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quinta-feira, 13 de março de 2014

As bolachas Garrett

 
Em 1902 a cidade do Porto foi palco de várias manifestações de homenagem a Almeida Garrett (1799-1854).
No mesmo ano em que o escritor seria colocado num túmulo no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa onde havia falecido, o Porto, sua cidade de origem, desdobrou-se em comemorações.
 
O Ateneu Comercial do Porto efectuou um sarau musical a 30 de Maio e publicou uma edição comemorativa de postais ilustrados. Houve representações teatrais de peças da sua autoria. 
Juntou-se aos festejos de homenagem um jornal da sua terra natal «Os Pontos» com um número extarordinário dedicado a Almeida Garrett. A sua forma de homenagem passava pela apresentação de desenhos de vários artistas dedicados ao dramaturgo. 
Nalgumas das suas folhas surgiam anúncios publicitários a várias empresas do Porto. Mas um deles era da Fábrica de Bolachas e Biscoitos da Pampulha, em Lisboa, que tinha na altura um depósito no Porto na Rua D. Pedro, nº 143 a 147. 
O seu proprietário, Eduardo Costa, que se orgulhava de ter muitos amigos no Porto, associava-se ao tributo e lançava uma nova marca de bolacha denominada «Garrett». 
A acompanhar a notícia surgia a foto do proprietário, que era enaltecido como «um inteligente, activo e simpático industrial lisbonense». Na notícia de página inteira podia igualmente ver-se a imagem da sucursal no Porto.

É a  isto que se chama marcar «Pontos». 

domingo, 2 de março de 2014

Os porcos e o humor neste Carnaval

Quase um século separa estes dois postais. O primeiro, de finais do século XIX, mostra uma imagem ousada para a época que, com a abertura do postal, rapidamente se revela inocente. 
O segundo data de 1979 e é um calendário publicitário ao "Restaurante Boa Viagem", na Mealhada, cuja especialidade era o leitão assado. 
Ao abrir-se o cartão revela-se a verdadeira imagem de uma menina de formas curvilíneas com um leitão ao colo. O espaço era aproveitado para publicitar «o almoço da casa a preço económico». 
Ao longo dos tempos o porco, esse simpático e inteligente animal, tem sido utilizado para trocadilhos humorísticos. 
Associado frequentemente aos cozinheiros, um tema a que voltarei, pareceu-me apropriado para esta época de Carnaval em que, a pouco e pouco, se vai perdendo o hábito das “partidas” e o sentido de humor.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Restaurante Ventura no Porto

 
É provável que o Resturante Ventura tivesse derivado do anterior Café Ventura, inaugurado em 1891, frente ao Suiço, uma vez que ambos se situavam na Rua Sá da Bandeira (actual Sampaio Bruno).

Foi seu proprietário Ventura dos Reis Brenha que no bonito cartão (1) publicado no jornal «Os Pontos», anunciava o serviço de almoços e jantares e o fornecimento de banquetes e soirées. O anúncio data de 1903 mas dez anos depois ainda o restaurante existia, porque o seu proprietário fez um pedido de alteração para obras à Câmara do Porto em 1913.
Nada consegui saber sobre o dono do restaurante tendo apenas constatado que o seu filho, Ventura dos Reis Brenha Júnior, foi viver para o Brasil, para o Rio de Janeiro, onde foi director de várias empresas, como a Casa Aliança de Cambios, Passagens e Turismo, a Casa Bancária Bordalo, Brenha, SA. e a Casa Bancária Fiscal Imobiliária SA. Faleceu no Brasil em Outubro de 1960.

