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domingo, 19 de fevereiro de 2017

A romaria do Senhor da Serra

Branco e Negro 1897
Era no verão no mês de Agosto que tinha lugar a romaria do Senhor da Serra. Hoje ainda é festejada em vários locais de Portugal como em Semide, Miranda do Moncorvo e Vendas da Serra. Mas no século XIX era famosa a romaria que tinha lugar na região saloia, nos arredores de Lisboa. 
Arquivo fotográfico da CML
As pessoas diziam que nenhuma era tão concorrida e alegre como a que tinha lugar em Belas no interior da Quinta do Marquês.
Branco e Negro 1897
A quinta tem uma longa história e a designação deve-se a ter pertencido ao Marqueses de Belas, família que teve a posse da quinta durante os séculos XVIII e parte do XIX. Na quinta situa-se o Paço de Belas, mas era nos seus terrenos que tinha lugar a famosa romaria que levou a que nos séculos XIX e XX, a Quinta dos Marqueses de Belas passasse a ser designada de Quinta do Senhor da Serra.
Arquivo fotográfico da CML
Nesse dia deslocavam-se milhares de pessoas com os seus fatos domingueiros levando consigo saquinhos de pano com a merenda, enquanto outros compravam os petiscos que aí se vendiam, tudo partilhado em ambiente festivo. No início do século XX ainda se realizava a romaria. Fotografias de 1907 existentes no arquivo da CML mostram-nos momentos de alegria vividos pelos populares que aí se deslocavam.
Branco e Negro 1897
Arquivo fotográfico da CML
Estes desenhos aqui apresentados assinados por Condeixa (Ernesto Ferreira Condeixa 1858-1933) que também pintou um quadro a óleo sobre o tema, fazem-nos vislumbrar um pouco desses momentos e foram publicados em Agosto de 1897 no semanário Branco e Negro.
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P:S: Os desenhos «Por entre barracas» e o «Na volta da romaria» são idênticos a fotos existentes na CML e a que é atribuída uma data de 19--. Estas fotografias devem ser anteriores uma vez que devem ter servido de modelo aos desenhos publicados em 1897.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dia de S. Martinho


No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.

Dia feliz e não esqueçam as castanhas e a jeropiga!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um casal de bolos

Antigamente os bolos tradicionais, como a fruta, tinham uma época. Estavam associados a festividades e a relação com as suas comemorações era imediata. Hoje podemos encontrá-los todo o ano.
É o caso do bolo-rei e, da sua variante mais recente, o bolo-rainha. Este último caracteriza-se por não ter fruta cristalizada, sendo decorado apenas com frutos secos, tal como se encontra no interior da massa, destinando-se aos que não apreciam esta conserva de fruta.
O interessante neste “casal” de bolos é, por um lado, as suas pequenas dimensões (o bolo-rei tem cerca de 12 cm de diâmetro), o que permite um consumo mais rápido e, por outro, o facto de o bolo-rainha ser ligeiramente mais pequeno, como se se tratasse de um casal de aves. Não sei se foi de propósito ou se foi um acaso, mas para mim resultou numa ideia interessante.
E não me importa que ainda não tenha chegado o Natal ou o Dia de Reis. Vão-me saber bem, apesar de perceber que, lentamente, se vão perdendo as tradições.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dia de S. Martinho

O etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) escreveu sobre este dia: 
«O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros vinho e castanhas.» 
 Bibliografia: As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987.

sábado, 4 de julho de 2015

Festival do Silêncio em Lisboa

Vai já na 5ª edição e eu não tinha dado por ele. Vai repetir-se entre os dias 2 e 5 de Julho nas Ruas da Boavista / Rua de S. Paulo / Cais do Sodré.
O programa é vasto e não vou falar nele. Quero no entanto mostrar-lhes a forma de participação dos habitantes da zona.
Trata-se da representação de palavras escritas em painéis de grande formato, formando ou não frases. Transmitem ideias sobre a cidade de Lisboa e a sua vivência.
Mostram o gosto dos cidadãos pelo local que habitam mas também preocupações. Não é por acaso que a palavra silêncio aparece várias vezes. Não se deve ao nome da iniciativa mas às preocupações dos cidadãos com o seu sossego, numa zona invadida por visitantes de outros locais, que não respeitam o silêncio e tornam infernal a vida dos locais.
No fundo queremos dizer que, apesar de tudo, os que aqui vivem têm forçosamente que ser mais importantes que os visitantes ocasionais. E que a cidade antiga tem que continuar a ser habitável e não ser transformada numa Disneylândia como está a acontecer à Baixa Pombalina.

