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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Natal dos Animais

No Natal de 2009 tentei saber qual a Alimentação do Pai Natal, mas esse assunto revelou-se profundamente misterioso.
Mais sorte tive com este livro que nos mostra o «Natal dos Animais».
Com o titulo em inglês «The Animal’s Merry Christmas», conta 23 histórias de Natal de vários animais humanizados.
Foi publicado em 1950 e o texto é de Kathryn Jackson, que escreveu dezenas de livros infantis, muitos deles publicados nesta série «Golden Books».
 O mais interessante contudo são os desenhos de Richard Scarry (1919-1994) que foi autor e ilustrador de mais de 300 livros, sempre com um enorme sucesso devido aos seus animais antropomórficos.
As crianças adoraravam as histórias com animais, o que lhe permitiu vender um número impressionante de exemplares, mais de 300 milhões de livros, em 30 línguas.
Logo ao abrir a capa salta-nos um Pai Natal em «pop-up», a entrar na chaminé, que ocupa duas páginas.
 Depois começam as histórias profusamente ilustradas com as aventuras dos vários animais.
O que me impressionou no livro, e se adapta bem a este blogue, são as inúmeras imagens que retratam cozinhas onde se confeccionam os pratos natalícios ou as salas onde a família animal se reúne à volta da mesa para a consoada.
Não faltam mesmo os sonhos sobre comida que inevitavelmente incluem outros animais.
 Um livro que é um prazer para os olhos e extremamente informativo para quem tinha dúvidas de como os animais passam o Natal.

domingo, 1 de julho de 2012

Um livro sem nome


Foi ao fazer a ficha deste livro que me deparei com uma dificuldade inultrapassável. O livro não tinha título, nem autor, nem uma única palavra. E  contudo estava completo.
Na contracapa tem escrito em letras pequenas que foi impresso na Suécia, na Tipografia Helsingsborgs, seguido de um número que me leva a pensar datar-se de 1958.


Este livro infantil, de grossas folhas cartonadas, faz-nos interrogar sobre o que é um livro. Quando lemos, cada um de nós tem uma interpretação do escrito, que se aproxima mais ou menos da ideia do autor, consoante a clareza deste e a nossa compreensão.

Neste caso concreto, as imagens de um grafismo depurado, extremamente simples, para serem identificadas por uma criança, sem qualquer texto a acompanhar permitem uma interpretação livre do adulto. A este é-lhe dada toda a liberdade para, a partir das representações, construir uma história ou transmitir um ensinamento.

Até a ausência do título permite dar asas à imaginação. Podia chamar-lhe «A papa do bébé», porque seleccionei as fotografias para o blogue, mas chamei-lhe «Livro sem nome».

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Nitrophoska visto por César Abbott

Foi esta saudável camponesa ostentando orgulhosamente numa das mãos um pé de batateiro que me fez adquirir estas gravuras.
Tinham um ar “Estado Novo”, que me agrada particularmente, com características regionais.
As folhas, infelizmente, estão cortadas não me permitindo saber se pertenceram a um calendário ou a um cartaz publicitário. Olhando com atenção, descobri num dos cantos a palavra «Nitrophoska» e no outro uma assinatura que inicialmente era ilegível.
Era uma publicidade feita a um fertilizante distribuído em Portugal, destinado à agricultura e com acção em vários campos, desde a cultura das batatas à da vinha, como as gravuras documentam.
O Nitrophoska é uma marca registada com patente alemã datada de 1926. O seu nome deriva dos três mais importantes nutrientes das plantas: o nitrogénio (azoto), o fosfato e o potássio ("Kalium" em alemão). Este novo fertilizante, muito mais eficaz que os anteriores, começou a ser produzido pela empresa alemã BASF em 1927. Esta empresa foi absorvida pela IG Farben, que já tinha adquirido a Hoecht e a Bayer e posteriormente foi-o pela Compto Internacional, que ainda hoje comercializa este produto.
Na altura a sua produção teve em vista a recuperação da agricultura alemã após as destruições das culturas na primeira guerra mundial.
Em Portugal e como resultado da Campanha do Trigo, iniciada em 1929, foi incentivado o cultivo do trigo e o aproveitamento de áreas não cultivadas e das vinhas. Desta campanha faziam parte os ensinamentos de técnicas de uso dos adubos aos agricultores. O adubo mais utilizado era o Nitrophoska, importado, até que a CUF, no início dos anos 50, começou a produção nacional de adubos azotados (em Ricardo Ferreira, O Grupo CUF) .
Numa das gravuras, no reverso, está um carimbo com a data de 1955, o que significa que este adubo, apesar da já existente produção nacional se mantinha no mercado.
O desenho destas imagens foi feito por César Abbott, sobre o qual há pouca informação. Sabe-se que nasceu em 1910 e que ainda se mantinha activo em 1973, por existir um quadro assinado e com esta data. Provavelmente é natural do Porto e tem nesta cidade uma rua com o seu nome. Para além de pintor, desenhou postais com motivos regionais e teve grande actividade como desenhador de livros infantis.
Colaborou com a Majora e foi o autor dos desenhos da «Coleção Formiguinha», para além de muitos outros números dispersos realizados igualmente para a Majora.
Descubro agora que César Abbot fez parte da minha infância. As capas dos livros aqui apresentadas, seleccionadas por se incluírem na temática deste blog, provam-no.

