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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Palestra «A Ginjinha de Lisboa»

 
É já este sábado dia 12 de Outubro, às 15 horas, que vou falar sobre este tema no «Grupo Amigos de Lisboa».

A sessão tem lugar na sede da associação na Rua Portugal Durão, 58 A, paralela à Rua da Beneficência e ao lado do Mercado Municipal do Rego, em Lisboa. 

Embora seja dirigido aos sócios a entrada é livre e portanto quem estiver interessado pode aparecer.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

II Colóquio de Olisipografia - LISBOA NA RUA

A 23 e 24 de Outubro no Auditório CGD do ISEG, a Câmara Municipal de Lisboa apresenta o II Colóquio de Olisipografia sob o tema “Lisboa na Rua”.

Eu estarei presente no dia 23 para falar sobre:

«A rota dos licores na Baixa Lisboeta»

Durante o colóquio serão apresentadas comunicações que retratarão as várias formas de ocupação do espaço público lisboeta, agrupadas em 4 painéis temáticos: Estar/Desenhar, Pintar/Fazer, Dançar/Passear e Prevaricar/Vigiar.

Local: Auditório CGD | Instituto Superior de Economia e Gestão
Rua do Quelhas, nº 6, LISBOA
Datas: 23 e 24 de Outubro de 2014
Entrada Livre | Inscrição obrigatória até dia 13 de Outubro
Destinado ao público em geral sujeito a inscrição prévia para dmrh.ddf@cm-lisboa.pt.

domingo, 31 de agosto de 2014

O Espírito dos Licores


A exposição já acabou e tudo isto está agora dentro de armários. Ontem contudo recordei-a quando me chegou às mãos este filme feito pela Ana Raquel Bispo, filha de uma vizinha minha, que visitou a exposição, gostou e teve este trabalho enorme de a filmar.  As condições não eram as ideais porque o Centro de Artes Culinárias, onde esteve a exposição, tem telhado de vidro e reflecte a luz nas vitrinas. 
Ao longo do filme a autora vai lendo os textos de apoio que completavam a informação. O resultado acho que ficou bom demais para não ser divulgado, até porque muitos dos amigos acabaram por não ver a exposição. Obrigada Ana Raquel.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Rótulos de Licores

A imagem da mulher em rótulos de licor sugerindo uma indicação de género, numa época em que a relação licor-sexo feminino estava bem estabelecida.

Rótulos de licor anis da «Companhia Portuguesa de Licores sucessores de Abel Pereira da Fonseca, Lda» e da «Fábrica Victória» respectivamente, imagens extraídas do livro «Licores de Portugal 1880-1980».

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O livro «Licores de Portugal» em Alcobaça

Integrado na semana cultural de Alcobaça, o evento «Books & Movies» é organizado pela Câmara Municipal de Alcobaça e tem lugar de 31 de Maio a 8 de Junho.
Eu vou lá estar a falar do meu último livro amanhã dia 5, pelas 18,30 no Museu do Vinho.
Para quem for da zona ou estiver por perto fica o convite para ficar a conhecer o livro e degustar um cálice de Licor de Ginja MSR.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Convite: Palestra «A Ginjinha Lisboeta»

 Integrado nas comemorações do «Dia dos Museus» (18 de Maio), que este ano calha a um domingo, os museus vão ter as portas abertas com actividades contínuas no sábado e domingo.

O Museu da Cidade, em Lisboa, tem um programa preenchido e eu vou falar sobre Ginjinha lisboeta no sábado às 18,40 horas.
 Se lhes interessar o tema e tiverem disponibilidade, apareçam.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Palestra: A Ginjinha Lisboeta

Uma vista à história e aos locais tradicionais de ginjinha em Lisboa, sem sair da cadeira.
Na 5ª feira, dia 20 de Fevereiro, às 18,30 no Museu da Cidade, ao Campo Grande.
Seguido por uma degustação de «Ginja sem Rival» da casa de ginjinha das Portas de Santo Antão.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O licoreiro da Casa Museu Anastácio Gonçalves (CMAG)

Para os que não puderam estar na apresentação da minha última palestra na CMAG, e se interessam pelo tema, aqui ficam alguns apontamentos sobre o objecto em si.

