quarta-feira, 5 de maio de 2010

Museu Virtual: Escalfador de ovos

Nome: Escalfador de ovos

Descrição: Objecto em metal, de secção oval (pode também ser circular), com uma placa interior móvel, com orifícios destinados a colocar os ovos. No centro da placa encontra-se uma haste vertical com um pé, que permite introduzir e retirar os ovos da água quente, onde são imersos.

Material: folha de Flandres pintada.

Época: Século XIX

Marcas: Não tem.
Origem: Oferta da minha amiga Graça Pericão (Coimbra)

Grupo a que pertence: Equipamento culinário

Função Geral: Recipiente para cozimento de alimentos

Função Específica: Cozer ou escalfar ovos

Nº inventário: 728

Outros exemplos: Utensílio eléctrico para o mesmo fim.
Nota: observei um semelhante, pintado, na Casa de Foz de Arouce, Lousã, Coimbra. O Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães possui um exemplar idêntico, em prata, do século XIX.

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Shaken not stirred". O Vodka Martini de James Bond

“Agitado e não mexido” era a frase utilizada por James Bond para explicar de forma sucinta as suas preferências no que respeitava ao Martini.

O famoso agente 007 utilizou esta expressão pela primeira vez no filme «Os diamantes são para sempre», em 1956, e voltou a utilizá-la posteriormente noutros filmes.

Ainda hoje, em alguns bares, um Martini agitado no “shaker” é conhecido por Martini à James Bond ou 007.

É provável que esta preferência de James Bond se devesse ao facto de apreciar a bebida bem gelada, mas esta forma de apresentação nunca foi consensual e há quem pense precisamente o contrário. Como em tudo na vida.

Entretanto, para recordar essa frase, na sequência lógica do post anterior, aqui fica um apanhado dos momentos em que James Bond expressou a sua preferência.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Objecto Mistério Nº 16 - Resposta: Vareta misturadora para cocktail

Os objectos mostrados são constituídos por um conjunto de seis varetas misturadoras para cocktail.
O mais interessante é que as mesmas têm uma base de apoio em metal e madeira que permite colocar as varetas após a sua utilização, evitando assim manchar a mesa. E para impedir que a vareta rode, e saia da colher, cada uma delas tem um dispositivo magnético que a faz aderir à base. A sua forma e o desenho da caixa sugerem que são dos anos 20-30. Não estão identificadas e foram adquiridas em Amesterdão. As suas dimensões pequenas (10 cm) mostram que eram usadas em copos de cocktail também designados por copos de Martini. A sua forma é cónica e leva cerca de 250 ml de líquido. Assenta num pé alto, que permite segurar a bebida e evitar que esta aqueça e este, por sua vez, assenta numa base achatada.
Para a realização de cocktails usam-se mais frequentemente os copos misturadores (shakers), onde se introduzem os vários tipos de bebidas, ou sumos, que se pretendem misturar e os cubos de gelo. Agitam-se e passam-se por um coador (straine) ou, nos casos em que o copo misturador tem coador, utiliza-se este.
O Martini é servido do mesmo modo, mas há quem o prefira apenas mexido. Nesse caso usa-se uma vareta misturadora. No entanto as coisas complicam-se quando os copos misturadores têm no seu interior uma vareta misturadora. Nesse caso não é necessário agitar o copo mas apenas carregar no botão.
Mostro-lhes um exemplo de um copo misturador, em vidro, embora os profissionais os utilizem habitualmente em metal.
Este “shaker” é de origem japonesa, provavelmente dos anos 70, com desenhos de automóveis antigos a preto e tem no seu interior uma vareta que funciona com uma pilha na extremidade. Carrega-se na tampa e o contacto com a vareta põe esta em funcionamento. A minha maior dificuldade foi tentar utilizar os termos correctos relacionados com os acessórios de cocktail em português, o que é sempre uma das minhas preocupações. Optei pela "vareta misturadora", mas estou pronta a reconhecer que existe algum termo mais adequado, se algum especialista na área achar que me deve corrigir.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Objecto Mistério Nº 16

O objecto mistério que apresentamos é um conjunto de 6 objectos idênticos, acondicionados em caixa de papelão forrada de papel.

Cada um dos conjuntos tem uma dimensão de cerca de 10 centímetros.

Datam da época de 1920-30.

