Não teria muito a acrescentar, depois dos múltiplos comentários que o foram completando, se não me tivesse deparado com um lote de partituras de música, duas das quais relativas ao pirolito.
Trata-se de um partitura para piano de que passo a transcrever a inacreditável letra.
É de laranja, é de morango,
Sabe a ananás, sabe a limão,
O pirolito bem pobresito,
Q’era o champagne a meio tostão!
A garrafinha tem no gargalo
Uma bolinha
Que dá um estalo.
Algo gasoso,
Não espumoso
Espirra quando a rolha cai
E faz assim: pff... lá vai!
Ai pirolito que és tão bonito
Mas teu sabor não vai além d’água choca!
Era droguista cabeça oca
Quem t’ inventou e temperou tão à matroca.
Desde o bufete da filarmónica
Até às bancas dos arraiais,
P’lo tempo calmo, lá nas aldeias
Deste licor é que há mais.
Dantes havia, pai do filhinho,
A limonada do cavalinho,
Nada gasosa nem espumosa,
C’um canudinho aboiar
P’ró comprador (pff...) chupar.
Ai pirolito, etc.
A segunda partitura para piano e canto tem letra de Pedro Bandeira e Álvaro Leal e música de Raul Ferrão. Trata-se da canção «A Cantarinha», one step da revista «Pirolito», uma criação da actriz Filomena Lima.Este tema fazia parte dos grandes sucessos do “Salão Foz”. Trata-se de uma referência ao pequeno cinema situado na parte lateral do Palácio Foz. Tinha sido inaugurado em 1907 e funcionou até 29 de Fevereiro de 1929, tendo sido destruído por um incêndio. Pertencia a Raul Lopes Freire, importador e distribuidor de filmes, que anteriormente já tinha tido um animatógrafo na Rua Nova do Almada, chamado "Salão Chiado", e que encerrou em meados de 1908.
A menção à revista «Pirolito» como se tratando de um sucesso do “Salão Foz” mostra que, para além de cinema, havia nesse local também outro tipo de representações.
Apesar de lhes apresentar as duas partituras juntas penso que não havia qualquer relação entre elas.
O interessante é que se trata de duas expressões musicais sobre o mesmo tema, o pirolito, que servem para demonstrar a popularidade que esta bebida tinha na época.
Mas o significado desta expressão como serviço de mesa, em hotéis e restaurantes, no século XIX, era diferente. Não tendo podido encontrar qualquer definição exacta deixo a minha interpretação. Tratava-se de um serviço de mesa com hora fixa e em que as pessoas chegavam e comiam a ementa pré-estabelecida. Não havia possibilidade de escolha e o preço era também fixo. Nesta época o serviço era à francesa e apenas no Hotel do João da Matta encontrei referência à «mesa redonda à russiana».
Neste época de desaires empresariais a Silampos conta-nos uma história de sucesso, com um fim feliz, tal como a história da linda Carochinha e do João Ratão, de que deixo o anúncio televisivo para recordar.