O licoreiro foi adquirido em 1963 pelo Dr. Anastácio Gonçalves (1889-1965), médico e amante de arte, para a sua casa de habitação em Lisboa, que adquiriu a José Malhoa em 1932 e onde reuniu uma diversificada colecção. A casa, hoje transformada em casa-museu, foi projectada inicialmente por Norte Junior para casa de habitação e atelier de José Malhoa.
Fotografia retirada do site da CMAG
Foi o interesse do coleccionador que fez surgir em Portugal um licoreiro francês do início do século XIX (1810?), com características interessantes. Integra-se no que os franceses designam como «cabaret à liqueurs», uma expressão para a qual nós não temos tradução, ficando-nos pela palavra «licoreiro», que tanto pode designar a garrafa em si como o conjunto desta, com ou sem cálices, integrado numa estrutura.
O licoreiro de que falamos é em prata e foi executado por um ourives de Lille, Theodore-Frederic Hardy, que trabalhou nesta cidade nos finais do século XVIII e início do século XIX. Sabe-se que trabalhou também com Seraphin Delahaye, cerca de 1800, mas não consegui apurar mais nada (1).
É constituído por um prato circular com 4 pés circundado por uma galeria arrendada e tem uma coluna central encimada por um vaso em forma de urna que serve de pega. Sobre a base apoiam-se cinco cestinhos de prata arrendada onde se inserem os cinco frascos destinados a licor. Estes são em cristal lapidado em todo o corpo e apresentam ainda restos de dourado, que os enriqueciam.
O facto de serem cinco os frascos licoreiros é já de si raro, um vez que estes habitualmente se apresentavam em número par. Mandava a etiqueta que se oferecesse aos convidados uma variedade de licores, de forma a estes poderem escolher os seus preferidos e, este tipo de utensílio, facilitava a sua apresentação, com evidentes vantagens estéticas.
Gravura existente no Museu de Artes Decorativas, Paris.
Um outro aspecto interessante diz respeito à existência de argolas adossadas aos cestinhos, destinadas à colocação das tampas, igualmente em cristal, quando se pretendia usar os frascos. Esta opção, que encontramos frequentemente nos galheteiros, é muito mais rara nos licoreiros. Torna-se contudo compreensível se pensarmos que a sua concepção saía das mesmas mentes de ourives que idealizavam as duas peças .
É o que podemos constatar neste desenho de um galheteiro e de um licoreiro, feito por um ourives francês entre 1814 e 1830 e que se encontra no Museu de artes Decorativas em Paris.
Galheteiro de Claude Delanoy. Foto de Antique Store 
Ou num outro galheteiro da autoria de Claude Nicolas Delanoy, com punção de Paris de 1789, em prata, da época Luís XVI em que apresenta a base oval mas, tanto os cestinhos como a coluna, apresentam semelhanças evidentes com o licoreiro da CMAG.

Este exercício de análise de um simples objecto faz-nos ver como é necessário pensarmos mais demoradamente sobre as coisas para melhor as compreender.

(1) Para quem estiver interessado no tema existe um livro de N. Cartier, Les orfévres de Lille, 2 vol, publicado em 2007, a que não tive acesso e que pode fornecer informação adicional.
(2) As fotografias não identificadas são minhas, feitas com autorização da direcção da CMAG.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Conferência «Conversas à volta de um licoreiro»

Utilizando um belo exemplar de licoreiro existente no espólio da casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves vou fazer uma conferência 
na próxima 5ª feira dia 23 de Janeiro às 18,30 horas.
Falarei sobre o objecto em causa e sobre os utensílios relacionados com a sua conservação e degustação e, a propósito, falarei sobre os licores em Portugal.
Lá os espero.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Aprenda a fazer licores

A minha amiga Sofia, além das suas múltiplas virtudes pessoais, profissionais (é uma das melhores  anatomopatologistas nacionais) e literárias (poeta com vários livros publicados) e autora do blog Defender o Quadrado, é também especialista em coisas mais terrenas, como saber fazer licores. 
Se quiser aprender a  fazer estas delicias doces venha no próximo domingo ao Centro de Artes Culinárias.
Eu sou apenas uma teórica, por isso vou lá estar.
Apareçam também!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O licor, uma bebida de Natal

