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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Natal com Chocolates Regina

Durante o ano vou guardando imagens sobre o Natal esperando a época natalícia para as mostrar.
Constato depois que o tempo é pouco para tudo o que há que fazer e não dá para pensar no blog.
Os chocolates eram ofertas raras e sofisticadas destinadas a momentos especiais, que ocuparam nas últimas décadas um espaço importante nos Natal.
Em meados do século passado a Fábrica Regina não perdia a oportunidade de publicitar os seus produtos na época principal de vendas.
A publicidade de 1946 e 1947 na revista «Voga» são um exemplo. O requinte chegava ao ponto de usar artistas internacionais, como Audrey Totter e Lucious Maxwell, artistas da Metro Goldwin Mayer, cujos nomes hoje nada nos dizem.
Em 1950 a Regina, mais à medida das nossas possibilidades, registou a marca «Natal Feliz», para tabletes de chocolate.

Aqui ficam estas imagens como curiosidades natalícias doces antes da vulgarização do chocolate a que chegámos hoje.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um rótulo de «Boas Festas»

O meu cartão de Boas Festas é um rótulo de Vinho do Porto, cuja designação de marca é precisamente «Boas Festas».

Foi uma das marcas comercializadas pela empresa António Pinto dos Santos Júnior & Cª, fundada em 1872, em Vila Nova de Gaia, onde funcionavam como armazenistas de vinhos tintos de mesa, Porto licoroso, Porto velho e Porto Malvasia. Nas primeiras décadas do século XX exportavam para o Brasil vinhos e azeites.
 Nos ano de 1944 o nome desta firma surgia no Anuário Comercial de Portugal como sendo armazenistas e exportadores.
Foi mais tarde vendida ao grupo Barros Almeida, que iniciara a sua actividade em 1913. Em 2006 esta firma, por sua vez, passou a fazer parte do grupo de produção e comercialização de Vinho do Porto designada Sogevinus.

Saúdo o Natal com um Porto velho. Um Feliz Natal para todos

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Natal dos Animais

No Natal de 2009 tentei saber qual a Alimentação do Pai Natal, mas esse assunto revelou-se profundamente misterioso.
Mais sorte tive com este livro que nos mostra o «Natal dos Animais».
Com o titulo em inglês «The Animal’s Merry Christmas», conta 23 histórias de Natal de vários animais humanizados.
Foi publicado em 1950 e o texto é de Kathryn Jackson, que escreveu dezenas de livros infantis, muitos deles publicados nesta série «Golden Books».
 O mais interessante contudo são os desenhos de Richard Scarry (1919-1994) que foi autor e ilustrador de mais de 300 livros, sempre com um enorme sucesso devido aos seus animais antropomórficos.
As crianças adoraravam as histórias com animais, o que lhe permitiu vender um número impressionante de exemplares, mais de 300 milhões de livros, em 30 línguas.
Logo ao abrir a capa salta-nos um Pai Natal em «pop-up», a entrar na chaminé, que ocupa duas páginas.
 Depois começam as histórias profusamente ilustradas com as aventuras dos vários animais.
O que me impressionou no livro, e se adapta bem a este blogue, são as inúmeras imagens que retratam cozinhas onde se confeccionam os pratos natalícios ou as salas onde a família animal se reúne à volta da mesa para a consoada.
Não faltam mesmo os sonhos sobre comida que inevitavelmente incluem outros animais.
 Um livro que é um prazer para os olhos e extremamente informativo para quem tinha dúvidas de como os animais passam o Natal.

domingo, 2 de dezembro de 2012

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz Natal 2011

Para ilustrar os meus votos de Boas Festas publico uma fotografia do meu presépio, feito com figuras simples, em que sobressaem muitas ovelhinhas e que, apesar de igual a todos os outros, eu acho sempre o mais bonito do Mundo.

Desejos de um Feliz Natal para todos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Feira de Natal do Centro de Artes Culinárias

Como informei há alguns dias, prossegue a Feira de Natal do Centro de Artes Culinárias (CAC) no Mercado de Santa Clara, em Lisboa.

Dado ser o primeiro ano que se realiza, e se encontrar pouco divulgada, junto mais alguns pormenores para que possam decidir da vossa visita.