sábado, 10 de março de 2012

Annie em Portugal ou a Última Aventura de Annie

Comprei na Feira da Ladra esta figurinha da Annie. A princípio fiquei um pouco indecisa porque datava de 1982 e achei-a muito nova mas, vendo bem, tem já trinta anos.
O que me agradou foi a representação da menina a esfregar o chão, uma imagem que associamos sempre a uma vida de trabalho, pouco apropriado para essa idade. Fez-me lembrar a história da Cinderela maltratada pela sua madrasta.
Hoje já ninguém esfrega o chão, o que torna a sua representação mais significativa. Tenho na minha memória um quadro de um pintor português, de que não consigo recordar o nome, que representava uma mulher a esfregar o chão. Estava numa colecção particular e impressionou-me pela sua qualidade. A imagem robusta da mulher ajoelhada, com o sabão amarelo ao lado e o soalho resplandecente em primeiro plano, numa imagem típica do Estado Novo, de exaltação do trabalho, ficou para sempre no meu pensamento.
Esta Annie é a versão americana de uma rapariga órfã que passa por várias aventuras, havendo mesmo quem a relacione com as histórias de Charles Dickens.

Se bem que a «Annie» mais conhecida foi a que apreceu no filme de 1982, produzido por John Huston, e seu único filme musical, era já uma adaptação de um outro musical com o mesmo nome, estreado em 1977. Este por sua vez baseava-se nas histórias de banda desenhada intitulada «A pequena Orfã Annie», que teve início em 1924. Se quizermos ir mais longe ainda, temos que dizer que o nome foi baseado num poema de 1885, "Little Orphant Annie", de James Whitcomb Riley.
De todas estas “Annies” no entanto a que nos interessa é a da banda desenhada criada por Harold Gray (1894–1968)  que começou a ser publicada 15 de Agosto de 1924 no jornal nova iorquino Daily News.
As aventuras da Annie, de olhos redondos, cabelo cenoura encaracolado e vestido encarnado de gola branca, acompanhada pelo cão Sandy fez grande sucesso na América da Depressão. Um terceiro elemento, o seu benfeitor Oliver Warbucks, serviu como um exemplo na América no seu pior período. Talvez porque os povos nos períodos difíceis de guerra e de dificuldades económicas precisem mais de se divertir, este trio, e consequentemente o seu criador, foram um caso de sucesso nos anos 30-40. Para além da publicação em vários jornais saíram imensos livros de que mostro alguns exemplos.
Com a facilidade que os americanos têm de criar heróis, adicionaram ao herói de então, o «Superhomem», esta gentil menina. Associada a ela existe toda uma memorabilia que passa por canecas, copos, pratos, etc.
No dia 13 de Maio de 2010 o jornal noticiava que no dia seguinte a Annie já não apareceria. Novos heróis, agora vindos do mundo dos computadores, tinham vencido esta heroína, após 86 anos de aventuras.
Pelos vistos ainda anda por aí.

domingo, 20 de novembro de 2011

O Café: «The Magic Bean»


O folheto de 16 páginas intitulado «Magic Bean. The Story of Coffee» foi publicado em 1956 pela National Coffee Association e destinava-se à promoção do consumo do café.
A publicidade foi feita em forma de banda desenhada, com uma apresentação extremamente colorida, focando toda a linha de desenvolvimento do produto, desde a sua descoberta até ao consumo nesses dias.
Destinava-se a ser distribuído no dia de Thanksgiving de 1956, dia tradicional de compras para os americanos.