É verdade que se foi perdendo esta tradição de beber licores na época natalícia. 
A grande excepção encontra-se nos Açores onde está bem vivo este costume chamado «O menino mija?» e onde as pessoas vão visitar os seus amigos e familiares repetindo esta pergunta. É uma ronda onde se vão provando os licores caseiros ou industriais regionais e se aproveita para desejar as Boas Festas.
No resto do país foi-se perdendo o hábito de associar estas bebidas à época natalícia. Mas que este existiu é-nos provado por várias manifestações materiais, desde a forma das garrafas, aos rótulos e à publicidade.
Mostro-lhes alguns exemplos como a garrafa em forma de casa, a cuja porta o pai Natal bate para oferecer os presentes.
Foi desenhada por Adolfo e Rocha em 1955 e encontra-se na forma não pintada ou com pintura manual onde são realçados todos os pormenores incluindo a neve.
Uma outra forma popular de garrafa era a do próprio Pai Natal que existe em várias versões e de que já apresentei em anos anteriores um exemplo. 
Algumas distinguem-se pela pintura que identifica o produtor, enquanto noutras essa identificação era feita apenas através de um rótulo colocado nas costas.
Por ultimo mostro-lhes uma garrafa do Licor Natal, de forma cónica, que está ilustrada num cartaz publicitário em que o próprio Pai Natal viaja numa dessas garrafas e que eu reproduzi em postal.
Espero que gostem. Servem para eu lhes desejar Boas Festas e lembrar que a exposição onde estão estas garrafas e  outros objectos deste tema vai estar no Mercado de Santa Clara até Fevereiro de 2014.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vendas de Natal no Centro de Artes Culinárias (CAC)

Não posso deixar de mostrar o bem humorado cartaz do CAC que promove a venda do meu livro.

No Mercado de Santa Clara continuam as vendas de Natal do Centro de Artes Culinárias. Se ainda não conhecem o espaço e o projecto façam uma visita. Lá poderão encontrar produtos caracteristicamente nacionais produzidos em vários pontos do país para a mesa de Consoada ou para ofertas.
E aproveitem e vejam a exposição «O espírito dos Licores» de que fui responsável.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Festival Internacional de Licores e Aguardentes Tradicionais

Há imensas actividades interessantes que têm lugar em Portugal e que nos passam muitas vezes ao lado.
Se não me tivessem convidado para apresentar o meu trabalho eu também não daria por este festival de licores tradicionais, numa zona de grande tradição de produção de destilados. 
Foi na Serra do Caldeirão que os árabes implantaram as primeiras destilarias no século X, na região que posteriormente viria a ser o reino de Portugal e dos Algarves.  
Aqui fica a divulgação.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Livro «Licores de Portugal (1880-1980)»

  
Capa da edição especial
Foi ontem o lançamento do livro «Licores de Portugal (1880-1980)» e agradeço aqui a todos os amigos que puderam estar presentes. Para os restantes gostaria de dar algumas informações sobre este trabalho.
Trata-se de uma edição de autora, uma vez que a minha editora não considerou que fosse um tema vendável. A minha opinião é a oposta e investi nesta obra uma boa parte das minhas economias que, com a ajuda de todos, espero recuperar.
Com a liberdade de autora/editora pude fazer uma livro ao meu gosto, sem restrições de imagens, em papel couché e com as imagens inseridas no texto. Assim o livro ficou quase com 300 páginas e é profusamente ilustrado.
Como bibliófila decidi também fazer uma edição especial de 50 livros numerados e assinados pela autora, com capa dura, neste caso branca, como o hábito dos monges, para contrastar com a cor cereja dos livros brochados e, nas duas modalidades, são vendidos a preço de crise.
O livro tem 11 capítulos onde são apresentados os seguintes temas:
A origem dos licores; Licores conventuais, Licores caseiros; Licores comerciais e Centros licoreiros portugueses; A Ginjinha. Um caso especial; O Granito de Évora; Antigas marcas de licores; Os objectos de consumo; O papel social dos licores; A rota dos licores lisboetas e uma extensa bibliografia.
Deixo aqui algumas imagens para ficarem com ideia do livro que, espero, tenha aceitação, uma vez que se trata de uma área completamente inexplorada e em que se abordam novos temas de características portuguesas como as garrafas de vidro figurativas e os rótulos de licor.
Muito do material usado para o livro está patente na exposição do Centro de Artes Culinárias e sobre ela falarei mais tarde, logo que tenha fotografias de qualidade.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Lançamento do livro «Licores de Portugal (1880-1980)»