Se ainda não visitaram a Feira de Natal devo dizer-lhes que perderam alguns programas interessantes, mas até dia 23 de Dezembro ainda estão a tempo de fazer uma visita calma. Se já visitaram aproveitem e passem por lá, para assistir a algum dos eventos ou só para comprar uns docinhos para levar, por exemplo, para oferecer quando forem convidados para jantar. Vão surpreender com uns doces menos conhecidos e que serão do agrado de todos.

Aqui ficam algumas das iniciativas.

  • Showcooking”: Guloseimas de Chocolate, por Graça Vasconcellos. Dia 14 Quarta-feira, das 18 às 20 h;
  • Concerto de Natal, pelo Coro Preparatório do Coro Infantil da Universidade de Lisboa, dirigido por Erica Mandilo e acompanhado ao piano por João Lucena e Vale. Quinta 15, 18h30;  .

  • Showcooking”: Filhoses das nossas terras, por doceiras vindas de diferentes regiões do país. Sábado 17, das 15h00 às 17h00; 
  • Ateliê para crianças a partir dos 8 anos: A minha cozinha:  o 1º Ateliê da Michèle, por Michèle Miranda. Sábado 17, das 10h30 às 13h; 
  • Showcooking”: Sabores de alheira, pela Escola de Hotelaria e Turismo de Mirandela. Domingo 18, à tarde; 
  • Ateliê para crianças a partir dos 6 anos – Biscoitos de Natal - ABC: amassar, biscoitar, caixinhar, por Jorge Ribeiro. Segunda 19, das 14h00 às 17h;

  • Showcooking”: Guloseimas de Chocolate e Brownies, por Graça Vasconcellos. Dia 21, Quarta-feira, das 18 às 20 h;

  • Curso de cozinha: Preparar o Peru - do Mercado para a Mesa, onde se aprende a desossar e rechear o peru, por Teresa Pinto Leite . Quinta 22, à tarde.

Para informações mais pormenorizadas consultem o site do CAC que está em Link.


sábado, 3 de dezembro de 2011

O Mercado de Natal da Idade dos Sabores


Começa amanhã, dia 4 e até dia 23 de Dezembro, no Mercado de Santa Clara, o mercado de Natal da Idade dos Sabores.

Vão estar à venda doces tradicionais portugueses, frutos secos e outros produtos que habitualmente se consomem nesta época.
Haverá também venda de alguns objectos antigos relacionados com a cozinha e livros de culinária.

Ao mesmo tempo podem ver uma exposição de utensílios antigos de cozinha, indispensáveis na época natalícia.

Por último, os mais novos terão a oportunidade de ver alguns brinquedos antigos cujo tema é também a cozinha

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Servicinho de luxo em louça

Antigamente os meninos depois do Natal juntavam-se e mostravam as suas prendas.
Penso que já não acontece isso. Em primeiro lugar os meninos já não vão para a rua brincar. Depois, o número de presentes que recebem é tão grande, que já não lhes atribuem o mesmo valor que nós atribuíamos.
Eram presentes especiais porque desejados durante muito tempo e raros.

Lembrei-me disso ao mexer nesta caixa que, por acaso, recebi pouco antes do Natal.
Não tem qualquer marca identificadora na caixa ou na base da louça.
Deve ser portuguesa e datar dos anos 40.
No interior tem um rótulo que diz: «Servicinho de luxo em louça».
Uma doçura que deve ter feito a alegria de uma menina, num Natal distante.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lebkuchen, um bolo típico do Natal alemão

O meu amigo Helmut antes de partir para a Alemanha, para passar o Natal, veio trazer-me umas caixinhas de um bolo típico alemão, chamado «Lebkuchen».

Abrevio a história do Lebkuchen, que data da Idade Média.
Inicialmente um doce conventual, passou a doce comercial constando a sua produção em regimes de ofícios no século XVII. Mas os primeiros registos deste tipo de doce são muito anteriores, variáveis com as cidades, normalmente situadas em rotas de especiarias.
O primeiro registo deste tipo de bolo de Nuremberga data de 1395. Refiro este porque é precisamente do tipo Nuremberga o bolo que lhes apresento. São uns bolos achatados, feitos com farinha, açúcar e ovos, com muitas especiarias como anis, canela, cardamomo, coentros, cravo, gengibre, noz-moscada, pimenta, a que se junta mel e nozes, avelãs ou amêndoas. São decorados com laranja ou limão cristalizados e cobertos com um glacé ligeiro.