(1) Executado na Litho. Nacional Malmerendas, nº 20-22, Porto, 20-22 (actual Rua Dr. Alves da Veiga). 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Uns guardanapos e bases de copos Vintage

Há alguns anos a autora de um blog brasileiro colocou o meu blog nos seus links em «vintage». Fiquei surpreendida até porque esta palavra se presta a imensas confusões.
Em relação aos vinhos a definição é clara e aplica-se a vinhos de qualidade de um determinado ano. Quanto ao vinho do Porto destina-se ao vinho de uma só colheita, produzido num ano de boa qualidade e que é engarrafado cerca de dois ou três anos após a colheita, maturando em garrafa durante 10 a 50 anos.
A noção de vintage estendeu-se para objectos que têm mais de 50 anos e menos de 100 anos, período a partir do qual passam a ser designados antigos. Assim, os objectos das décadas de 1950 e 1960 encaixam neste conceito e aqueles que apresentam características desse período são facilmente identificados, provocando nas pessoas algum enlevo e ternura. Para outros esse apelo é tão forte que, ao entrar em moda, se tornou para algumas pessoas num estilo de vida.
Hoje o meu blog é completamente vintage. Os guardanapos e bases de copos destinavam-se a uma festa, a um refresco ou a um cocktail de fim de tarde.
São dois modelos, um deles em que as bases são acompanhadas de guardanapos condizentes, enquanto o outro foi apenas comercializado como bases para copos. Foram abertos mas mantiveram-se na sua embalagem para uma outra oportunidade que, finalmente, chegou hoje.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Margarina Chefe: «Comer bem...digerir melhor»

Seleccionei este folheto, distribuído em 1960, pelo seu belo aspecto gráfico. Foi feito na empresa de publicidade Ciesa, que pertencia à Sociedade Nacional de Sabões, de cujo grupo fazia também parte a Fábrica Nacional de Margarinas. Não tem qualquer assinatura e foi impresso na Lito Maia.
Na capa um atraente prato de lombo de carne assada, ladeado por vários legumes aprumados, confirmava o título.
Lá dentro uma dona de casa de olhos orientais e sorriso enigmático apresentava-nos a Margarina Chefe: «Nova Inteiramente Nova».
A segunda folha, com um desdobrável recortado ampliava a cena de frutos tropicais (Coco, amendoim e palma) de grande beleza onde era realçada a presença na margarina de vitaminas, calorias e proteínas. 
Para terminar na contracapa apresentavam-se 3 receitas de pratos feitos com margarina. 

Os meus comentários ficariam por aqui, salientando as características da publicidade alimentar da época, se não fosse um pormenor original. 
Na face posterior da extensão recortada era inserida uma informação científica. Referiam-se os estudos dos Dr. Bun e Barnes (1) que haviam estabelecido uma relação entre a alimentação a a arterioesclerose e em especial o papel desempenhado pelas gorduras no seu desenvolvimento.
Mencionavam-se as provas de que a gordura de origem animal (uma referência subtil à banha usada em Portugal) levavam ao desenvolvimento da arteriosclerose , enquanto as de origem vegetal tinham acção preventiva.
Confesso que perdi bastante tempo à procura destes estudos (inclusive na Pubmed), mas não os consegui encontrar. Mas encontrei outros idênticos. Pensava-se então que bastava reduzir as gorduras para diminuir a doença cardíaca, mas o tempo veio mostrar que o importante era consumir dietas saudáveis com gorduras “boas” e não era a quantidade que contava. 

Os estudos americanos mostraram que na década de 1960 cerca de 45% das calorias alimentares provinham das gorduras e existiam cerca de 13% de obesos adultos(2). Presentemente o consumo de calorias baixou para 33% e existem 34% de adultos obesos(3).

