Foi uma surpresa a descoberta de um sabão Tarzam de que nunca tinha ouvido falar. O sabão Tarzam é uma versão portuguesa linguística de "Tarzan" e, ao mesmo tempo, uma interpretação nacional do “Monkey Brand Soap”.O sabão «Monkey Brand» foi comercializado em 1899 por Sidney e Henri Gross que venderam a patente à Lever Brothers, que o comercializou nos Estados Unidos e em Inglaterra.
A sua publicidade ficou famosa por várias razões: a primeira porque anunciava o mais maravilhoso produto de limpeza e abrilhantador, a que se seguia sempre a referência «não serve para lavar roupa» e a segunda porque usou na sua publicidade a imagem de um macaco.
O macaco tinha contudo características humanas e apresentava-se quase sempre vestido. Uma das suas funções era evitar, na publicidade, a imagem da mulher no trabalho doméstico numa época, final do século XIX, em que um grande número de mulheres tinham optado pelo trabalho remunerado (ex: fábricas). Começava também a escassear o pessoal doméstico e a utilização do macaco humanizado, que foi já objecto de estudo em publicidade, permitia usar uma figura híbrida que estabelecia uma evolução de um elemento vindo da natureza para um meio cultural. O macaco transformou-se assim num símbolo do progresso industrial.
Em Portugal o mais conhecido produto dentro deste conceito foi o chamado "Sabão Macaco", que penso ser mais tardio que o sabão apresentado, e que não servia para o mesmo fim.Existiu também um «Sabão Chimpanzé», produzido pelos Produtos Etelva, de E. Gameiro, de que nada consegui saber.

Prospecto da inauguração do filme «King Kong» em França
O sabão Tarzam apresenta um desenho de um animal simiesco que se assemelha ao King Kong. Designa-se a si mesmo o «Às dos sabões domésticos para Polir e Limpar». Numa das faces identifica-se como «limpa metais» e nas instruções para uso diz servir para limpeza de vidros ou dar brilho a metais. Não é referido mas, tal como o “Monkey Brand Soap”, podia acrescentar que não servia para lavar roupa, sendo nesse sentido distinto do conhecido sabão macaco.
Foi à utilização destes sabões no meio doméstico, que constituía também o local de aceitação das novelas, que levou a que estas se passassem a designar por “soap” (sabão).


Chamaram-me sobretudo à atenção as imagens da cozinha e refeitório do Convento de Santa Helena do Calvário. Esta foi uma casa religiosa da Ordem de Santa Clara, fundada em 1565, por iniciativa da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. Era uma ordem pobre em que as freiras tinham por vezes dificuldades alimentares. De tal modo que utilizavam o chamado “Sino da Fome”, que faziam tocar quando os alimentos escasseavam. Alertadas as pessoas caridosas vinham trazer-lhes mantimentos.
A doceira do Convento
Aqui lhes deixo as gravuras da cozinha conventual e a história do Pão de Rala, tal como chegou aos nossos dias.
O meu amigo Zé Rosa, que é daquela região, disse-me que a mãe dele fazia esta salada com pêssegos rosa e com vinho tinto. Mas este hábito do vinho tinto perdeu-se e hoje faz-se com vinho branco.
No “Livro de Cozinha” da Infanta D. Maria, neta do rei de D. Manuel I, com receitas do século XV, aparece já a receita da pessegada. É um doce cozinhado, semelhante à marmelada, em que aos pêssegos se adiciona marmelo e assúcar fazendo uma pasta. É portanto uma conserva de fruta.


Quanto à caixa de Banacao, cuja lata foi fabricada na Viúva Ferrão, Lda ., em Lisboa, transmite-nos várias informações. A primeira surpresa foi a de constatar que o desenho da mesma se encontra assinado «Emmerico». Trata-se de Emmerico Nunes (1888-1968), um dos precursores da banda desenhada em Portugal, com múltiplos trabalhos publicados em que o aspecto humorístico era sempre realçado. Foi responsável pela publicidade da Vaccum Oil, até cerca de 1931.
Neste desenho pode ver-se uma menina a beber por uma chávena o produto Banacao, observada de perto por um macaco que come uma banana, enquanto com a outra mão se agarra ao cacho de bananas, colocado sobre a mesa.

Para uma Hematologista, como eu, em que a medula óssea só é utilizada para transplantes, esta forma oral de ingestão é fascinante.
Modernamente a receita mais conhecida é a de “osso buco” em que a carne é apresentada num corte que atinge o tutano do osso. Por vezes é acompanhado de risotto milanês, em que o arroz Carnaroli é enriquecido com tutano.

Época: Anos 50.
Origem: Nova York, USA .
Nº inventário: 732
Notas:
Segue-se a imagem da mulher moderna que parte, com um martelo, o antigo fogareiro de barro « que já não se usa».
Uma outra imagem mostra-nos uma mulher moderna, de cabelo curto e vestido de modelo arrojado, que usa o fogão a petróleo porque: «o seu preço é insignificante e é portátil simples, rápido e asseado».
As duas últimas imagens transportam-nos já para um ambiente mais sofisticado e intimista.
E por último, o casal, no conforto do seu lar, sentado num sofá na sala, aguarda que o chá aqueça.
É uma história em que se enaltecem as virtudes do fogão, mas recomendando sempre a utilização do petróleo Sunflower que, aparece discretamente nalgumas das imagens com a flor do girassol, ostentada num calendário pendurado na parede, para reforçar a mensagem.
Um exemplo de boa publicidade.