A sua apresentação transmite-nos a impressão de se destinar tanto a adultos como a crianças. 
Não posso contudo deixar de chamar à atenção para a noção, bem adulta, de “intervalo para café” (coffe break), promovida e apoiada em estatísticas, que vão de números como 62% para o aumento de eficiência no escritório, ou 82% das fábricas que achavam que estas pausas diminuíam em 32% os acidentes de trabalho.

Por tudo isto, já então 41 milhões de trabalhadores americanos faziam uma pausa para café.

Numa das páginas podem também ver-se os vários tipos de utensílios para fazer café, mas também já a referência ao café instantâneo.

Tudo isto muito antes do George Clonney ter começado a sua campanha internacional de impingir as máquinas com cápsulas de café.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Jornal "Lisette" e o risco dos fogões

Como a apoiar a afirmação do post anterior, em que se valorizava a vantagem do fogão norueguês, em que não era necessário vigiar os alimentos, mostro hoje o aspecto contrário: o risco de incêndio com os fogões a lenha.

O semanário Lisette, Journal des Fillettes, que como o nome indica era dedicado às meninas, era distribuído com o Petit Echo de la Mode que as suas mães adquiriam para estarem a par da moda.
Publicou-se em França de 1921 a 1942, tendo sido interrompido devido à guerra. A sua publicação seria retomada em 1946.
O número de 5 de Abril de 1931, incluía uma história intitulada «La bonne Fougasse» em que uma menina após ter feito uma fogaça para a visita da tia, a colocou no forno e negligentemente foi para o seu quarto, deixando o fogão sem vigilância.
O resultado foi um incêndio na cozinha a que acorreram os bombeiros, como nos mostra o desenho da capa. E claro, a tia não teve fogaça para o seu lanche.
Uma história educativa para meninas em aprendizagem de dona-de-casa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um livrinho da Fábrica de Chocolates Regina

Quando eu andava na escola havia uma menina que se chamava Regina e que era filha de um jogador de futebol de nome Cabrita, numa altura em que o Clube de Futebol da Covilhã esteve na primeira divisão.
Constava que se chamava Regina porque era afilhada dos donos da Fábrica de Chocolate com o mesmo nome. Nunca confirmei esta informação mas pensei sempre que devia se priviligiada e que devia comer mais chocolates que qualquer um de nós. Nessa altura apenas se ofereciam e comiam chocolates na altura das festas.
Mais tarde, já na época do liceu, lembro-me de ter de decidir, de acordo com a minha semanada, entre um chupa-chupa cilíndrico, verde ou encarnado embrulhado num papel transparente com riscas da mesma cor, diagonais, que custava 5 tostões e uma tablette de chocolate, com um recheio cremoso, com sabor a frutas, que custava 10 tostões.

Pelo caminho ficavam ainda os lanches em que abríamos os «pães de quartos», semelhantes a carcaças, e colocávamos lá dentro uma barra de chocolate Coma com Pão.
Fundada em Novembro de 1927, a Fabrica de Chocolates Regina, logo nos anos 30 , lançou uma caderneta de cromos de rebuçados com figuras do football.

O pequeno livrinho (8,5 x 5,5 cm) que aqui apresento é na realidade uma caderneta de cromos, uma vez que deixa espaço para a colocação dos mesmos. Embora pareça anterior, deve datar do início dos anos 50, data em que Walter Disney produziu o filme infantil de grande sucesso «Cinderela».
Das várias versões da Cinderela esta corresponde à de Walter Disney como se pode ver pelos nomes dos participantes, onde se encontra o rato Jac (tradução de Jak), Lúcifer o rato e Bruno, o cão.
Na contracapa podem observar-se estes vários intervenientes e a publicidade ao chocolate «Reizinho», que era uma novidade da Regina.
Nunca foi colado qualquer cromo e o possuidor da caderneta resolveu o problema desenhando a lápis a sua versão da história.