segunda-feira, 17 de maio de 2010

Portel: pequenas casas, grandes chaminés

Numa visita rápida a Portel aproveitei para tirar fotografias de algumas chaminés, "tipo de caça” a que me dedico desde há alguns anos.
Os ingleses preferem a observação dos pássaros com binóculos (birdwatching). Em Portugal, embora essa ideia se tenha vindo a divulgar, o tiro às aves continua a ser o preferido.
Ganhei este hábito desde que comecei a investigar cozinhas e chaminés para o meu primeiro livro sobre o tema. Como tenho pronto, mas não publicado, um segundo livro sobre este tema, agora dedicado às cozinhas populares, não consegui ainda parar.
Aqui lhes deixo algumas imagens de chaminés, a maioria de escuta, assim chamadas porque permitiam aos habitantes das casas ouvir as conversas na rua quando se aproximavam da chaminé. Uma grande maioria traduz-se por uma saliência no plano da fachada. Sempre de grandes dimensões, apresentam uma forma paralelipídica truncada, com a extremidade superior com orifícios de saída de fumo laterais, situadas em cada uma das faces mais compridas do rectângulo. Nalgumas delas podem-se observar-se pequenas cantarinhas de barro, decorativas, nas duas extremidades.
Correspondem interiormente a uma lareira, igualmente de grandes dimensões, situada na habitação exterior, e localizam-se imediatamente junto à porta de entrada.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A crítica de Rafael Bordalo Pinheiro

Quando vejo aquelas salsichas muito encarnadas penso sempre que foram pintadas.

Rafael Bordalo Pinheiro achava o mesmo em 1900.

Era então uma novidade. Uma «Arte novissima», a anilina ao serviço da carne de porco.

Publicado na "Paródia", no nº2 de 1900.

Na capa do primeiro número podia ver-se "A política: a grande Porca", igualmente muito actual no momento em que vivemos.

sábado, 8 de maio de 2010

O Licor Beirão ontem e hoje

Tenho por hábito ver os postais publicitários colocados nos restaurantes e cafés. Já fazia isso no estrangeiro e agora, que também já são frequentes em Portugal, faço o mesmo.
Uma grande maioria não me diz nada, há alguns que me deixam espantada e outros, em especial os de “comidas e bebidas” fazem as minhas delícias. Selecciono estes últimos e penso sempre que posso um dia vir a utilizá-los. Ainda não tinha acontecido.
Há dois dias entrei numa casa para tomar um café e, ao sair vi num escaparate vários desses postais. Entre eles encontravam-se dois de publicidade ao Licor Beirão.
Um deles reproduzia uma majorette americana vestida de encarnado, com um curtos calções e um blusa ainda mais curta que, segundo uma entrevista dada pelo fundador da fábrica[1], o senhor José Carranca Redondo (1916-2005), causou na altura grande escândalo. Estava-se em 1951 e a moral então existente achou a imagem demasiado escandalosa, por pouco vestida. As letras LB, na blusa e no megafone da jovem eram a única ligação ao Licor Beirão. A legenda dizia «É de bom gosto servi-lo... É de bom gosto bebê-lo...». A publicidade é que não era de bom gosto, ao contrário de todas as outras que a empresa, grande precursora das técnicas publicitárias, veio a utilizar.

A história do Licor Beirão pode ser consultada no site da própria empresa ou no da Câmara da Lousã, mas vou resumi-la rapidamente.

Nos finais do século XIX, a Farmácia Serrano, na Lousã produzia uma bebida, tipo licor, com várias ervas (funcho, erva-doce, orégãos, etc) e que era vendida como bebida medicinal.

Luís de Pinho um caixeiro-viajante, que vendia vinho do Porto, após ter casado com a filha do farmacêutico, decidiu comercializar a bebida num local separado da farmácia. O licor, após o Congresso Beirão, que teve lugar em 1929, passou a chamar-se Licor Beirão. Foi para essa empresa, a Lousanense, que foi trabalhar José Carranca Redondo, vindo posteriormente a adquiri-la, em 1940, quando Luís Pinho faleceu.

Carranca Redondo teve, desde o início, uma percepção da importância da publicidade, notável para a época.

