A resposta correcta para este objecto mistério é prensa para frutos e desta vez houve respostas certas ou muito aproximadas.E digo aproximadas porque não se destinavam a qualquer tipo de fruta mas sim a objectos em baga como as uvas ou, em países como a França, as groselhas ou outros semelhantes.
Estes objectos podem ser em madeira ou em metal e são formados por um receptáculo fixo metálico, de secção circular ou quadrada, de paredes perfuradas, onde penetra um pilão accionado por uma manivela.O sumo é recolhido numa base fixa, que tem um bico para drenagem.
Existem também pequenas prensas para mel e para queijo que se podem confundir com estas*.
Este outro exemplar de prensa para fruta, que apresentamos, tem uma base diferente amovível. Falta-lhe o copo perfurado para receber os frutos.
A sua função mais habitual em Portugal era para fazer sumo de uvas para beber. É possível que também fosse usado para recolher o sumo de uvas, o mosto, para fazer jeropiga, uma vez que esta é feita com a adição de mosto com aguardente, em proporções variáveis. No entanto a pequena capacidade do copo perfurado tornam-no pouco prático para esse fim, mesmo para pequenas produções caseiras.*Bibliografia: Objets Civils Domestiques, Paris, 1984.


Os fogões começaram a ser produzidos em 1945 e eram distribuídos juntamente com o livro referido. A publicidade anunciava que o fogão «Cozinhava, assava e era seguro».
A publicidade destes fogões, e a encomenda dos mesmos à Tacoma, esteve a cargo de George Gardner da empresa de publicidade Gardner-Jacobson.
Mas não foi esta a única empresa a produzir fogões eléctricos para crianças. Também a Ohio Art Company, empresa fundada em 1908, produziu fogões «Little Chef» idênticos, nos anos 40-50. Um dos que encontrei à venda na e-bay era cor-de-rosa.
Este exemplar que apresentamos é de origem alemã e foi “descoberto” em Portugal. Tem uma tomada na face posterior e permitia cozer os alimentos. Alguma menina felizarda terá brincado com ele.
O livro data de 1949, mas todas as referências que encontrei na Internet referiam-se a 1950. Só depois percebi porquê. O livro foi reeditado nos Estados Unidos, em 1950, e embora não seja um livro publicitário, passou a ser divulgado porque as receitas executadas pelas crianças que surgiam no livro eram feitas num verdadeiro fogão eléctrico em miniatura, designado «Little Chef».
Na edição americana do livro, na página de copyright, são atribuídos créditos ao “Little Chef”, da empresa Tacoma, embora o nome do fogão não apareça em mais lado nenhum. Embora não tenha tido acesso à edição americana, as duas edições parecem-me em tudo iguais.
Parece assim claro, que a edição inicial, impressa na Austrália e distribuída em Inglaterra, tenha sido subtilmente apropriada pela Tacoma Company, ao constatar que um dos seus produtos se apresentava em tão grande evidência no livro. Se não estou em erro, passou-se aqui um fenómeno contrário ao habitual. Não foi a empresa fabricante do fogão que encomendou o livro como publicidade, mas soube aproveitar, com inteligência, a divulgação de uma obra que ajudaria à venda de milhares de fogões de brincar, como veremos no próximo post.
A grande vantagem do plástico foi sempre a sua versatibilidade e a capacidade de resistência, quando comparada com outros materiais como o vidro e a cerâmica.
Ao olhar para alguns desses objectos ocorreu-me a expressão que usei no título: «plásticos pretensiosos». Chamei-lhes assim porque pretendiam imitar o vidro ou a cerâmica.
Estes objectos a que chamei plásticos pretensiosos são cópias de vidros lapidados e existe uma extensa gama que inclui copos, pratos, compoteiras, caixas, etc. Há ainda outros que semelham a cerâmica.
Apesar do nome que lhes chamei acho-as agora objectos encantadores na sua ingenuidade. Aqui ficam alguns exemplos que fui guardando. Espero que gostem.

A leitura do pacote faz-me crer que iniciou a sua actividade no dia 2 de Janeiro de 1922. Produzia também sopa de tomate, como se encontra escrito na mesma embalagem.
A fábrica viria a fechar no início dos anos 80, após a morte do seu fundador.
As formas aerodinâmicas permitiam uma maior velocidade, razão porque foram inicialmente usadas em objectos móveis, como os comboios e os carros. Mas o simbolismo veio a prevalecer sobre a função principal, pelo que estas formas passaram a ser aplicadas noutros objectos de uso comum, como utensílios de cozinha, de que o ferro eléctrico foi um dos primeiros exemplos, ou em objectos de escritório.
Afiador de lápis desenhado por Raymond Loewy
A época exacta do objecto apresentado é por mim desconhecida. A sua forma aerodinâmica, a preocupação com o design, manifestado em pormenores como a concavidade estriada para o polegar, numa das faces, e a superfície estriada na face oposta, para permitir aos restantes dedos segurar a peça sem escorregar, mostram uma preocupação não só com a forma, mas também com a função.