Não vou falar nas gorduras boas (não saturadas) e más (saturadas) mas nas péssimas como as trans. Estas são obtidas por aquecimento dos óleos vegetais em presença do hidrogénio, num processo chamado hidrogenização, que pode ser parcial ou total. Este processo do ponto de vista comercial tem a vantagem de tornar os óleos vegetais mais estáveis e mais facilmente transportáveis porque passam ao estado sólido.
Esta descoberta foi recebida de braços abertos pela indústria alimentar, em especial pelas cadeias de fast food, mas também pelos produtores de margarina. As margarinas sólidas, mesmo feitas com óleos vegetais não saturados, são menos saudáveis do que a manteiga, porque contêm ácidos gordos trans. Nos anos 60 não se sabia isso, mas hoje há que estar atento aos rótulos de composição dos alimentos e, se lerem que têm gorduras trans, não comprem.
_____________________________
 (1) Poderá ser o Dr. Robert W. Barnes, que foi médico chefe do serviço de Cirurgia Vascular entre 1978-1981 no VA Medical Center, Richmond ?.
(2) USDA Center for Nutrition Policy and Promotion.Nutrition Insights: Insight 5: Is Total Fat Consumption Really Decreasing? 1998.
(3) Flegal K, Carroll M, Kuczmarski R, Johnson C. Overweight and obesity in the United States: prevalence and trends, 1960-1994, Int J Obes Relat Metab Disord. 1998;22:39-47.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O pudim instantâneo Freeman

A Freeman & Hildyard, foi uma empresa inglesa especializada na fabricação de produtos alimentares como geleias, fermento, pudins,  sopas, biscoitos para cães, etc.
Estas caixas da marca Freeman, encontradas em Portugal, continham pó para pudim instantâneo de baunilha. Para fazê-los bastavam 5 minutos e a adição de açúcar e leite. Supõe-se, como acontece com outros similares, que bastava levar a mistura ao lume, deixar engrossar e depois de arrefecido obtinha-se uma mistura com a consistência de um pudim. Para além deste sabor, o pudim eram era vendido também nas variedades de: amêndoa, limão, pêssego, nectarina, chocolate, morango e framboesa.
Uma publicidade publicada em 1883 mostrava um diálogo entre uma visita, a srª Murray Fleming, que perguntava à srª. Granville, a dona de casa, quantos ovos tinha usado no pudim. Esta respondia divertida: «Nenhuns ovos e nenhuma farinha».
No final do século XIX estavam na moda os pudins e as geleias, como o atestam as múltiplas formas utilizadas. A confecção destas sobremesas com pós instantâneos revelou-se mais barata e fácil e este tipo de pudim foi um sucesso.
De entre os outros produtos comercializados por esta firma destacamos o fermento em pó (“baking powder”) usado no fabrico do pão e em pastelaria e a sopa em pó, como a de tartaruga, considerada como um prato de luxo.
Ambas as caixas apresentadas são feitas em papelão forrado a papel e na face superior estão decoradas com gravuras ao gosto do século XIX, circundadas por um cordão dourado, que lhe dão um aspecto de trabalho manual. 
Apresentam nas faces laterais reproduções das várias medalhas de ouro obtidas por esta marca. Podemos ver um medalha ganha em Londres em 1873, seguida de um outra em 1881. No ano de 1884, ganharam duas medalhas de ouro: uma na Health London e outra no Crystal Palace. A última medalha mencionada na embalagem foi ganha em 1888, novamente em Londres.
Isto coloca-nos estas embalagens no final do século XIX, quando a empresa se designava Freeman & Hildyard e se encontrava em Henry Street, Gray’s Inn Road. Mais concretamente podemos dizer que datam de 1888 ou do início de 1889 porque uma notícia surgida no jornal «The London Gazette», publicada em 16 de Abril de 1889, anunciava o fim da sociedade de Whiteman George Freeman e de George Herbert Hildyard, como fabricantes dos vários produtos já mencionados da firma “Freeman & Hildyard” e da “Aple and Co.”.

