Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pequeno Guia de Pequenas Recepções

 Em 1964 a Cerveja Sagres, que se apresentava desde 1955 numa garrafa de vidro castanho, bojuda, com o rótulo pirogravado a branco, publicou um pequeno livrinho publicitário.
Pequenos convites sem cerimónia....
O grafismo da obra,  a preto, branco e amarelo, é muito interessante mas as imagens não estão identificadas e não consegui descobrir quem esteve por trás desta pequena obra. 
Depois de jantar.....
O tema lembra o verão e o fácil convívio entre as pessoas, sem ter de esperar por ocasiões especiais. São enumeradas variadas possibilidades de convites despretensiosos mas em que a cerveja, evidentemente, está sempre presente. 
Os homens entre si
Para acompanhar a cerveja sugerem-se bolachas tipo aperitivo, queijo em pedaços, rabanetes, carnes frias variadas, etc. nalgumas ocasiões podem-se apresentar pratos com sanduíches, biscoitos croquetes, salada russa, batatas fritas, amêndoas torradas, etc.
Os jovens divertem-se
É verdade que os convidados podem levar «qualquer coisa»: flores, compotas, bolachas, etc. 
Piquenique....
Os “etcetras” são vários mas concretamente sobre a mesa devem estar várias garrafas de cerveja, na proporção de uma garrafa de cerveja preta para quatro de branca.
Os grelhados são uma festa....
Quanto às ocasiões para estes encontros sem cerimónia são várias: depois de jantar; amigos trazidos pelo marido; jogos de cartas; depois do espectáculo; encontros de jovens; piqueniques; grelhados; festa surpresa; encontros de homens; encontro de amigas; o último copo.
Depois do espectáculo.....
E depois do último copo o repouso merecido e uma boa noite.
O último copo......

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Uma caixa de receitas da Gibson

As caixas com fichas de receitas foram um sistema muito prático de consulta e por isso muito apreciado pelas donas de casa. Possuo algumas portuguesas mas as aqui apresentadas estão escritas em inglês e foram concebidas pela empresa americana Gibson para ajudar as pessoas que adquiriam os seus frigoríficos e que mensalmente recebiam em sua casa novos cartões que deviam ser enviados pelo comerciante que havia vendido o electrodoméstico. 
No dia 15 de cada mês deviam já ter sido recebidas novas receitas e se tal não acontecesse devia ser contactada a loja vendedora ou mesmo a firma mãe. Esta estratégia de marketing facilitava uma ligação entre a firma e o comprador, que no futuro podia dar novos frutos.
Caixa refrigeradora Gibson não eléctrica. Fotografia tirada da internet.
A empresa que ficou conhecida pela marca Gibson começou com duas companhias independentes: a Belding-Hall Company de Joshua Hall, fabricante de caixas frigoríficas que, em 1877, foi para a região de Belding (Michigan) onde era fácil arranjar marceneiros dinamarqueses para fazer as caixas de madeira e uma outra firma competidora e fabricante do mesmo produto, propriedade de Frank Gibson e John Lewis, que haviam iniciado a sua produção no início de 1900.
Em 1908 Frank Gibson comprou a primeira fábrica e tornou-se no principal industrial do ramo no seu tempo. Produziu milhares de caixas frigoríficas que ainda no início dos anos trinta se apresentavam pintadas de verde água e com três portas de cor creme. As portas destinavam-se a ter de um lado os blocos de gelo enquanto na parte inferior se recuperava a água derretida. Quanto à porta maior dava acesso a um espaço com prateleiras onde se colocavam os alimentos para os conservar a baixa temperatura.
Modelo Monounit de 1932 publicitado como «O mais belo frigorífico do Mundo»
Em 1932 começou a produzir frigoríficos eléctricos que no início, dos anos 30 se assemelhavam às caixas frigoríficas, isto é, tinham ainda semelhanças a um móvel de madeira assente em quatro pernas arqueadas. Apresentavam agora uma única porta. Os seus modelos foram-se adaptando ao longo do tempo.
Catálogo Gibson de 1944
Orgulhosamente a empresa dizia que os seus frigoríficos apresentavam algumas inovações com as duas zonas de temperatura diferente, explicada nas instruções e em que, surpreendemente, é referida como sendo mais fria a zona inferior, ao contrário do que hoje acontece; a luz interior que desligava com o encerramento da porta; o primeiro com prateleiras rotativas, e muitas outras inovações. Em 1936 o novo modelo tinha já perdido as pernas, apresentando-se como uma caixa compacta. A novidade era a «prateleira mágica», colocada na parte superior, sobre a qual eram colocadas as cuvetes de gelo e o seu preço era agora relativamente inferior aos preços anteriores, mostrando a disseminação da refrigeração e o início da vulgarização dos frigoríficos nos Estados Unidos.
Pormenor da publicidade aos frigoríficos Gibson nos anos 50. Foto Pinterest
Durante a Segunda Guerra mundial a Gibson fabricou também aviões e carros de assalto para o exército, sem contudo interromper5 a linha de electrodomésticos. Em 1956 foi adquirida pela Hupp Corporation e em 1967 esta juntou-se à White Consolidated Industries. Finalmente, em 1986, foi adquirida pela empresa sueca Electrolux, continuando a produzir electrodomésticos da marca Gibson até hoje.
O modelo que é apresentado com as receitas era designado «Monounit» era já publicitado em 25 de Abril de 1932 no jornal The Gazette, como tendo múltiplas vantagens e um preço de 139,50 doláres, incluindo a instalação. 
Este modelo foi comercializado no Brasil, mas em Portugal apenas encontramos o registo desta marca em 1955, tendo sido publicitado um modelo mais recente pela loja de venda de electrodomésticos «Estabelecimentos Sida», situada na Rua de São Nicolau, em Lisboa.

