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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O restaurante Taínha em Matosinhos

Hoje já não existe e no seu lugar situa-se a Marisqueira Majára. Devia o seu nome ao proprietário José Taínha. 
Começou por ser um restaurante mas depois transformou-se em marisqueira quando o dono decidiu alugar uma outra parte do prédio e estender o espaço, acompanhando uma tendência de consumo de mariscos que entretanto se estendera a outros restaurantes da terra.
Foi neste restaurante que começou por trabalhar Henrique da Silva Torres que, mais tarde, iria abrir a Esplanada Marisqueira, igualmente em Matosinhos e posteriormente outras casas marisqueiras na Póvoa de Varzim.
Em 1960, quando encomendou para oferta aos seus clientes um pequeno livro de gravuras com imagens de Matozinhos, o negócio devia estar próspero.

Com um total de 6 vistas, tipo pequeno postal, mostrava os pontos mais interessantes da terra onde desenvolvia o seu negócio. Mas não se ficou por aqui. Nas traseiras de cada postal podem ler-se os principais pratos que então servia, designados Especialidades da Casa e que aqui mostramos.

O restaurante, situado na Rua Roberto Ivens, 603, tinha também acesso pela Rua do Godinho n. 343, o que sugeriu uma quadra promocional, com que encerrava a vasta ementa.

Nota:
A informação sobre o restaurante é escassa mesmo depois de consultarmos o livro «História da Restauração em Matosinhos (1800-2015)» disponível online.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Boas Festas …diferentes


O cartão de Boas Festas deste ano tem já 55 anos. Está assinado por Elvira Velez (1892-1981), uma artista extremamente simpática e talentosa, que distribuía sorrisos por onde passava. Claro que os mais novos já não se lembram dela, mas se virem um filme da época vão identificá-la rapidamente. 

Foi distribuído durante a representação da revista Na Brasa, que teve lugar no Teatro Capitólio, em 1964, pelos vistos no período do Natal. Dessa revista faziam parte também Maria Dulce, Florbela Queirós e Humberto Madeira.
Aparece aqui pela razão menos provável: trata-se de uma publicidade às sopas e caldos Maggi. Nas mãos, Elvira Velez apresenta várias embalagens de Caldo de Galinha. Talvez a sugerir que a tradicional canja de galinha, que faz parte das ceias de Natal de tantos portugueses, fosse substituída por estes caldos instantâneos. Subtilezas de publicitários!



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O que se passou entre Isabel, Pedrinho, Glaxo, Tótó e Mimi


Este título longo encima um poster publicitário que, ao modo da banda desenhada, conta uma história.
Suspeitei logo do Glaxo, entre os nomes da Isabel e do Pedrinho. Estava cheia de razão. Afinal tinham humanizado a lata de leite. Que o gato se chamasse Mimi e o cão Tótó, ainda vai, apesar de estarmos nos nos 40-50, mas uma lata!.
Mas a história prometia. O Pedrinho não crescia porque o leite da mãe não era bom e o das vacas era tão perigoso! Felizmente a amiga Maria Luiza, mãe do Luizinho foi visitá-la e recomendou-lhe Glaxo. O médico concordou e lá foi a Luiza à farmácia com o Tótó. Ao 3º dia o Pedrinho já estava melhor e pedia mais leite.
Mas não era só o Pedrinho que gostava do leite, também a Mimi e o Tótó se lambiam quando o bebiam. E a Mariquinhas «a irmãzinha maior», que ainda não conhecíamos, também gostava muito e mais feliz ficou quando o Pedrinho já começou a brincar com ela.
No final todos estão contentes, sadios e brincam alegremente. Mas ninguém é tão feliz como a Isabel por ver o seu filho tão formoso graça ao Glaxo, o excelente alimento para bébés.
FIM.
Como eu gosto destas histórias simples!.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Frek o esfregão mágico