domingo, 28 de junho de 2015

As festa populares no «Poema de Lisboa»

Augusto de Santa-Rita, nasceu em Lisboa em 1888 e aqui faleceu em 1956.
O livro «O Poema de Lisboa», edição da Câmara Municipal de Lisboa, é a sua última obra, publicada no ano da sua morte. Nele surge esta imagem que retrata as festas populares de Lisboa, com uma cena colorida e alegre que nos transporta para os bairros antigos da cidade.
Terminava com um livro para adultos, quem tanto colaborou, com sucesso, nos projectos de educação infantil propostos pelo Estado Novo.
Em 1920 publicou «O Mundo dos Meus Bonitos» com  ilustrações de Cotinelli Telmo. Em 1925 entrou para o jornal O Século, para director do suplemento infantil, Pim-Pam-Pum, que teve publicação semanal durante os 15 anos que se seguiram. Para além do pequeno jornal surgiu uma colecção de livros infantis intitulados  Biblioteca Pim-Pam-Pum, em que o próprio colaborou.

Refiro apenas o P Á-T Á-P Á, publicado em 1928, livro de poesias infantis, com ilustrações de Eduardo Malta e o CÓ-CÓ-RÓ-CÓ, igualmente ilustrado por Eduardo Malta, dois livros belíssimos.

A estes seus interesses não seria alheia a amizade com Fernanda de Castro, cuja casa frequentava com outros autores e artistas da época.
Ao livro CÓ-CÓ-RÓ-CÓ, agora em exposição no Centro de Artes Culinárias, voltarei um dia.
Hoje ficamos pelo mundo dos crescidos com os dias de festas populares que se prolongam nos próximos dias.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um papel de prateleira Pascal

Estas cortinas de papel eram usados nas prateleiras das cozinhas, razão porque eram designadas como «papel de prateleira». Os mais afortunados tinham também louceiros que adornavam colocando nas suas prateleiras tiras de papel que compravam nas lojas locais, com desenhos diversos. Daí também serem conhecidas por «papel de louceiro». Eram coladas com uma cola feita com farinha e água e, mais tarde, com pioneses.
Quando não havia dinheiro para os adquirir optava-se por fazer um tipo de cortinas semelhantes a estas, recortando papel de jornal, e que as pessoas mais habilidosas faziam parecer rendas.

Por todo o país havia à venda modelos variados que as donas de casa escolhiam consoante as cores e o seu gosto. Há poucos anos ainda consegui arranjar várias dessas cortinas nas minhas deambulações pelo país. Existiam com desenhos infantis, florais, recreacionais (praias, mercados, feiras, etc.), com o desenho de frutas, geométricos, nacionalistas e também religiosos. São estes os mais raros.
No próximo Natal mostro-lhes um adequado à época mas por agora ficam as imagens de um papel de prateleira com motivos religiosos alusivos à Páscoa. Cada tira de cortina conta a história de Cristo em seis imagens, desde o momento da sua prisão até à ressureição, passando pela crucificação.
Este exemplar raro faz-nos compreender que, para além da necessidade de substituir as cortinas por estarem velhas, havia um calendário próprio para mudar as cortinas de papel nas cozinhas. Em tempo de economias este era um verdadeiro luxo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Olhares sobre os Santos Populares