A marca aqui apresentada Haeberlein-Metzger vai buscar as suas origens a um confeiteiro de pão de gengibre (lebkuchen), de nome Junkman, que iniciou a sua produção em 1492. Em 1864 Heinrich Haeberlein comprou a padaria e industrializou-a. Quanto a Metzger era já mencionado em 1586. Em 1920 associou-se à empresa Haeberlein. Ambas foram compradas em 1999 por Lambertz GmbH & Co KG, uma empresa de Aachen. Para quem já não se lembra, Aachen é aquela cidade que aprendemos no liceu, que se chamava Aix-la- Chapelle.

Agora que a história se complicou com estas aquisições, tão habituais nos tempos que correm, deixo-vos neste final de Natal, com mais um doce típico desta época. Devem ter todos ainda as mesas cheias com o resto de doces que se fazem, e se consomem, em excesso, nesta época. Ao menos este, como é um bolo virtual, não lhes faz mal. 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Natal com Licor Natal

 
O meu poste natalício comemorativo deste ano é com o anúncio do «Licor Natal».
Em 5 de Setembro de 1932 entrava na Repartição da Propriedade Industrial um pedido da empresa “Salgado & Martins, Lda” para registo da marca «Ginjinha Popular». No ano seguinte, em 27 de Maio de 1933, era passado o Título de Registo do Nome de Ginjinha Popular, firma comercial portuguesa com sede na Rua Eugénio dos Santos, 61.
 
Ainda hoje lá existe o estabelecimento, onde no interior se pode ver um reclame publicitário à casa. Embora mantenha o nome foi transformada em café.
Durante anos a Ginjinha Popular vendeu, para além da ginjinha, vários licores, entre os quais o aqui apresentado «Licor Natal».
Nos anos 60 a casa «Ginjinha Popular» foi comprada pelos proprietários da vizinha «Manteigaria Londrina» e entregue em exploração a dois sócios. A sociedade não correu bem e, nos anos 70, já só restava um dos sócios de nome Adolfo. Foi nos anos 70 que aí foi admitido o sr. Alípio Ramos que me forneceu muitos dos dados que consegui apurar. Hoje é proprietário da Frutaria Bristol, sobre a qual falarei um dia destes.
O sr. Alípio recorda ainda a venda de capilé, groselha e salsaparrilha vendida ao balcão, à caneca, misturada com soda. Nessa altura já não existia o Licor Natal. Embora ainda se vendesse ginginha e outros licores, a produção já não era própria mas adquirida à firma José d’Oliveira Salgado, Lda, que ainda produz a Ginja Rubi.
Interior da Ginjinha Popular vendo-se um dos sócios actuais
 O Licor Natal ganhou um primeiro prémio para licores, isto é, uma Medalha de Ouro, cuja imagem ostentou depois na garrafa, numa exposição Industrial que teve lugar na FIL, em data que não sei precisar (finais dos anos 60?).
É provável que este licor tenha dado a ideia para a realização de um outro licor, neste caso de banana, vendido em garrafa de vidro pintada, com o feitio do Pai Natal. Foi comercializada pela firma Caldeira Ldª, de Lisboa e dela apresento este exemplar que tive a sorte de encontrar.
Um Feliz Natal para todos, mesmo sem Licor Natal

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Natal visto por Maria Keil

Há alguns anos atrás conheci Maria Keil. Não me lembro já como, nem aonde.
Aquela figura aparentemente frágil impressionou-me pela sua modéstia e simplicidade. Talvez tenha sido esta sua faceta que fez com que a sua obra não fosse tão valorizada como devia, apesar dos inúmeros apreciadores que surgem imediatamente quando se refere o seu nome.
Sempre admirei os seus trabalhos, muitos dos quais assinava de forma simples com a palavra «Maria», ou apenas «M».
A pureza e autenticidade do seu traço transportam-nos para um mundo maravilhoso. Tudo é aparentemente simples, mas rigoroso.
Nascida em 1914, tem tido um percurso importante como pintora, desenhadora, designer gráfica, ceramista, etc. Foi autora de desenhos para tapeçaria e para azulejos, de que se salientam os que podemos ver diariamente no Metro de Lisboa ou na Avenida Infante Santo.
Mas hoje, atendendo à época, fui buscar duas das suas obras em que retrata o Natal.