sábado, 14 de maio de 2016

O moço de recados vai à mercearia chic

Este delicioso anúncio data de 1907 e publicita uma casa de géneros alimentícios, ou de víveres, como também então se dizia, situada na Rua de S. Paulo, 43-47, fazendo esquina para a Travessa dos Remolares, 50-52.

A loja ainda lá está e é desde há cerca de 3-4 anos uma loja de indianos que vende bebidas, frutas e outros produtos de consumo rápido, sobretudo à noite. Antes foi uma loja de electrodomésticos que entretanto se mudou para outro local mais pequeno, quase em frente.
Em 1945 foi uma loja de ferragens designada Rafael Lopes, Ldª, que ainda existia em 1964.

Esta mercearia já não existia em 1921 mas não consegui determinar quando terminou e que tipo de loja lhe sucedeu.
 A loja de víveres de que falamos e que tinha o nome do seu proprietário «Martins & Comandita», já existia em 1877. “Comandita” refere-se a um tipo de sociedade em que um dos sócios apenas entra com o dinheiro, o que significa que quem percebia do ramo de géneros alimentícios seria o Martins, de que desconheço outro nome. 
Encontrei um anúncio no jornal «Diário Illustrado» de 15 de Abril de 1877, ao azeite alentejano do Monte das Flores, que era vendido a 300 réis cada garrafa em vários estabelecimentos de Lisboa e entre eles encontrava-se a loja de Martins & CTA, o que a localiza no século XIX.
O diálogo entre o cozinheiro e o moço de recados é elucidativo. Tratava-se de uma casa de mercearia chic, onde eram vendidas bebidas e comidas finas, como conservas, especiarias, chás e cafés e até patés de foie gras truffés. Isto é: «cem mil iguarias». E o jovem paquete, vestido com farda a rigor e um cesto de palha bem português, concluía: «já não vou a outra casa nem que me matem».
Exageros dos publicitários que neste caso concreto usaram duas imagens, como se pode concluir pelas duas assinaturas de cada um dos lados, que juntaram e que resultou muito bem.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

