A utilização de objectos de cozinha em salas de refeição, quer seja em restaurantes ou hotéis, parece ter entrado na moda.As variedades de formas e dimensões desses utensílios, a que se associa o brilho do inox, permitem soluções decorativas interessantes.
Nas fotos mostro a sala de jantar de um hotel em Viena de Áustria, da cadeia Radisson. Trata-se do Courtyard Messe, um hotel moderno, situado numa zona de construções arrojadas, ainda por finalizar, em que predomina o vidro.
A cor verde berrante que cobre as paredes da sala de jantar, contrasta com a nossa ideia desse local, num hotel clássico, habitualmente de cores escuras e ambiente intimista.
A zona do "bufete" apresenta caixilhos em madeira, nas suas três paredes, que confinam um conjunto de objectos de uso comum nas cozinhas, dispostos de forma agradável aos nossos olhos.
A zona do "bufete" apresenta caixilhos em madeira, nas suas três paredes, que confinam um conjunto de objectos de uso comum nas cozinhas, dispostos de forma agradável aos nossos olhos.
Os objectos perderam a sua função ou, dito de forma mais correcta, perderam a utilidade inicial, para passarem apenas a ser belos. A beleza decorativa tornou-se a sua nova utilidade. E no entanto essa utilidade, completamente inútil, promoveu-os, uma vez que passaram de objectos de cozinha a objectos de sala. Esta ambiguidade arrasta consigo uma democratização do espaço sala.Não é a primeira vez que me deparo com esta situação decorativa. Recordo um restaurante em Nova York, no Soho, em que o mesmo princípio foi utilizado nos candeeiros que descem do tecto. Pendurados em arcos, conchas de sopa alternam com espátulas e outros utensílios de cozinha, em que a luz das lâmpadas faz realçar o brilho do inox.
Voltando ao hotel vienense verificamos que o mesmo princípio foi aplicado numa das paredes do bar, onde um painel luminoso verde, salienta garrafas de vidro vazias, de um verde mais escuro. A imagem, repetitiva, é repousante e agradável. 
São também em vidro verde os objectos decorativos, que alternam com utensílios de cozinha e que decoram armários separadores, que subdividem o espaço destinado às refeições.
O resultado final é feliz e o ambiente informal.
Agradável, mas forçosamente datado.
Se eu voltar dentro de alguns anos a este hotel, seguramente que os utensílios de cozinha já terão regressado ao seu local original. É o destino inevitável dos modernismos.
Até lá, só podemos considerar esta invasão da sala por objectos de cozinha como bem vinda.
Até lá, só podemos considerar esta invasão da sala por objectos de cozinha como bem vinda.









A sua vida foi diversificada e levou-a a percorrer várias actividades, entre as quais se lhe atribui uma bem misteriosa, como o facto de ter sido espia , a favor dos americanos, durante a sua estada na Ásia. Viveu no Ceilão (Sri Lanka) e na China. 






Voltei lá para rever o museu e constatei uma mudança radical. O museu foi renovado, o espaço foi modernizado e todo o conceito inicial foi alterado. Em vão procurei na planta o local dos objectos que me haviam fascinado. Julguei ter-me enganado. O novo conceito do museu transporta-nos agora para uma história oficial, politicamente correcta. Lá continuam os presidentes e sua mulheres, mas agora os departamentos estão orientados para as origens da nação, como os escravos e os judeus, para os heróis da guerra (passei essa parte), para os negros etc. Persiste uma secção sobre a origem da electricidade, onde me deliciei com a presença de modelos iniciais de torradeiras, mas os restantes objectos do quotidiano desapareceram. Do impressionante espólio do museu, apenas se podem observar algumas peças apresentadas em vitrinas, de cada um dos lados dos halls de entrada. Têm agora um aspecto mais decorativo do que didáctico. 