Da primeira apresento algumas ilustrações que fez para o livro de Sofia Mello Breyner Andersen, «A noite de Natal», publicado em 1959, pelas edições Ática.

Este último é um desenho que fez para o número de Natal da Revista «Eva» de 1942.
Uma garfada fora do prato, mas muito saborosa.

PS: A maior parte das ilustrações foram tiradas da exposição «Maria Keil. Ilustradora» que teve lugar em 2004 na Biblioteca Nacional.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A alimentação do Pai Natal: um mistério

Sendo o Pai Natal gordinho seria de imaginar que a sua alimentação fosse abundante.
Decidi procurar que tipos de alimentos comeria para atingir este grau de adiposidade.
Tenho uma colecção grande de postais e comecei por procurar imagens do Pai Natal. Foi sem grande surpresa que constatei que o mesmo é um sacrificado. Farta-se de trabalhar. Começa por ter que ler aquelas cartas todas que os meninos enviam com os seus desejos. Depois deve ter que comprar as prendas. No final tem a árdua tarefa de os distribuir. E não é fácil uma vez que ninguém lhe abre a porta. O desgraçado tem que descer pela chaminé, deixar os presentes, e voltar pelo mesmo caminho. No final seria de prever que teria alguma compensação. Um banquete ou pelo menos uma boa refeição. Mas tal não deve acontecer. Não há imagens do Pai Natal a comer.

Experimentem procurar. À excepção da bebida Coca-Cola, que impulsionou a sua imagem para o nosso quotidiano, não há praticamente representações suas associadas à comida. Procurei na internet com várias palavras e em várias línguas. Não encontrei nada.
Por sorte num dos meus postais vê-se o Pai Natal a confecionar bolos. Devia estar desesperado de fome. Nos restantes é representado sempre a trabalhar com o seu inefável sorriso.

Em conclusão: a alimentação do Pai Natal é um mistério bem guardado. Nada se sabe. Provavelmente o seu ar anafado deve-se à sua alimentação antes do período natalício. Durante este não me parece que tenha tempo para comer.
Uma sugestão para o próximo Natal: porque não deixar uma reforço de iguarias junto à lareira para o compensar? Acho que iria ficar feliz.

Um Bom Natal a todos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

S. Nicolau, a Coca-Cola e os frigoríficos



Confuso? Não!

Pode-se dizer que foi durante o século XIX que a figura de S. Nicolau se transformou em Pai Natal, ou, como é conhecido nos países anglo saxónicos, em Santa Claus, nome que resultou da alteração fonética do alemão Sankt Nikalus e do holandês Sinterklaas.
De acordo com iconografia na posse da Sociedade de S. Nicolau (www.stnicholascenter.org/Brix?pageID=23 , foi pela mão de Alexander Anderson que, em 1810, o santo surgiu representado ainda com as suas vestes de bispo e longas barbas brancas, associado já à dávida de presentes a crianças, colocadas em botinhas na chaminé
Foi ainda durante o século XIX que vários cartunistas americanos iniciaram a sua representação de forma personalizada. Entre estes encontrava-se Thomas Nast, já mencionado no anterior post, que embora o tenha desenhado sobretudo a preto e branco, também o imaginou com vestes encarnadas, por possível sugestão dos paramentos de bispo, da mesma cor. A ele se deve uma forma aproximada da dos nossos dias, sobretudo na associação a presentes, que,nos seus desenho, o rodeiam .
Ainda durante este período as cores das suas vestes variaram entre o púpura, o azul, o amarelo, o verde e até o encarnado, como vimos.

Gravura de Thomas Nast século XIX
Seguiu-se-lhe J. C. Laeyendecker que desenhou muitas das capas do jornal Saturday Evening Post .
Também o famoso Norman Rockwell foi responsável por várias capas do mesmo jornal, na época dos anos 20, apresentando, nos números de Dezembro, uma imagem mais humanizada do santo.