ABC Illustrado Nestlé

Este raro livro para crianças deve ter sido publicado logo no início do século XX, de acordo com a grafia que apresenta e que não obedece ainda à proposta feita em 1904 por Gonçalves Viana, que viria a ser oficializada em 1911.
Tem contudo todas as características do século XIX, data em que deve ter sido concebido na Suíça e traduzido posteriormente para outras línguas. Numa época de raros livros infantis este era oferta dos proprietários da farinha láctea Nestlé. No prologo é introduzida a ideia de que a vida de uma criança, que no início é constituída por carícias, dádivas, brinquedos e farinha Nestlé, no futuro tem maiores exigências, sendo necessário alicerçar a cultura para a qual contribui este abecedário.
Esta farinha láctea resultava da investigação do farmacêutico alemão Henri Nestlé cuja maior aspiração era solucionar o problema da desnutrição infantil. Grassava na Europa a fome e as crianças apresentavam-se mal alimentadas e em muitos casos corriam o risco de adquirem tuberculose através do leite.
Na segunda metade do século XIX os estudos sobre tuberculose obtiveram grandes progressos. Em 1865 Villemin tinha verificado, pela primeira vez, a capacidade de transmissão da doença para os animais, a partir de material proveniente de humanos e em 1882 Robert Koch identificou o agente infecioso. o Mycobacterium tuberculosis que tomaria o nome do seu descobridor como bacilo de Koch. Só mais tarde, em 1897, Smith conseguiu a diferenciação entre o bacilo humano, o bovino e o aviário.
A Nestlé é uma indústria alimentícia que foi fundada em 1866 e na sua primeira fase foi este leite, sobre a forma de farinha, que Henri Nestlé produziu com o seu nome, designando-o um alimento completo para crianças. Foi com este produto que ganhou dezenas de medalhas em exposições nacionais e internacionais que ostenta na capa posterior deste livro.
Farinha produzida em Portugal pela Soc. de Produtos Lácteos AVANCA para a Nestlé
Em Portugal foi em 1923 que ocorreu a Fundação da Sociedade de Produtos Lácteos, Lda., que tinha como principal sócio o Prof. Egas Moniz. A primeira fábrica portuguesa de leite em pó simples foi fundada em Avanca, no concelho de Estarreja, no distrito de Aveiro. Era nela que eram produzidos os produtos Nestlé que então já eram publicitados como alimentos completos para crianças, adolescentes e pessoas idosas.
Mas à época da edição deste livro a produção era ainda feita exclusivamente em Vevey, na Suíça. Neste abecedário o texto apenas nos remete para descrições directamente relacionadas com a produção, consumo e indicações da farinha alimentícia.
As gravuras, de vários autores, são na maior parte feitas por Harry Rountree (1878–1950) um notável ilustrador nascido na Nova Zelândia mas que em 1901 já se encontrava em Londres. Foi responsável por um número enorme de ilustrações de livros infantis, entre eles, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Foi também reconhecido como ilustrador de cartazes publicitários; trabalhou para a revista Punch e ilustrou livros para adultos como os de Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes.

Por tudo isto, este livro resultou tão bem do ponto de vista gráfico, informativo e publicitário.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Aspirador Electrolux contra inimigos

No Boletim da Legião Portuguesa, de 1941, surgiu um anúncio peculiar ao aspirador Electrolux, que me chamou à atenção. De maiores dimensões que os restantes era dirigido explicitamente ao leitor da revista, designado por «Amigo legionário».
Num tom intimista, com tratamento por tu que não era usual à época, apresenta algum espírito militarista aconselhando a defender-se dos inimigos da saúde que se escondem na própria casa. A mensagem veiculada tem também um sentido higienista aconselhando o aspirador na luta contra os pós e micróbios.
Esta ideia de purificação do ar, ao permitir uma limpeza mais profunda, que hoje nos é estranha era uma das bandeiras da empresa como podemos ver neste anúncio do próprio jornal Electrolux, distribuído nos Estados Unidos na década de 1940. 
E para terminar a análise deste anúncio não posso deixar de chamar à atenção para o facto do texto ser dirigido ao elemento masculino que o não utilizava. Era contudo o período em que o homem oferecia os eléctrodomésticos à sua mulher, juntando o útil ao agradável e tornando esta feliz. Perfeito.