O conjunto encontrava-se ainda no seu saco de plástico original, gasto e já sem a transparência inicial. Ligeiramente dobrado foi necessário retirá-lo, submetê-lo a uma atmosfera húmida e endireitá-lo. Um tratamento de luxo para um simples papel publicitário, na realidade a promoção de uma amostra de esfregão de cozinha.
Desconhecia a marca Frek e não encontrei qualquer registo sobre ela. O número de telefone remetia-nos para os anos 60 e efectivamente encontrei no Diário de Governo de 13-12-1967 uma alteração de estatuto, com a entrada de novos sócios, da sociedade fundadora a «Transformadora de arames Ibérica», com sede em Sacavém.
Com o preço de 6,50 escudos o Frek, era «um produto são e higiénico e económico pela sua duração» e anunciava-se o ideal para as baterias de cozinha, louça e outro vasilhame. Era o período áureo dos objectos de cozinha em alumínio que as donas de casa gostavam de mostrar a brilhar, mas os produtores avisavam que só se devia usar com esse fim quando estivesse na «macieza adequada».
Foi um precursor dos esfregões verdes que hoje utilizamos e os promotores escolheram uma imagem do Gato Felix, o gato antropomórfico nascido em 1919, para o promover irradiando alegria ao ver a sua imagem espelhada no fundo brilhante de um fundo de tacho, seguramente de alumínio.
Sinceramente, não posso perceber como este «esfregão mágico», saído da indústria nacional, não teve o sucesso que merecia.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Encontros felizes Nº1


Esta rubrica, que agora inicio, permite-me introduzir objectos ou documentos que nada têm a ver com o tema deste blogue. Como justificação podia dizer que é uma “facada” nas «Garfadas» e ficava logo integrada.
No caso presente trata-se de uma pequena caixinha de papelão que tem lá dentro um par de sapatos e umas meias de criança. Foram usados, embora por pouco tempo, como mostravam os sapatos, mas sobretudo as peúgas que necessitaram de ser lavadas e branqueadas.
A produção de “sapatinhos para crianças de colo e bonecas” era feita em Lisboa por Avelino Veríssimo Barra a que se seguiu a sua viúva. Registou um modelo de sapatinho a que chamou «Calçadinho Bijou Barra» e um modelo de botinhas ou “”botino” infantil. Na época em que a empresa era gerida pela viúva (década de 1960?) situava-se na Praça do Areeiro, 13, 4º Dtº, em Lisboa.
Imagem de postal retirado do blog Ephemera de Pacheco Pereira
É provável que esta produção estivesse anteriormente na Rua da Graça, 130, uma vez que encontrei um anúncio no Século, de 25 de Novembro de 1917, que já se referia ao «Calçadinho-Bijou-chaussure». Era então produzido pela fábrica «La Argentina» que tinha uma sucursal na Rua Augusta, 76 em Lisboa.
O Século, 25-11-1917
Teria A. V. Barra trabalhado nessa fábrica? Ou adquirido a empresa mais tarde? Dado o intervalo de tempo é apenas mera especulação porque não me foi possível coligir mais dados sobre esta produção. Encontrámos contudo na internet uma caixa semelhante à apresentada em que se referia que se tratava de uma produção exclusiva para os Grandes Armazéns do Chiado.
A história fica incompleta, mas ficou o conjunto completo da caixa com os sapatinhos para menino de colo com as suas meinhas, que fazem parte desta história.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Empadas de galinha (especialidade do Alentejo)

Dentro de um livro vinha esta folha dobrada. Pensei tratar-se da receita e comecei a ler entusiasmada. Mas afinal era mais do que isso. Era um folheto de propaganda e divulgação deste produto alimentar, escrito à mão.
Infelizmente a folha está cortada em baixo e não ficamos a saber quem assinava este papel. Trata-se de um folheto muito bem escrito e elucidativo.
Começa por dizer para que tipo de refeição servem as empadas: «Muito prestativas para viagens, lanches de empregadas e colegiais e para piqueniques, pois se podem comer frias e não precisam garfo nem faca».
Depois de algumas considerações sobre as suas vantagens informa-nos que durante anos estas estiveram à venda na Rua da Betesga e na Rua do Ouro, na Leitaria Portugália.
Este estabelecimento foi inaugurado em 1918, situava-se na Rua do Ouro, nº 272 e era propriedade da firma Neto & Leitão, Lda. esta casa tornou-se conhecida por ter sempre disponível doces regionais portugueses.
Mas explica-nos a nossa redactora: «Tendo-se acabado essa leitaria por o dono ter ido para o Brasil, passam elas a ser vendidas ao domicílio», pelo mesmo preço, com vantagem para as freguesas.
Pedia depois a sua divulgação a quem já as apreciasse. As encomendas em grande número para casamentos e baptizados podiam ser feitas na Rua do Carmo 110, mas para tal eram necessários três ou 4 dias de antecedência. Para encomendas particulares recomendava escrever as quantidades e a data em que as desejavam e lá estariam nesse dia.
Uma iniciativa privada de grande valor, no tempo em que não existia telemóvel. Quem me dera que ainda existisse hoje. Para espantar quem acha a Uber Eats moderna.


