domingo, 25 de julho de 2010

Duas ementas do Hotel de L'Europe em Lisboa

Adquiri hoje duas ementas do Hotel de l’Europe. Nelas se registam o cardápio dos jantares dos dias 9 e 17 de Junho de 1900.
Como era moda na época estão escritas em francês. O próprio papel onde foram manuscritas é francês, oferta promocional do Licor Bénédictine, mostrando nas suas gravuras cenas com oficiais franceses que saúdam as suas vitórias com o licor anunciado.
Vejamos a que hotel se referem estas ementas.
O Hotel de L’Europe foi inaugurado em Lisboa, em 1845, no Palácio Barcelinhos, na Rua do Carmo 2, pertença de uma francesa, Madame Langet. Tratava-se do mesmo edifício em que se instalaram os Grandes Armazéns do Chiado.
Foi um hotel importante que tinha a preferência de hóspedes famosos durante as suas visitas a Lisboa, como a grande artista Sarah Bernhardt. Mas era também frequentado por portugueses, sendo ponto de encontro de alguns dos implicados na revolução republicana de 5 de Outubro de 1910.
Viria a fechar em 1912. Em 1921 ressurgiria com o mesmo nome, agora propriedade de Alexandre de Almeida, na Praça Luís de Camões nº 6, fazendo esquina para a Rua do Alecrim e a Rua das Flores. Para simplificar, correspondia ao edifício que hoje é ocupado pelo moderno Hotel do Bairro Alto.
A cronologia permite-nos assim concluir que as ementas se reportam ao primeiro Hotel de L’Europe, onde se comia comida francesa, tal como viria a suceder no segundo hotel. Em prospecto turístico publicitário, não datado mas dos anos 30-40, com hotéis recomendados do grupo Alexandre de Almeida salientava-se, referindo-se a este último, a instalação moderna dessa instalação hoteleira, a «cuisine française» e a «cave soignée».
Como se pode constatar a estrutura da refeição começava com uma sopa, seguida de um prato de peixe, um prato de carne, um prato de legumes, e a coroar a refeição: o prato de assado. Vinha depois a salada, um doce, que num dos casos era um gelado de chocolate e no outro um doce de arroz com molho de frutos e no final o «dessert».
E o próprio papel de ementa recomendava: «Após a refeição um cálice de Bénédictine», o licor de ervas francês, inventado no final do século XIX por Alexandre Le Grand, baseando-se no licor produzido pelos frades beneditinos da abadia de Fécamp.

4 comentários:

  1. sem comentários poirque este maldito programa não deixa....

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  2. Deixou.

    Curioso de facto. Do hotel de l'Europe possuo uma mobília de quarto, uma escrivaninha, serviço de mesa de limoges, dois baldes de porcelana, cobertores, toalhas de mesa,cafeteiras várias e pratos metálicos, saboneteira. Tudo devidamente marcado com as iniciais ou o nome por extenso do próprio Hotel. Foram comprados em 1912 por um parente !
    Cumprimentos
    cantodolobo@sapo.pt

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  3. Canto do Lobo,

    Que sorte. Os meus parabéns. Será que podia mandar-me fotos das peças de mesa que possui.
    Pode contactar-me para o mail do blog:
    garfadasonline@gmail.com

    Obrigada

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  4. Que preciosidades!
    Vim parar ao blog porque estou a procurar informações sobre hotéis na zona no ano de 1884. Penso que terá sido este o hotel escolhido pelo irmão do meu bisavô quando veio de viagem a Portugal. Tenho uns documentos escritos por ele que me convencem que esse hotel foi, com alguma probabilidade, o escolhido. Para além de ser pessoa abastada e que pretendia mostrar isso mesmo (tinha emigrado e pretendia mostrar o sucesso), chegou de vapor a Lisboa e, nas suas palavras, "ficou num hotel da Rua de Trás do Carmo" (penso ser uma designação antiga da Rua do Carmo), ou, noutro ponto, "tomei o trem (elétrico) nessa ladeira, com destino a Santa Apolónia".
    Tenho, no entanto, dúvidas quanto ao nome do hotel em 1884. Encontro uma referência de que, em 1888, a artista francesa Sarah Bernhardt ficou lá alojada. Antes dessa data, mas não sei até quando, existiu no mesmo local o Hotel Universal. Já apanhei referências deste hotel nesse local no ano de 1883, mas isto é muito diferente dos seus dados, que indicam que o Hotel Europa existia desde os anos 40 de 1800...
    Portanto, se me conseguir dar alguma luz sobre o assunto, muito agradecia.
    Antecipadamente grato,
    João Bacelar

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