Consoante as épocas olha-se para as coisas de forma diferente e cada um tem a sua interpretação. Neste pequeno poste percorremos o tema das festas populares através dos olhos de alguns autores, a que tive a ousadia de acresentar a minha visão.
Começo com o desenho de Tom (Thomaz de Mello, 1906-1990) para a capa da revista Magazine Bertrand, publicada em Junho de 1931, que representa duas figuras populares, coloridas e risonhas a caminho da festa.
Mais comedido, mas igualmente colorido, é o desenho de capa de um catálogo para a revista «Lisboa em Festa», que teve lugar no Teatro ABC, em 1958. Está assinado Garcia e foi feito na Belarte.
Por último, a minha visão preguiçosa das festas populares, um arranjo para o centro da mesa, para evocar a época.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Festividades alimentares do dia de Todos-os-Santos

 A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada a 1 de Novembro, em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não, numa tentativa da igreja para não esquecer nenhum.
Ligada a esta festa existem rituais e hábitos alimentares que, em Portugal, variam de região para região, mas que têm muito em comum, em especial o peditório cerimonial feito por crianças. A esse peditório feito porta-a-porta respondia a população com ofertas alimentares, consoante as suas possibilidades e os hábitos da terra.
Embora tenha desaparecido em muitas regiões, era tradicional um grupo de crianças andar pelas terras a cantar canções às portas e a pedir o “Pão por Deus”. As pessoas que abriam as suas portas ofereciam maçãs, romãs, castanhas, rebuçados, nozes, bolos, como broas de milho, chocolates e até dinheiro.
Já no século XV a festa de Todos-os-Santos era designada Dia de Pão por Deus[1]. Nalgumas regiões também se chama a este dia o “Dia dos bolinhos”.

Na Beira Baixa era costume os padrinhos oferecerem aos seus afilhados o Santoro. Este é um pão comprido que se tornou uma oferta cristã, mas que deriva de um costume pagão, a oferenda dos mamphula ou pão Sírio, usada pelos romanos[2].
No Tortozendo, perto da Covilhã, esse bolo era alongado e levava azeite, mas por toda a Beira Baixa existia o hábito de fazer um pão deste tipo, nalguns locais em forma de ferradura. É a este pão que se deve a expressão «Pedir o Santorinho», usado nesta região, com o mesmo sentido de «Pão por Deus». Na freguesia do Castelo (Sertã) estes «bolos dos Santos» levam farinha de trigo e milho, ovos, mel ou açúcar, canela e erva-doce[3].
Em Castelo Branco, para além dos Santorinhos, é também tradição nesse dia comer as “papas de carolo” ou “papas de milho”, decoradas com canela.
Em Coimbra estas festividades têm o nome de «Bolinhos e bolinhós» e apresentam características diferentes no comportamento das crianças, que se estendem a toda a região. Nos anos 50-60 ainda havia crianças que passeavam por Coimbra com abóboras recortadas a cantarem a cantilena com o mesmo nome[4]. Em alternativa utilizavam uma caixa de sapatos, em papelão, em que faziam recortes que semelhavam os olhos, o nariz e a boca e com uma vela lá dentro. Este costume pagão, que parece ter origens celtas, não existia só na Irlanda, mas noutras regiões europeias, e viria a dar origem ao Hallowen.

 No Alentejo em Santa Luzia (Cercal do Alentejo) o dia chama-se «Dia dos bolinhos», sendo estes feitos com pão e preparados de propósito para oferecer às crianças que andam pelos montes[5].
Também no Algarve, em Odeceixe, eram feitos estes peditórios cerimoniais e oferecidas às crianças castanhas e broas, que levavam erva-doce, mel e azeite e que estas agradeciam com cantigas[6].

Em Trás-os-Montes e até na Ilha da Madeira e Açores existia este costume, pelo que podemos dizer que era generalizado, mas que se foi perdendo em especial nas grandes cidades.

As crianças quando vão fazer o peditório de porta-em-porta cantam várias melopeias. E a letra muda consoante a aceitação do seu pedido. Estas são de agradecimento, favoráveis aos donos da casa, quando recebem oferendas ou, nos casos em que nada recebem, de insulto aos mesmos. Aqui se transcrevem algumas:

Quando pedem:

Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.