Para os amigos a quem ainda não enviei convite e para os outros leitores do blog aqui fica o convite.
Aproveitam e vêem a exposição que estou a organizar com o material que, para este fim,  fui reunindo ao longos destes últimos anos, a que se juntam peças da associação As Idade dos Sabores. 
Lá os espero.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Exposição «O Espírito dos Licores. Arte e Tradição» no CAC

 
Este é um pré-aviso para disponibilizarem o fim da tarde de dia 7 de novembro para a inauguração da exposição «O Espírito dos Licores. Arte e Tradição» que terá lugar no Centro de Artes Culinárias, no Campo de Santa Clara.

Ao mesmo tempo será feito o lançamento do meu livro «Licores de Portugal (1880-1980)».

Sobre os dois temas falarei com mais calma proximamente e, é claro, estão todos convidados.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Publicidade ao licor do Duplo Centenário Âncora

 
Nem sempre é fácil associar um original publicitário à sua reprodução. Neste caso, calhou encontrar um anúncio ao «Licor Duplo Centenário» da Fábrica Âncora no catálogo da Exposição do Mundo Português. Secção Colonial, da autoria de Henrique Galvão e tendo o original, foi fácil.
 
No entanto, pequenas letras escritas a lápis no cimo do desenho, indicam que devia destinar-se também ao Diário de Noticias. O desenho, feito a tinta da china e guache, não está assinado e nele está escrito que licor nacional se destinava a «comemorar condignamente a Fundação e a Restauração de Portugal». Ficava assim explicado a que se destinava: às grandes comemorações que tiveram lugar em 1940 e que culminaram com a Exposição do Mundo Português, um lugar a que, se tivessemos uma máquina do tempo, todos queríamos voltar. 

Leopoldo Wagner, o fundador da Fábrica Âncora, fez sempre gosto em estar presente com os seus produtos, em exposições onde ia acumulando prémios.  Em 1932 tinha já participado na Exposição Colonial que teve lugar no Porto, em 1932, no Palácio de Cristal, com um pavilhão privativo de licores e xaropes, que foi fotografado em exclusivo pela Fotografia Alvão, Lda, e que valeu a Domingos Alvão um Diploma, tendo-lhe sido atribuído o grau de cavaleiro da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente da República, General Carmona. 

Este «Licor do Duplo Centenário da Fundação da Restauração de Portugal - 1640», que repetia o gosto pelo historicismo já anteriormente demonstrado pela firma, foi no entanto registado já em 1938. 

No rótulo surgia, em substituição da insígnia de Fornecedores da Casa Real, a denominação «Fornecedores da Presidência da República». Isso mesmo ficou expresso nas duas placas ainda hoje existentes no antigo local da loja na rua do Alecrim, em que, as duas placas em ferro ostentam cada uma delas a diferente designação.
  
PS.

Este poste, antecede a publicação do livro «Licores de Portugal (1880-1980», que se encontra no prelo e que explica a minha pouca disponibilidade de tempo para o blog. É um pequeno aperitivo para o tema, sobre uma bebida usada após a sobremesa. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Os licores cordiais

  

A Pharmacopea Lusitana, uma importante obra médica portuguesa do século XVIII, da autoria de D. Caetano de Santo António que foi responsável pela Botica do Convento de S. Vicente de Fora, ajuda-nos a compreender a utilização dos medicamentos à base de álcool, como os licores, dos xaropes e julepes e do seu papel terapêutico como cordiais ou estomáquicos.

A expressão «cordeal» aplicava-se a medicamentos que faziam bem ao coração e a de «estomáquico» definia que era bom para o estômago.