A marca Freeman & Hildyard passou depois para a posse da Watford Manufacturing Co Ltd, que manteve a produção. Em 1908 ainda se encontrava em laboração uma vez que surge o nome Freeman & Hildyard, mencionado num livro comercial designado “Kellys Directory” como sendo pertença da Watford Manufacturing Co. Limited, em Callowland, Watford. 
Embora não tenha sido o primeiro pudim instantâneo, estes surgiram em meados do século XIX, é seguramente um dos pioneiros da indústria alimentar.



sábado, 27 de julho de 2013

O Boletim de Sanidade e a Indústria Alimentar

O Ministério da Agricultura publicou em 29 de Agosto de 1938, legislação rigorosa destinada à colheita, armazenamento e venda do leite em condições higiénicas (D. L. nº 28:974). Com um preâmbulo muito interessante começava por definir o leite de vaca como um «alimento perfeito ou quase perfeito». Apesar disso era reconhecida a sua capacidade para transmitir doenças, entre as quais a tuberculose bovina que 150.000 pessoas na Grã-Bretanha haviam contraído entre 1921 e 1935. Em Portugal passava-se o mesmo, mas como sempre não eram avançados números.
Era já conhecida a história da “Maria Tifosa”, uma cozinheira irlandesa, portadora de febre tifóide, que emigrou para os Estados Unidos onde, no início do século XX, veio a infectar um número considerável de pessoas. Em Portugal também existiu uma “Maria Tifosa”, que me recordo de ser mencionada na faculdade, mas de que infelizmente não fixei pormenores.
Tornava-se pois necessário avançar com alterações radicais no que respeitava à higiene dos estábulos e dos locais de recolha e de tratamento do leite, mas também garantir a sanidade dos animais e das pessoas envolvidas neste processo.

No capítulo VII da publicação inicial já referida legislava-se sobre as condições de venda e distribuição de leite. Exigiam-se locais de venda com paredes revestidas a azulejos, câmaras ou armários refrigerantes e a existência de abastecimento de água no local. As garrafas deviam ser de vidro incolor, de fundo liso, obturadas e seladas.
No que dizia respeito aos vendedores ambulantes de leite não engarrafado que actuavam fora das áreas abastecidas pelas centrais pasteurizadoras, só podiam exercer o seu mester nas seguintes condições:
1 - Não serem portadores de qualquer doença transmissível.
2 - Estarem inscritos no registo de inspecções de saúde.

Aos vendedores de leite ambulantes que fossem aprovados era passado um «Boletim de Sanidade». É um desses primeiros boletins que podemos aqui ver e que desencadeou esta investigação. Com o nº 63, foi emitido pela delegação de Saúde de Beja, em maio de 1940, para uma leiteira, provavelmente de Lisboa, uma vez que era essa a origem do seu B. I.
Esta legislação respeitante aos produtos alimentares foi a primeira da época do Estado Novo e iria estender-se à venda de outros alimentos como o pão. Aliás, o artigo nº 86 desta lei já avisava que nas fábricas de manteiga e de outros derivados do leite se deviam adoptar as mesmas práticas higiénicas até ao aparecimento de diploma que regulamentasse essas industrias.

Na sequência destas exigências saiu em 2 de fevereiro de 1939 uma Portaria (nº 9:161) que confiava à Imprensa Nacional de Lisboa, com direito exclusivo, a execução e fornecimento dos boletins de sanidade passados aos vendedores ambulantes de leite não engarrafado.
Apenas em 6 de janeiro de 1951 (portaria nº 18:412) foram aprovadas as instruções relativas ao boletim de sanidade do pessoal empregado no fabrico e venda do pão e de outros produtos alimentares. Passaram a exigir-se exames médicos aos trabalhadores que manipulavam alimentos (cozinheiros, padeiros e outros) ou dos que lidam com eles (criados de mesa e de café, caixeiros de mercearia, leiteiros, vendedores ambulantes de bolos e gelados, etc.).
O amassar do pão numa padaria em Lisboa in «Illustração Portugueza », 1911.