Ou:
Lá vai o meu coração
Sozinho sem mais ninguém
Vai pedir o Pão-por-Deus
A quem quero tanto bem

Pão por Deus
Que Deus me deu
Uma esmolinha
Por alma dos seus

Na região da Sertã, a cantilena é diferente:
Bolos, bolos,
Em honra dos Santos todos
Bolinhos, bolinhos,
Em honra dos Santinhos.

Ou na região de Coimbra:
Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz

Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."

E a cantilena muda consoante recebem o seu donativo ou não :

Quando recebem alguma coisa:
"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
ou
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho."

Quando os donos da casa não dão nada:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
ou
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto
ou
Esta casa cheira a pão
aqui mora algum papão
ou
Esta casa cheira a breu
Aqui mora algum judeu[7]



[1] Braga, Teófilo, O povo português nos seus costumes, crenças e tradições, vol II, p. 222.
[2] Braga, Teófilo, O povo português nos seus costumes, crenças e tradições, vol II, p. 223.
[3] Dias, Jaime Lopes, Etnografia da Beira, vol VII, p. 155.
[4] Informações fornecidas pela minha amiga Cecília Rosa, que viveu em Coimbra.
[5] Oliveira, Ernesto Veiga, Festividades Cíclicas em Portugal, p. 183
[6] Oliveira, Ernesto Veiga, Festividades Cíclicas em Portugal, pp.182-183.
[7] Informação fornecida por uma senhora de 90 anos que dizia que se lembrava deste costume desde sempre e desta rima que tinha caído em desuso após a 2ª Guerra Mundial.

domingo, 30 de setembro de 2012

Confraternização do Curso Médico de 1923

 Quando olhei para estes três documentos que resumem o Programa da Reunião do Curso de Medicina de Lisboa de 1918-1923, não pude deixar de constatar como tudo mudou.
 O encontro, que comemorava o 22º aniversário do curso, durou o dia inteiro. Começou com um missa às 10 horas da manhã, a que se seguiu a visita ao Laboratório Victória e aos novas pavilhões do IPO e foram almoçar no restaurante Faroleiro no Guincho.

À tarde visitaram o novo Hospital da CUF, o Hospital Júlio de Matos e a Maternidade Alfredo da Costa.
 O encontro terminou com um banquete no Café-Restaurante Tavares. Da ementa deste último, que se apresenta, fazia parte o «Lombo de Vaca à Testut» que explico, para quem não é médico, era o autor do livro de Anatomia da época. No meu tempo já não se usava e estudávamos pelo Rouvière.
 Recordo a propósito o único jantar de curso a que fui. Comemorava-se o 25º aniversário do final do curso e por grande insistência de uma colega lá fui. Quando chegamos ao hotel onde ia decorrer o jantar estavam todos os colegas numa sala que ficava ao fundo de uma escadaria. Quando chegamos ao cima da escada olhamos para baixo e ela diz-me: «Vamos embora». Nessa altura eu não concordei e avançamos estoicamente.
 Eu não via a grande maioria das pessoas há 25 anos. A parte feminina, de cabelos arranjados e pintados, ainda conseguia disfarçar o quarto de século que havia já passado, mas os homens, então sem esses disfarces, mostravam o cabelo branco e as suas barrigas.

Falávamos uns com os outros, sem recordar já os nomes e a frase mais repetida era uma mentira galante: «Estás na mesma».
Não foi fácil e no final pensei: «Talvez fosse melhor vir todos os anos. Assim habituava-me progressivamente». Nunca mais voltei. Estou à espera do 50º aniversário de curso.

terça-feira, 12 de junho de 2012

As festas da cidade de Lisboa em 1935

Em vésperas do dia de Santo António mostro-lhes o ambicioso plano das Festas da Cidade de Lisboa durante os santos populares, em 1935, divulgado amplamente pelo Diário de Notícias.