Não me é possível adicionar mais nenhuma informação, sob o risco de tornar demasiado fácil este desafio.

De que se trata?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma caixa de CUTELARIAS CASTELO

Ao mexer em caixas encontrei esta bela embalagem de talheres. Com um grafismo de características nacionalistas deve corresponder à primeira metade do século XX.

Não consegui obter qualquer informação sobre a "Fábrica Castelo" de Guimarães, apesar das iniciais SM.
Como a achei muito interessante aqui ficam as imagens, na esperança de que alguém tenha alguma informação sobre a mesma.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Tratado Completo de Cozinha e de Copa de Bento da Maia

Um dos livros mais interessantes de culinária do início do século XX é o “Tratado Completo de Cozinha e de Copa".
Identificado como sendo da autoria de Carlos Bento da Maia, trata-se na verdade de um pseudónimo de Carlos Bandeira de Melo. A primeira edição data de 1903 e foi feita em fascículos semanais.
Foi precisamente o facto de ter chegado às minhas mãos o folheto publicitário de divulgação prévia da obra que me entusiasmou a escrever sobre ele.
Carlos Bento da Maia é identificado como sendo o autor de “Elementos D’Arte Culinária”, obra que desconheço por completo. Este livro é descrito como um «pequenino e modesto volume que o público acolheu com extraordinário favor, esgotando em curto prazo uma edição de alguns milhares de volumes». Poderá tratar-se da mesma obra que mais tarde foi publicada pela Guimarães & Cª Editores e de que possuo apenas a edição de 1982?.
A primeira edição é normalmente referida como sendo de 1904, mas penso que esta é a primeira edição em forma de livro, após a publicação em fascículos «para que fique ao alcance das bolsas menos abastadas». Cada fascículo semanal de 16 páginas custava 40 réis. Cada um destes fascículos tinha uma capilha com uma gravura de cozinha diferente da que aparece depois no livro. É a representação de uma cozinha mais antiga, com quatro criadas em várias funções, substituída depois por uma gravura em que se observa apenas uma criada jovem frente a uma chaminé e com uma mesa de cozinha central. A estas edições, consideradas como primeiras, segue-se uma segunda edição em 1921, ampliada, e uma nova edição em 1947. Contudo algumas publicações não têm data o que dificulta a identificação. Modernamente surgiram novas edições em 1975, 1982 e em 1995, esta última considerada como 2º edição pela D. Quixote.

Mas quem era Carlos Bandeira de Melo? Os próprios editores referiam que o nome de Carlos Bento da Maia encobria um nome ilustre. Tratava-se do general Bandeira de Melo que esteve à frente do Asilo da Ajuda.
O Asilo da Ajuda era uma «Sociedade protectora dos órfãos desvalidos das vítimas da cholera morbus em 1855 e da febre amarela em 1857» (ANTT, Arquivo Burnay, Correspondência, cx.35, nº18) e esteve sob a protecção da Rainha Maria Pia.
Bandeira de Melo foi um dos seus directores (Alfredo Alves. Asilos femininos. II. Anais..., 1913, 7-8, 246-7).
No final do século XIX e início do século XX existia uma grande preocupação com a necessidade de implementar a educação popular. Foi assim que surgiu a Universidade Popular, cursos de formação variados e também várias publicações educativas.

Em escolas especiais, como foi o caso do Asilo da Ajuda, o ensino das donas de casas foi considerado modelar. Estes conceitos estavam também integrados nas preocupações com a Economia Doméstica que dava os seus primeiros passos em Portugal.
Na pessoa do General Bandeira de Melo concretizou-se a melhor forma de ensino.
Como afirmou Alfredo Alves, tratava-se de «uma alta competência no assunto; os seus livros de cozinha e de corte publicados com o pseudónimo de Carlos Bento da Maia dão-lhe um lugar de destaque entre as pessoas que se têm dedicado ao ensino doméstico». Referia-se aqui a uma outra obra sua, o «Tratado Elementar de risco e corte de roupa. O mais completo, rigoroso e prático publicado em Portugal».
Mas aquilo que mais se evidenciava na sua obra era «a paixão pela vulgarização dos conhecimentos de utilização imediata, tornando-o assim um verdadeiro apóstolo da educação da mulher do povo».
Dito isto, falaremos sobre a obra numa outra oportunidade.