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terça-feira, 10 de abril de 2012

A minha TROIKA

A palavra «troika» é de origem russa e designa um trenó puxado por três cavalos. Começou depois a ser usada em política passando a designar um grupo dirigente constituído por três membros. Hoje não preciso de dizer o que é porque todos os portugueses sabem.

O que não sabem é que existem “troikas electricas” destinadas a fazer torradas. Eu também não sabia até me ter deparado com esta torradeira. Devo dizer que depois de várias buscas esta Troika se manteve um mistério para mim. Não encontrei qualquer referência. A única marca registada de artigos eléctricos que encontrei com este nome produziu também torradeiras e foi registada pela primeira vez em 1999. Situava-se em Brooklyn, Nova Iorque, e já não existe.
É de supor que não foi a produtora desta torradeira, cujas características apontam para ter sido produzida na década de 1950-1960. Nos Estados Unidos a partir de 1960 as torradeiras deixaram de ser abertas. Ao contrário do nosso país onde ainda hoje, felizmente, se podem comprar torradeiras com portas móveis que permitem colocar o pão, com a espessura que queremos, a torrar.
Ainda me lembro de levar para Nova Iorque uma torradeira deste tipo pedida por uma amiga minha portuguesa que então lá vivia.

O mundo das torradeiras é fascinante pela sua variedade e os primeiros tempos foram de grande imaginação, o que levou a uma multiplicidade de modelos que não tem fim. Com princípios conturbados pela dificuldade em encontrar uma resistência eléctrica que fosse duradoura, campo em que Edison teve uma palavra importante na aplicação desta às lâmpadas eléctricas, a sua data de início é também discutível.
Atribui-se a Frank Shailor da General Electric o primeiro registo de patente de torradeira com a designação de D-12, em 1909. Mas em 1917, a Electric Point referia num anúncio  terem sido os primeiros, 12 anos antes, isto é, em 1905, a produzir a primeira torradeira. 
Torradeira em exposição no National Museum of American History, Washington

Da grande variedade de primeiros modelos salienta-se a preocupação com a manutenção das torradas quentes, enquanto se faziam outras. Uma das soluções encontrada foi a de colocar sobre a torradeira grelhas horizontais ou, em alternativa, apresentadores de torradas verticais. Designados pelos ingleses por «toast racks» e sem tradução adequada que eu conheça, é este último tipo o que apresenta a torradeira Troika.
Para quem não sabe nada sobre a torradeira já falei demais.
Conclusão: cada um tem a Troika que merece.

domingo, 11 de dezembro de 2011

O orgulho no frigorífico recheado

Ofereceram-me estas duas fotografias fantásticas.

Pelo que me é dado perceber são retratos de um casal de portugueses, emigrantes, a viver nos Estados Unidos.

Penso que se trata de um fotografia dos anos 50 a avaliar pelo modelo do frigorífico e pela disposição da cozinha, ainda com mesa central.

A mulher fez-se fotografar no centro da cozinha, recortando um tecido sobre a mesa. Por trás podem ver-se os armários preenchidos com a bateria de cozinha. Sobre o fogão pode observar-se um panela de pressão e alguns tachos em alumínio e sobre este, numa prateleira, perfilam-se as caixas em plástico para guardar as mercearias.
A certeza de que é uma cozinha americana e não portuguesa é-nos dada pelo linóleum florido que forra as paredes, substituindo os nossos tradicionais azulejos.

Contudo, a fotografia mais interessante é a do marido, sentado numa cadeira junto ao frigorífico, folheando uma revista americana.

Não por acaso, o frigorífico apresenta a porta aberta, revelando orgulhosamente aos seus familiares o seu recheio, traduzindo uma imagem de abundância.
Por trás da fotografia está escrito: «Felicidade o nosso frigorifiqué está cheio de coizinhas boas é um loivar adeus dá bontadinha de comer e saudinha».

O orgulho de quem ultrapassou momentos difíceis e envia, de forma ternurenta, aos seus, imagens de prosperidade na sua nova vida.

sábado, 19 de março de 2011

O frigorífico Electrolux de 1939

Portugal começou lentamente a aceitar a eletricidade e os electrodomésticos.
Em 1930 o número de consumidores de electricidade era ainda de 60.000, tendo aumentado para 106.000, em 1936. O ano de 1939 é um ano de referência com 150.000 consumidores e com 179 centrais de serviço público.
Foi nesse ano que a Revista Eva apresentou, no mês de Agosto, publicidade ao frigorífico Electrolux.

Para o promover publicita:«Funciona e regula a temperatura sem vibrações e sem ruídos». E a comprová-lo pode ver-se uma criança que dorme serenamente, abraçada ao seu ursinho.
Com lojas em Lisboa, na Avenida da Liberdade, 141, e no Porto na Praça da Liberdade, 123, a Electrolux apresentava então cinco modelos diferentes.

Em 1925 a Elecrolux tinha comprado a empresa Arctic e lançou o primeiro frigorífico no mercado, o “Frigorífico D”. Mas em 1927 a General Eletric lançou o modelo “Monitor Top” que apresentava o motor circular, em cima do frígorifico. Era o tipo de frigorífico que apresentava ainda pernas altas, baseando-se no aspecto dos móveis, única referência então existente.
Foi um sucesso que durou alguns anos. O frigorífico, utensílio caro, começou a ser vendido em massa nos Estados Unidos, o que permitiu uma baixa de preços.
Mas seria a Electrolux a criar em 1930 o primeiro frigorífico compacto, isto é, com a área de congelação integrada.
1º frigorífico Electrolux compacto. Foto do arquivo da empresa
É o que podemos ver no modelo representado na publicidade. Já sem motor visível, o frigorífico apresenta ainda as pernas altas. Por pouco mais tempo.
Já em 1935 o designer Raymond Loewy, de origem francesa, a viver nos Estados Unidos, tinha desenhado para a Sears o modelo Coldspot, que se assemelhava a um cofre esmaltado. O aspecto do frigorífico foi tão atractivo que as vendas subiram em flecha nos anos seguintes, confirmando a importância do design. Depois deste sucesso os frigoríficos perderam definitivamente as pernas.