Se bem que o mais conhecido cartaz publicitário desta bebida seja o que inclui uma placa de madeira com a palavra Licor Beirão, sobre a qual repousa um pequeno pássaro, frente a uma paisagem calma, feito em cartão ou em azulejos, espalhados por Portugal, muitas outras surgiram.
O anúncio feito para televisão, interpretado pelo cantor romântico Tony de Matos, é um momento a recordar com prazer e pode ser visto no youtube ou em vários blogues.
E chegamos agora ao segundo postal que recolhi e que se trata de um anúncio sobre um concurso de design Licor Beirão. Com a imagem tradicional da placa de madeira em várias cores, num grafismo tipo Andy Wharhol, segue as pisadas do fundador da casa e procura manter vivo o imaginário da bebida, agora renovada pela nova geração herdeira.
E para finalizar, deixo a imagem de dois suportes de guardanapo, dos anos 60-70, da minha colecção e que aguardavam um momento para serem apresentados.
Distribuídos por bares e cafés, tinham a mesma missão que sempre guiou o seu fundador: a de divulgar a imagem da bebida e colá-la à ideia de Licor de Portugal.
[1] “Diário de Notícias”, 17 de Junho de 1998.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Museu Virtual: Escalfador de ovos

Nome: Escalfador de ovos

Descrição: Objecto em metal, de secção oval (pode também ser circular), com uma placa interior móvel, com orifícios destinados a colocar os ovos. No centro da placa encontra-se uma haste vertical com um pé, que permite introduzir e retirar os ovos da água quente, onde são imersos.

Material: folha de Flandres pintada.

Época: Século XIX

Marcas: Não tem.
Origem: Oferta da minha amiga Graça Pericão (Coimbra)

Grupo a que pertence: Equipamento culinário

Função Geral: Recipiente para cozimento de alimentos

Função Específica: Cozer ou escalfar ovos

Nº inventário: 728

Outros exemplos: Utensílio eléctrico para o mesmo fim.
Nota: observei um semelhante, pintado, na Casa de Foz de Arouce, Lousã, Coimbra. O Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães possui um exemplar idêntico, em prata, do século XIX.

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Shaken not stirred". O Vodka Martini de James Bond

“Agitado e não mexido” era a frase utilizada por James Bond para explicar de forma sucinta as suas preferências no que respeitava ao Martini.

O famoso agente 007 utilizou esta expressão pela primeira vez no filme «Os diamantes são para sempre», em 1956, e voltou a utilizá-la posteriormente noutros filmes.

Ainda hoje, em alguns bares, um Martini agitado no “shaker” é conhecido por Martini à James Bond ou 007.

É provável que esta preferência de James Bond se devesse ao facto de apreciar a bebida bem gelada, mas esta forma de apresentação nunca foi consensual e há quem pense precisamente o contrário. Como em tudo na vida.

Entretanto, para recordar essa frase, na sequência lógica do post anterior, aqui fica um apanhado dos momentos em que James Bond expressou a sua preferência.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Objecto Mistério Nº 16 - Resposta: Vareta misturadora para cocktail

Os objectos mostrados são constituídos por um conjunto de seis varetas misturadoras para cocktail.
O mais interessante é que as mesmas têm uma base de apoio em metal e madeira que permite colocar as varetas após a sua utilização, evitando assim manchar a mesa. E para impedir que a vareta rode, e saia da colher, cada uma delas tem um dispositivo magnético que a faz aderir à base. A sua forma e o desenho da caixa sugerem que são dos anos 20-30. Não estão identificadas e foram adquiridas em Amesterdão. As suas dimensões pequenas (10 cm) mostram que eram usadas em copos de cocktail também designados por copos de Martini. A sua forma é cónica e leva cerca de 250 ml de líquido. Assenta num pé alto, que permite segurar a bebida e evitar que esta aqueça e este, por sua vez, assenta numa base achatada.
Para a realização de cocktails usam-se mais frequentemente os copos misturadores (shakers), onde se introduzem os vários tipos de bebidas, ou sumos, que se pretendem misturar e os cubos de gelo. Agitam-se e passam-se por um coador (straine) ou, nos casos em que o copo misturador tem coador, utiliza-se este.
O Martini é servido do mesmo modo, mas há quem o prefira apenas mexido. Nesse caso usa-se uma vareta misturadora. No entanto as coisas complicam-se quando os copos misturadores têm no seu interior uma vareta misturadora. Nesse caso não é necessário agitar o copo mas apenas carregar no botão.
Mostro-lhes um exemplo de um copo misturador, em vidro, embora os profissionais os utilizem habitualmente em metal.
Este “shaker” é de origem japonesa, provavelmente dos anos 70, com desenhos de automóveis antigos a preto e tem no seu interior uma vareta que funciona com uma pilha na extremidade. Carrega-se na tampa e o contacto com a vareta põe esta em funcionamento. A minha maior dificuldade foi tentar utilizar os termos correctos relacionados com os acessórios de cocktail em português, o que é sempre uma das minhas preocupações. Optei pela "vareta misturadora", mas estou pronta a reconhecer que existe algum termo mais adequado, se algum especialista na área achar que me deve corrigir.