Em 1986, o D.L. n.º 252/86 de 25 de Agosto, no artigo 8º, respeitante ao boletim de sanidade, mantinha que «os indivíduos que intervenham no acondicionamento, transporte ou venda de produtos alimentares serão, obrigatoriamente, portadores do boletim de sanidade»; contudo em 1988 a Portaria 149/88, de 9 de Março, que fixava as regras de asseio e higiene a observar na manipulação de alimentos, determinava a abolição do boletim de sanidade.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um cestinho feito com postais ilustrados

 

Olhei para ele e fiquei imediatamente fascinada. Refiro-me a um pequeno cesto feito com postais recortados. A habilidosa autora da obra utilizou postais do fim do século XIX e início do século XX recortou-os e coseu-os com linha vermelha.
De acordo com o modelo de pontos apresentados no trabalho manuscrito do «Curso de Bordadora Rendeira» feito em 1952, por Georgina G. da Costa trata-se de um dos pontos de “remate usados para unir ourelas”. 
Os postais foram utilizados interior e exteriormente e para completar a cesta foi feita uma asa envolta em seda encarnada que remata com dois laços.
Uma doçura que me fez recordar um trabalho da minha avó. Quando o meu avô esteve em França na 1ª Guerra Mundial, entre 1914-1918, enviava à minha avó postais de cor sépia.
 Com eles a minha avó construiu um quadro que tinha espaço para a sua fotografia e a do marido. À volta, fazendo passe-partout, estavam os postais recortados e cosidos com um ponto semelhante a este, em cor castanha.
Penso que este tipo de trabalho deve ter sido uma moda das primeiras décadas do século XX, mas estranho aparecerem tão poucos trabalhos destes. Por isto partilho estas imagens para alegrar almas sensíveis.

domingo, 23 de junho de 2013

Um cartão recortado de Cottinelli Telmo

José Ângelo Cottinelli Telmo (1897-1948) ficou conhecido principalmente como arquitecto e cineasta. Como arquitecto trabalhou para a CP entre 1923 e 1948 e dele podemos ver a emblemática estação ferroviária de Sul e Sueste, no Terreiro do Paço em Lisboa (1931). Em 1939 foi nomeado arquitecto chefe da Exposição do Mundo Português (1940) tendo sido responsável por vários pavilhões.
Só isto já chegava para lembrar a sua memória mas foi também realizador do filme que mais ficou no coração dos portugueses: «A canção de Lisboa», onde as personagens interpretadas por Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva nos fazem sorrir sempre que revemos o filme.
A sua obra foi ainda mais diversificada e abrangeu outras áreas como o desenho, a música e a banda desenhada. É esta actividade que queremos aqui recordar com este recorte de uma banda de música recortada, com figuras móveis, que no fundo integra vários dos seus interesses.
Cotinelli Telmo foi um dos fundadores da revista infantil ABCzinho onde criou um dos primeiros heróis da banda desenhada portuguesa: o «Pirilau».
Escolhi uma das suas capas adequada à época com a representação do Santo António com um menino ao colo. À volta da sua imagem pode ler-se: «Dentro uma linda construção com movimento. Vejam!».
Estes recortes conservaram-se menos do que as revistas e é provável que este fizesse parte de uma dessas publicações. Um desenho de traço simples e cheio de humor que permite despertar a magia do movimento num cartão e é uma oportunidade para aqui recordar Cottinelli Telmo, uma personalidade multifacetada, que a memória foi esquecendo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O ferro de engomar eléctrico nas facturas da CRGE

Nas décadas de 1920 e 1930 as facturas da Companhias Reunidas de Gás Electricidade (CRGE) não se limitavam as apresentar as contas aos seus clientes. Eram também educativas e serviam de veículo para a divulgação dos novos electrodomésticos.
Apresentei há algum tempo uma factura em que se fazia a defesa do uso do frio para a conservação dos alimentos.
Hoje mostro outras facturas, por ordem cronológica, em que se focavam as vantagens de engomar com ferros eléctricos. Vantagens evidentes se pensarmos nas alternativas.
Na realidade no final dos anos 30 os ferros de engomar, que a própria CRGE vendia a prestações mensais, eram já o segundo electrodomésticos nos lares portugueses, apenas suplantado pelos rádios.