domingo, 20 de março de 2016

Campbell's soup: um lata icónica

No final do século XIX as sopas enlatadas faziam o seu aparecimento comercial. É verdade que foram precedidas pelos trabalhos sobre conservação dos alimentos em vácuo levados a cabo por Nicolas Appert, em França, feitos a aprtir de 1790. Mas então os alimentos apresentavam-se em frascos.
Ladies Home Journal 1923
Em 1810 o inglês Peter Durand registou um novo método de conservação em latas seladas que iria modificar a industria alimentar. Nas décadas seguintes o método chegaria à colónia inglesa australiana e aos Estados Unidos.
Em Portugal a fábrica a vapor de José da Conceição Guerra, fundada em 1894 em Elvas, produzia sopa juliana e afirmava ser então a única em Portugal. Esta firma, mais conhecida pela produção e comercialização de frutas, em especial a ameixa de Elvas, apresentou uma grande variedade de embalagens, mas no que respeita às destinadas a sopa nunca vi nenhuma e desconheço de que material seriam feitas.
Nos Estados Unidos, em 1897, John T. Dorrance, um químico que havia estado na Europa, inventou a sopa condensada para a Companhia de Sopa Campbell, em que após a adição de água era possível obter rapidamente uma sopa. Esta empresa, que também era conhecida de forma abreviada por Campbell's, havia sido fundada um ano antes por Joseph A. Campbell e Abraham Anderson, para produzirem vários tipos de alimentos enlatados. Em 1898 os rótulos das latas, por sugestão de Herberton Williams, passaram a apresentar-se nas cores encarnado e branco que as tornariam famosas.
A publicidade em revistas americanas das décadas seguintes mostram-nos donas de casa felizes a darem essas sopas aos seus filhos, representados com rostos risonhos.
A cultura americana, conhecida pelo pouco apreço pela comida caseira, rapidamente adaptou este produto industrial, a par de muitos outros e transformou-o num sucesso.
 
Na década de 1940 surge uma nova campanha publicitária às sopas Campbell's agora dirigidas a homens, a fazer lembrar-nos aquele anuncio a um bacalhau pré-peparado, vendido em Portugal nos anos 70-80, cuja embalagem dizia «destinado a homens temporariamente sós».
É provável que Andy Warhol fosse um apreciador do paladar das ditas sopas. Era-o pelo menos da estética das suas embalagens. E em 1962 utiliza a representação monótona, repetitiva, mas igualmente variada, das 32 das variedades de sopa existentes e reproduz o conjunto em serigrafia, numa manifestação de pop art. 
Ainda na década de 1960 e nos anos de 1970 retomaria este tema, em cores variadas, que a própria fábrica, com sentido de oportunidade, viria a comercializar mais tarde em edição limitada.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Portugal a Verde e Encarnado

 
Um pequeno folheto turístico sobre Lisboa, sem data, transporta-nos para uma cidade bicromática. Não é só a cidade de Lisboa que se representa em verde e encarnado. Os arredores e em especial a linha de Cascais e os “Estoris”.
 
Apenas um dos desenhos tem a assinatura de Roberto Araújo (Roberto Araújo Pereira, 1908-1969) que foi pintor e ilustrador e que colaborou na Exposição do Mundo Português, presumindo-se que os restantes se lhe podem atribuir igualmente. 
Roberto Araújo foi um dos fundadores da agência de Publicidade Belarte, juntamente com Mário Neves e com o seu irmão Alfredo Araújo Pereira. 
O folheto, escrito em francês, tem publicidade às sardinhas portuguesas e às frutas portuguesas que aqui se mostra, numa época em que o Turismo se ia desenvolvendo.
 

Um poste apenas parcialmente relacionado com a temática deste blogue, mas em que se revela uma beleza gráfica que me seduziu e me deu vontade de partilhar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Um carnaval em Loulé

Nas décadas de 1950-1960 as empresas tinham preocupações com a divulgação dos seus produtos de uma forma completamente diferente da dos nossos dias.
Não existia ainda o marketing mas os comerciantes e fabricantes sabiam que lhes era vantajoso fazer publicidade dos produtos que produziam ou comercializavam. 
Durante mais algumas décadas, e até à mudança da legislação, os brindes aos clientes eram uma constante. Eram gentilezas que serviam para lembrar o nome da firma num período mais prolongado, que ia  para além do acto da compra. Outra forma de o fazer era participando nas actividades locais e este é um desses exemplos.
Em Loulé, provavelmente nos finais da década de 1950, a firma M. Brito da Mana, estabelecida em Loulé e com filial na Quarteira, participou no corso de Carnaval com um carro alegórico onde publicitava a ginja e o licor Eduardino da Casa Cima, da rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, de que era «o único representante no Algarve».
Sobre uma carrinha de caixa aberta, ornamentada com flores de papel, dez jovens vestidos com blusas de seda atiravam aos observadores presentes, possivelmente flores ou rebuçados.
Garrafa antiga e moderna do Licor Eduardino
De cada um dos lados eram publicitados os licores referidos e na traseira da carrinha o nome do depositário. Uma forma de festejo simples, à portuguesa, quando ainda não tínhamos sido invadidos pelo carnaval brasileiro.