sábado, 9 de fevereiro de 2019

Brincar às bonecas…com a Nestlé


As bonecas de papel ou cartão recortados foram um presente apreciado para as meninas brincarem. O seu período áureo foi no final do século XIX e início do século XX.
Vinham acompanhadas de vestidos que se colocavam no corpo das bonecas mudando as toiletes. Era mais frequente que tivessem umas pequenas dobras de papel, encaixando nos ombros. Estas contudo apresentam-se com os fatos duplos, isto é, com a parte da frente e a de trás, dobrados, que se metem na cabeça da boneca.
A surpresa foi ao abri-las ter constatado que eram um brinde Nestlé. No interior podem ver-se diferentes tipos de dizeres publicitários referentes a essa marca.
Numa delas há menção às 42 medalhas de ouro e 32 diplomas de honra recebidas na Exposição de Paris de 1900 e à Exposição Internacional de Bruxelas de 1910, onde estiveram presentes os produtos Nestlé. Este dado situa as bonecas nesta época, o início do século XX, o que a estética confirma.
Fizeram a alegria de alguma menina que muito as usou levando mesmo a que a cabeça de uma delas se apresente cosida com linha. É a nossa vez de nos deliciarmos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Audoire, charcutier-traiteur em Paris


O requinte do interior desta loja chamou-me à atenção. Trata-se de um anúncio publicado numa revista francesa de antiguidades «abc decor» de 1968.
Podemos observar uma montra no interior da casa Audoire, charcutier-traiteur, em Paris, que presumo já não exista porque não consegui encontrar qualquer informação na internet.
Na montra, decorada com extremo gosto e cuidado, podemos ver travessas de pequenos salgados, canapés, patés, aspics, assados, etc., que se presumem serem produtos relacionados com a arte de charcutaria. Na realidade o proprietário identifica o seu nome ao ofício de charcutier-traiteur. Procurei encontrar tradução correcta para o português, mas embora tenhamos tido charcutarias finas (estou a lembrar-me dos Três Porquinhos, ao Rato), não corresponde exactamente ao mesmo.
Traiteur ambulante in Costumes de toutes les Pays
Vejamos: existe uma diferença entre restaurateur (“restaurador” no sentido antigo de proprietário de restaurante: o que restaurava as forças) e traiteur. O primeiro, tradicionalmente, serve as refeições no local, a troca de pagamento, enquanto o segundo, embora realize as mesmas funções estabelece um contracto de serviço que lhe permite realizar essas refeições em casa do cliente, numa instituição, ou onde for acordado. Mais modernamente diríamos que é uma pessoa que fornece catering. Na realidade este profissional está preparado para servir, de forma completa um grande número de refeições, mas também prepara iguarias que podem ser encomendadas no local e levadas para casa. Assim é um fornecedor de alimentos mas a que se associa a ideia de delicatessen.
Empregada de Traiteur. Costumes de Ouvriers. In Gallica
No século XIX em França existiam vários tipos de traiteurs, como o traiteur-rôtisseur, que tinham também nos seus estabelecimentos uma table d'hôte. Isto significava que tinham uma mesa com menu fixo para servir clientes, o que acontecia também em Portugal, na mesma época em hotéis e restaurantes.
No caso presente o proprietário era um charcutier-traiteur, o que significa que podia servir no local, ou ao domicílio, produtos relacionados com a charcutaria. No próprio anúncio é exemplificado que, no que respeita ao local, dispunham de: sala, material, roupa de mesa, louça e serviço de vidros.
Book of Buffets, 1968
Publicitavam as suas especialidades que eram as seguintes: terrines de aves, de patos ou de coelho em porcelana d’Auteuil*, mas também o foie-gras, salsichas em brioches e toda a pastelaria. Tinham capacidade para servir pequenos jantares, almoços (lunchs) até 100 pessoas, em especial para festejos de comunhões, baptizados e casamentos.
Poulard á la Godard, Joules Gouffé.
A apresentação das iguarias fazem lembrar as imagens publicadas no livro, The Professional Chef's Book Of Buffets, de 1968, ainda na linha das elegantes construções do século XIX da autoria de Joules Gouffé. Como as apresentações elaboradas de hoje nos parecem simples.