As festas começaram no dia 7 de junho com uma feira no Terreiro do Paço e no dia 8 houve um torneio medieval nos claustros do conventos dos Jerónimos.
O torneio foi idealizado por Leitão de Barros, o realizador das Pupilas do Senhor Reitor e dele fizeram parte «gentis grupos de senhoras da sociedade, artistas do teatro português e cavaleiros».
A descrição do torneio «O magriço e os doze de Inglaterra», em que os 12 cavaleiros portugueses defenderam as damas inglesas ofendidas, numa obediência ao código da cavalaria, foi feita por Rocha Martins.
Foi sensacional a chegada das gentis meninas que fizeram de damas da corte de D. João I e que foram vestidas com trajos da época pela Casa Garnier, de Paris, tendo toda esta figuração ficado a cargo da Revista Eva.
À tarde os membros do Corpo Diplomático visitaram os bairros de Lisboa Antiga sendo recebidos, entre outros, por Gustavo de Matos Sequeira.
Houve também um concurso de montras em que a Antiga Casa José Alexandre, situada na rua Garrett, expôs jarras com desenhos alegóricos às marchas, com quadras, da autoria de Leopoldo Battistini.
No dia 9 de junho realizaram-se as marchas populares, com início às 22 horas no Terreiro do Paço. Na origem destas esteve um costume antigo. Depois das festas de Santo António e S. João ia-se à fonte ou ao chafariz lavar a cara. Isso fazia-se em marcha, dois a dois, em pares de namorados, ou, às vezes pais e filhos, indo estes atrás. Foi, segundo o articulista, a génese das marchas nos séculos XVII e XVIII.
Aqui fica um pequeno resumo das festas da cidade de Lisboa, em 1935. Só têm que as comparar com as de hoje.

sábado, 5 de novembro de 2011

A celebração da Castanha em Portugal

Castanhas da variedade Martaínha

Sob o título geral «É tempo das castanhas» decorreu ontem mais uma iniciativa da Associação Idade dos Sabores, no Centro de Artes Culinárias, no Mercado de Santa Clara, em Lisboa.

O evento começou com uma conferência intitulada «A celebração da castanha em Portugal» feita pelos Prof. José Gomes Laranja e Jorge Ferreira Cardoso da Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro. Foi tempo para conhecermos as variedades de castanha existentes no Mundo e os tipos predominantes em Portugal, as rotas da castanha em Trás-os-Montes, as confrarias e festas dedicadas à castanha. Sobre as virtudes da castanha e a vantagem da sua ingestão falou o segundo orador.

Seguiu-se um showcooking com pratos feitos com castanha.
O chefe António Bóia, com um currículo nacional e internacional invejável, e que é, desde 1992, o chefe da equipa júnior da Selecção Nacional de Cozinha, confeccionou pratos com castanha a que se seguiu a sua degustação. Natural de Bragança, era a pessoa indicada para confeccionar uma óptima sopa de castanhas e um prato de cogumelos (repolgas) com castanhas.
Fez-se em seguida a prova de vários tipos de bolos feitos com castanha pela Sr Dª Lurdes Diegues, natural de Vinhais e uma das últimas pessoas a fazer cuscuz.

Foi também uma oportunidade para adquirir o livro de Receitas de Doces com Castanha, edição da Câmara Municipal de Vinhais, que esteve presente juntamente com vários produtores de castanhas da região transmontana, para vender castanhas frescas e transformadas.
Os Gaiteiros de Zido, de Vinhais fizeram a animação musical e trouxeram-nos os sons transmontanos.
Os Gaiteiros de Zido

As comemorações da castanha continuam durante todo o mês com um magusto no dia 10, um lançamento do livro de João Orlindo Marques Memórias dum tempo…O objecto etnográfico, reportório de memórias”, no dia 11, e nos dias 14 e 21 dois cursos de culinária Cozinhar com Castanhas” e “Cozinhar com Vinho do Porto”.

Mantém-se a exposição «Aprestos de Cozinha» onde, entre outros, se podem ver vários utensílios ligados à apanha das castanhas e diversos assadores para as mesmas. Aproveitem.