Capa da autoria de Norman Rockwell de 1920

Foi contudo com Haddon Sundblom, um ilustrador americano que trabalhou para a empresa Coca-Cola, que a imagem actual do Pai Natal, vestido de encarnado, gordinho e bonacheirão, se instalou definitivamente. Embora menos famoso que Norman Rockwell a sua intervenção na área do marketing foi muito eficaz e algumas das suas criações permaneceram até aos dias de hoje. Quem não conhece a cara do homem que ainda hoje surge na publicidade da empresa Quaker Oats Company?
Mas embora Sundblom tenha trabalhado como publicitário para outras empresas como a Packard, a Nabisco e a Colgate-Palmolive, foi para a Cola-Cola, para quem começou a colaborar em 1931, que o seu trabalho foi verdadeiramente marcante.

O homem da Quaker Oats cuja cara chegou aos nossos dias
Com a recessão de 1929 as vendas da Coca-Cola, desceram muito. A bebida era então ainda muito associada a um produto medicamentoso. Apresentada até então como uma bebida de verão era necessário relançá-la também como bebida de Inverno. Isto é, transformá-la numa bebida para todo o ano e, dessa forma, aumentar as vendas. Foi esse desafio que Haddon Sundblom enfrentou.
Para o realizar imaginou uma representação do Pai Natal, criada a partir da face de um colega seu já reformado, e conseguiu impô-la como a verdadeira imagem do Pai Natal, descendente de S. Nicolau. Representa-o com vestes encarnadas como o bispo, amigo das crianças como o santo e, como ele, com a possibilidade de dar presentes.
Mas nas primeiras imagens publicitárias, que vão buscar a história da Noite de Véspera da Natal de Clement C. Moore, de que falámos no anterior post, o Pai Natal partilha com a criança uma garrafa de Coca-Cola que retira do frigorífico, cuja luz os ilumina. É Natal e está frio, mas mesmo assim o Pai Natal, cansado da sua actividade laboriosa de distribuir presentes pelas crianças, apetece-lhe uma bebida fresca. Não um chocolate quente ou um chá, mas uma Coca-Cola. E os olhos da criança brilham de alegria. Não são os presentes que lhe dão essa alegria mas a presença do Pai Natal junto de si e a cumplicidade da bebida que se adivinha partilhada.
O resultado foi um sucesso e a mensagem foi repetida de outras formas.
Mas o elemento discreto que acompanha o Pai-Natal e esta publicidade da Coca-Cola, e que nunca foi valorizado, é o frigorífico. No século XIX usavam-se ainda caixas de gelo. O primeiro frigorífico tipo compressor, para uso doméstico, foi comercializado nos Estados Unidos em 1913. Mas nos anos 20-30 começou a produção em massa por acção da General Electric da General Motors. Um grande sucesso iria obter o modelo Monitor Top de 1927 da GE, que apresentava um motor circular, em cima do frigorífico.
Mas os frigoríficos que nos surgem nos anúncios da Coca-Cola são mais tardios e assemelham-se ao modelo desenhado em 1935 por Raymond Loewy, designer francês que se estabeleceu nos Estados Unidos após a guerra, e que desenhou um frigorífico para a Sears, a que chamou Coldspot.

Publicidade de 1947 intitulada «Hospitalidade no seu frigorífico»
Os frigoríficos tiveram um êxito enorme nos Estados Unidos. Nos anos 40 encontravam-se já instalados frigoríficos em cerca de 64% das casas equipadas com electricidade, número que subiu para 80% nos anos 50.
Em Portugal a sua introdução foi mais lenta. Em 1955, Portugal importava dos Estados Unidos 3.100 frigoríficos, 4.109 em 1958. No mesmo ano o número de frigoríficos importados dos Estados Unidos era praticamente igual aos vindos da Alemanha, seguido da Inglaterra e Itália, perfazendo um total de 14.300 unidades. Números pequenos comparados com os encontrados nas casas americanas, mas tanto num país como noutro representavam um sinal de modernidade.
E foi essa noção de modernidade que Haddon Sundblom conseguiu transmitir na sua publicidade, de forma subliminar e que, por extensão, incluía a própria bebida. Esta perdia assim o seus atributos medicinais, para se tornar numa bebida apetecível, adequada a qualquer época do ano e moderna. Publicidade genial, que é uma forma de encantamento, como uma dança da cobra e que continua a fascinar-nos ao fim de todos estes anos.