 À frente de quem esteve Jacques Lobjoy que, em 1968, lançou o primeiro serviço de mesa designado Chambord, recuperando imagens do séc. XIX, tal como na série «Caça», com desenhos de Jean Charles François Leloy (1774-1846), que seriam mais provavelmente os escolhidos para a casa Audoire.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O convite de Luís XIV a Molière


 A maior parte das vezes olhamos para as coisas e só vemos uma parte. Isto é, recebemos a mensagem e aceitamo-la como se nos apresenta. É a diferença entre olhar e ver. Este “ver” pressupõe análise.
Foi o que me aconteceu com uns cromos publicitários de chocolate em que se reproduz um almoço do rei Luís XIV com Molière.
François-Jean Garneray.
Os cartões pecam pela incorrecção histórica com a imagem do rei de costas, o rei sentado no lado mais estreito da mesa, ou a presença de copos sobre a mesa, entre outras. 
Mas onde é que os publicitários da época foram buscar a inspiração? No final do século XIX e início do século XX havia um gosto pelo historicismo, com o uso de imagens “à antiga” em cartazes publicitários. Dois dos cartazes de publicidade ao vinho do Porto Rainha Santa, que fazem parte da minha colecção, apresentam essas mesmas características.
Jean Hégesippe Vetter
Mas neste caso concreto a origem é mais remota. A história desta refeição, que provavelmente nunca teve lugar, foi transmitida por Madame Henriette Campan que foi leitora das filhas de Luís XV e a partir de 1774 foi nomeada camareira-mor de Maria Antonieta. Nas suas Memórias, publicadas pela primeira vez em 1822 conta esta história, tal como fora contada por um médico da corte, M. Lafosse, ao seu padrasto.
O pai de Molière era tapeceiro e camareiro na corte. Por sua morte o cargo ficou para o seu irmão Jean. Por morte deste, em 1660, Molière teve que deixar a vida de comediante e exercer o cargo familiar. O seu passado ligado ao teatro fazia com que os restantes camareiros não o aceitassem bem. Sabendo disso, um dia Luís XIV ao tomar a sua refeição matinal ordenou a Molière que se sentasse para comer com ele. Fez então entrar a corte que assistiu à refeição com estupefação, comentando o rei que estava a comer com uma pessoa que os outros camareiros não consideram boa companhia, dando-lhes assim uma lição.
O livro Mémoires de Madame Campan, première femme de chambre de Marie-Antoinette foi um sucesso imediato e teve quatro edições em dois anos. Mas de todas as histórias relatadas esta foi a que foi considerada mais notável, uma vez que humanizava a figura do Rei Sol, lhe tirava a conhecida sobranceria e recompensava o trabalho de Molière.
O sucesso do livro foi seguido por representações imaginadas por vários pintores. Assim, no salão de 1824, podiam-se já admirar duas versões desta refeição: a de Édouard Pingret e a de de François-Jean Garneray. O tema foi retomado posteriormente por Ingres em 1857 e por vários outros pintores, entre os quais Jacques-Edmond Leman, em 1863 e Jean Hégesippe Vetter, em 1864.
Reprodução do quadro de Ingres que desapareceu num incêndio
Vendo agora os quadros, e comparando-os com os cartões publicitários, torna-se claro onde teve origem cada uma destas imagens.
No final, os erros históricos já não podem ser atribuídos aos encarregados de divulgar as marcas de chocolate, mas aos pintores que, no século XIX, imaginaram o cenário deste improvável acontecimento. Molière seguramente que encenaria melhor esta cena.