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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Faltava o papel dos caramelos...

Mais raros que os cromos de caramelo, só mesmo o papel do caramelo.

Este é da Confeitaria da Pampulha, situada na Calçada da Pampulha, 48 e data do anos 50.

Estava no meio de cromos e está em estado impecável
.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fábrica Santo António. 1 - A história

Uma reunião na Ilha da Madeira permitiu-me uma curta, mas útil, incursão pelo Funchal.
A reunião começava ás dez e trinta. Levantei-me cedo e às oito horas já estava no mercado a tirar fotografias. Sobre isso falarei numa próxima ocasião.

Hoje quero falar no meu segundo ponto de visita: a Fábrica Santo António.
Ia por uma rua e ao virar da esquina lá estava um edifício branco com uma grande tarjeta azul onde se podia ler o nome da fábrica. Entrei e deparei-me com uma loja à antiga, com móveis de madeira e prateleiras com caixas antigas nas filas superiores e modernas nas mais baixas. Os vários produtos preenchiam-nos, bem como os armários com portas de vidro nas paredes opostas. Por trás de um balcão corrido, também de madeira, encontrava-se um senhor amável a quem expliquei os meus interesses. Sugeriu-me falar com um responsável pelo pelouro da higiene e qualidade, o sr. Bruno Vieira que, habituado à curiosidade dos visitantes, me disponibilizou a história da fábrica.
A fábrica foi fundada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva. Desde o início que a fábrica e loja têm permanecido no mesmo local, na Travessa do Forno. Começou por produzir bolachas e biscoitos, em que se torna evidente a influência inglesa, tanto no que respeita às receitas como ao logótipo das latas de 5 Kg onde estas eram acondicionadas. Podemos ver as latas antigas, em folha de Flandres forradas a papel, ao lado de latas da Huntley & Palmers, fábrica inglesa fundada em 1822 e que se tornou na maior fábrica de biscoitos do mundo e perceber a sua influência. Do mesmo modo as bolachas de gengibre remetem-nos imediatamente para Inglaterra. Em 1948, a fábrica, parcialmente visível por detrás do balcão, foi remodelada e adaptada à electricidade. A modernização poupou contudo a principal máquina, uma moldadora de bolachas, que data de 1900 e que foi apenas adaptada à nova força motriz.
Com a morte do fundador a fábrica passou para seu filho Américo Ciríaco Silva e deste para António Manuel Carregal Côrrea da Silva. Permanece ainda na posse da família, sendo sua actual proprietária Christiane Bettencourt Sardinha. É a esta sucessão familiar que se atribui a persistência desta fábrica, uma das mais antigas fábricas de bolachas do país.

sábado, 22 de agosto de 2009

Ameixas de Elvas, um doce tradicional - 2

A indústria da ameixa confitada teve o seu início em 1834 com José Guerra, com a fundação da Fábrica José da Conceição Guerra & Irmão, em Elvas.
A fábrica a vapor, um dos progressos do século XIX, produzia frutas em conserva de açúcar, especialmente ameixa, mas também se dedicava à preparação de azeitonas verdes.
Em 1894 fundou a fábrica a vapor de Sopa Juliana, a única então existente em Portugal.
A qualidade dos seus produtos era reconhecida no país e internacionalmente, o que lhes valeu 47 grands prix, 147 medalhas de ouro, para além de medalhas de prata, num total de cerca de 203 prémios. As ameixas eram comercializadas em caixa de cartão circulares, com um grafismo apurado, em que constavam as medalhas com que haviam sido agraciados, muito ao gosto do final do século XIX. Existiram várias outras fábricas, como dissemos no post anterior, mas a grande maioria já deixou de laborar. As caixas de feitio oval, forradas manualmente a papel com um predomínio de temas alentejanos, foram produzidas pela empresa Pina & Martins. As embalagens apresentadas são dos anos 80.
A empresa "Frutas Doces", em Elvas, foi fundada em 1919 por Manuel Candeias e em 1970 a firma passou para o seu afilhado, Mário Renato da Conceição. Em 1999, foi o seu filho Luís Silveirinha da Conceição que tomou conta do negócio. Continuam a produzir ameixas d’Elvas, como é prova a caixa que deu azo a estas notas.

Presentemente encontramos registo de uma empresa localizada na Zona Industrial de Estremoz, a Confibor que produz essencialmente o produto regional denominado Ameixa D’Elvas, com a marca Convento da Serra. Também a APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), de Elvas, continua a fabricar as célebres Ameixas d’Elvas.

Normalmente as ameixas são comercializadas em caixas de cartão ou madeira, redondas e rectangulares. Para as ameixas em calda, usam-se boiões de vidro com tampas cobertas com arrendado de pano, ou, tampas metálicas correntes. Já lá vai o tempo em que às caixas se associava a arte do papel recortado, como se pode ver uma amostra na foto apresentada.