicou no British Medical Journal (1): qualquer pessoa tem tendência a deitar maior quantidade de bebida num copo pequeno do que num copo alto.
Para terminar gostaria de dizer que este tipo de copo semelhante ao “penny lick” apresentado existiu também em Portugal. A prová-lo este exemplar que me foi oferecido por um amigo. Era usado em casa do anterior proprietário para pregar partidas às visitas, quando ofereciam licores ou outras bebidas alcoólicas. Encontrei um modelo semelhante no «Catálogo elaborado em 1901 pertencente à Companhia da Nacional e Nova Fábrica de Vidros» (2). Tem o nº 10 e é descrito como «cálice grosso para licor». Nesse ponto ficamos esclarecidos. Mas como o copo data do século XIX não sei se terá tido outro uso anteriormente. O que quero dizer com isto é que desconheço se foi usado para gelado.
Bibliografia:
1 - Brian Wansink and Koert van Ittersum, "Shape of Glass and Amount of Alcohol Poured: Comparative Study of Effect of Practice and Concentration”, British Medical Journal, 2005, 331:7531
2 - Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande. II centenário 1769-1969. Quadros LV e LVI.


Não é a primeira vez que a minha amiga Sofia, do blog 



Quando pela primeira vez tive a possibilidade de aí ficar, foi para mim a concretização de um sonho. Gosto de hotéis com história e este tem seguramente uma longa história, rica de detalhes.
Quatro anos depois o primo de Waldorf construiu, junto a este, um hotel de 17 andares chamado Hotel Astoria. Este primo viria a morrer no desastre do Titanic, em 1912, a que se seguiu a morte de Waldorf em 1919. Apesar de todo o luxo o progresso da vida moderna não o poupou. Em 1929 o Waldorf-Astoria fechava para ser destruído e dar lugar à construção do Empire State Building. 
Mas no dia 1 de Outubro de 1931 abria um novo Waldorf=Astoria, no local onde agora se encontra, isto é, entre a Park Avenue e a Lexigton. Era nessa data um moderno hotel com características Art Deco, projecto dos arquitectos Schultze e Weaver. Um hotel de luxo, mítico, que serviu de cenário a vários filmes o mais conhecido dos quais o “Fim de Semana no Waldorf”, com Ginger Rogers.
O hotel tem sido palco de luxuosas festas e por ele passaram os principais nomes da realeza, da sociedade internacional, bem como os mais proeminentes políticos mundiais. Para além disso o hotel foi sempre usado como base de actividades para promover eventos de empresas e pessoas consideradas importantes. Ainda hoje, num pequeno corredor perto da recepção, algumas montras, transformadas em museu, mostram-nos fotos de várias pessoas famosas como Julia Child ou o Duque de Windsor e sua mulher. Entre os nomes da realeza referimos a princesa Eulália da Espanha, o Principe do Sião, o principe Henrique da Prússia, entre outros.
Em Outubro de 1942 o Walforf=Astoria foi adquirido por Conrad Hilton e em 2006 passou para as mãos da empresa Hotel Hilton, mantendo sempre o seu nome e características. Apesar dos seus quartos pequenos para os conceitos actuais, o Hotel mantém todo o seu charme incial. Percorrer os seus corredores e salões ou sentar-se calmamente no hall a assistir ao movimento, mantém-se um prazer.