Estas características eram atribuídas aos licores na sua fase inicial, em que foram utilizados como medicamentos. A designação de cordial surge ainda aqui neste anúncio de 1914, mas iria deixar de ser usada mais precocemente. Pelo contrário perdurou na língua inglesa onde se continuam a designar os licores por “cordials”.
 A segunda imagem é de uma publicidade, discretamente apresentada como notícia, publicada na revista Modas e Bordados de 1941, quando era sua directora Maria Lamas. Tratava-se do «Cordeal de Vitacola» a que se atribuía um rico paladar a velho vinho do Porto sendo recomendando um cálice após o jantar. Apresentado em garrafas era «vendido nas boas mercearias, drogarias e farmácias». Este licor era um produto do Laboratório de Química Luso-Alemã, que produzia desde 1935 o «Vitacola: poderoso tónico restaurador enérgico, muscular e cerebral».
Quanto à designação de «estomáquico» ou «estomático» seria substituída a partir das primeiras décadas do século XX pela de «digestivo», que sublinhava o seu efeito auxiliar na digestão, quando tomado após esta.
Esta ideia não é tão absurda como parece e na prática muitas pessoas o confirmam, como descobri há dias numa conversa com pessoa amiga.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Licor de Raspail

Há certos nomes que conhecemos mas sobre os quais temos uma ideia nebulosa. É o caso do Licor de Raspail.
A história é interessante, pelo menos para mim, porque mete um médico e um licorista. Pelo meio entra um português, como em todas as boas histórias.

Tenho percebido que é mais fácil detectar uma pista para a origem farmacêutica dos licores do que descobrir a origem conventual. Este é apenas mais um desses casos.
Conhecido também por Elixir Raspail, a fórmula inicial deve-se a um médico François-Vincent Raspail (1794-1878) que teve um campo de acção vasto, como biologista e estudioso de química orgânica e que em muito contribuiu para o desenvolvimento da ciência no século XIX. Foi um precursor da teoria celular e revelou-se um ecologista «avant la lettre» ao lutar contra a poluição industrial.
Escreveu um livro intitulado «Nouveau système de physiologie végètale et de botanique, fondé sur les méthodes d'observation, qui ont été développées dans le nouveau système de chimie organique…», publicado em Paris por J. B. Baillière, em 1837. A partir de 1845 publicou «Manuel-annuaire de la santé ou Médecine et pharmacie domestiques...,» que foi reeditado como almanaque e que se destinava à população em geral. Nessa obra apresentava um licor higiénico para ser tomado à sobremesa e que tinha fins medicinais.
Um francês chamado Jean-Baptiste Combier (1809-1871) que tinha uma confeitaria em Saumur desde 1834, abriu uma destilaria em 1848 onde começou a produzir um licor aplicando a receita de Raspail. Decide no entanto alterá-la, tornando-a mais doce e agradável.
O licor é um sucesso e Raspail felicita-o por isso. Contudo posteriormente Raspail apercebe-se das modificações e ele, bem como os seus descendentes, põem um processo a Combier que se vê obrigado a comercializar o seu licor com o nome de «Elixir Combier». Esta alteração de nome em nada modifica o sucesso de Combier, mas extingue a produção comercial do Licor de Raspail.
Em Portugal este licor foi comercializado pela firma Francisco Morais & Cª, em 1920. Estes comerciantes estavam estabelecidos na Rua da Vitória, nº 42, 2º, em Lisboa, quando registaram a sua marca. O rótulo da bebida surgia com o nome «Raspail» seguido de «Sa liqueur de dessert crée en 1847» e as indicações «1847-Lisboa-Portugal-1914», dando a entender que fora essa a data da sua introdução no noso país. O nome da empresa por extenso e em abreviatura «FM & C.» indicava que os próprios o produziam. No ano seguinte os mesmos registaram um Triple Sec designado «Curaçao Raspail».
Antes porém desta comercialização um outro nome surgiu associado a este licor: o de João Daniel dos Santos, também conhecido por João Daniel Sines por ter nascido nessa localidade.
Tal como Raspail, que teve um papel político importante, foi um combatente contra o miguelismo tendo estado preso. Nesse período estudou a medicina de Raspail e tornou-se seu seguidor. Após a saída da prisão fundou a Sociedade Humanitária Raspalhista, que teve ação durante as  epidemias de cólera, em 1856 e de febre-amarela, em 1857. Embora sem curso de Medicina transformou-se num médico popular e produziu o «Licor de Raspail» de acordo com a receita inicial, com cânfora. A cânfora, que Raspail chegou a exprimentar em si próprio em 1827, revelar-se-ia mais tarde prejudicial. Bem andou Combier quando a retirou e a substituíu por cascas de laranja.