quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Objecto Mistério Nº 4

Desta vez um objecto mistério fácil, para não desanimarem.

Porque algumas pessoas se têm queixado de que eu não descrevo as dimensões, vou passar a fazê-lo.
Este objecto tem 19 cm e é feito em inox e num material plástico, que serve de pega.
Para o mesmo fim há vários modelos.

Alguns modelos têm a pega em madeira.

Noutros todo o objecto é feito no mesmo material.
Foi muito usado na hotelaria e restauração, mas também nalgumas casas de família.

Continua a ser útil ainda hoje.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

S. Nicolau, a Coca-Cola e os frigoríficos



Confuso? Não!

Pode-se dizer que foi durante o século XIX que a figura de S. Nicolau se transformou em Pai Natal, ou, como é conhecido nos países anglo saxónicos, em Santa Claus, nome que resultou da alteração fonética do alemão Sankt Nikalus e do holandês Sinterklaas.
De acordo com iconografia na posse da Sociedade de S. Nicolau (www.stnicholascenter.org/Brix?pageID=23 , foi pela mão de Alexander Anderson que, em 1810, o santo surgiu representado ainda com as suas vestes de bispo e longas barbas brancas, associado já à dávida de presentes a crianças, colocadas em botinhas na chaminé
Foi ainda durante o século XIX que vários cartunistas americanos iniciaram a sua representação de forma personalizada. Entre estes encontrava-se Thomas Nast, já mencionado no anterior post, que embora o tenha desenhado sobretudo a preto e branco, também o imaginou com vestes encarnadas, por possível sugestão dos paramentos de bispo, da mesma cor. A ele se deve uma forma aproximada da dos nossos dias, sobretudo na associação a presentes, que,nos seus desenho, o rodeiam .
Ainda durante este período as cores das suas vestes variaram entre o púpura, o azul, o amarelo, o verde e até o encarnado, como vimos.

Gravura de Thomas Nast século XIX
Seguiu-se-lhe J. C. Laeyendecker que desenhou muitas das capas do jornal Saturday Evening Post .
Também o famoso Norman Rockwell foi responsável por várias capas do mesmo jornal, na época dos anos 20, apresentando, nos números de Dezembro, uma imagem mais humanizada do santo.

Capa da autoria de Norman Rockwell de 1920

Foi contudo com Haddon Sundblom, um ilustrador americano que trabalhou para a empresa Coca-Cola, que a imagem actual do Pai Natal, vestido de encarnado, gordinho e bonacheirão, se instalou definitivamente. Embora menos famoso que Norman Rockwell a sua intervenção na área do marketing foi muito eficaz e algumas das suas criações permaneceram até aos dias de hoje. Quem não conhece a cara do homem que ainda hoje surge na publicidade da empresa Quaker Oats Company?
Mas embora Sundblom tenha trabalhado como publicitário para outras empresas como a Packard, a Nabisco e a Colgate-Palmolive, foi para a Cola-Cola, para quem começou a colaborar em 1931, que o seu trabalho foi verdadeiramente marcante.

O homem da Quaker Oats cuja cara chegou aos nossos dias
Com a recessão de 1929 as vendas da Coca-Cola, desceram muito. A bebida era então ainda muito associada a um produto medicamentoso. Apresentada até então como uma bebida de verão era necessário relançá-la também como bebida de Inverno. Isto é, transformá-la numa bebida para todo o ano e, dessa forma, aumentar as vendas. Foi esse desafio que Haddon Sundblom enfrentou.
Para o realizar imaginou uma representação do Pai Natal, criada a partir da face de um colega seu já reformado, e conseguiu impô-la como a verdadeira imagem do Pai Natal, descendente de S. Nicolau. Representa-o com vestes encarnadas como o bispo, amigo das crianças como o santo e, como ele, com a possibilidade de dar presentes.
Mas nas primeiras imagens publicitárias, que vão buscar a história da Noite de Véspera da Natal de Clement C. Moore, de que falámos no anterior post, o Pai Natal partilha com a criança uma garrafa de Coca-Cola que retira do frigorífico, cuja luz os ilumina. É Natal e está frio, mas mesmo assim o Pai Natal, cansado da sua actividade laboriosa de distribuir presentes pelas crianças, apetece-lhe uma bebida fresca. Não um chocolate quente ou um chá, mas uma Coca-Cola. E os olhos da criança brilham de alegria. Não são os presentes que lhe dão essa alegria mas a presença do Pai Natal junto de si e a cumplicidade da bebida que se adivinha partilhada.
O resultado foi um sucesso e a mensagem foi repetida de outras formas.
Mas o elemento discreto que acompanha o Pai-Natal e esta publicidade da Coca-Cola, e que nunca foi valorizado, é o frigorífico. No século XIX usavam-se ainda caixas de gelo. O primeiro frigorífico tipo compressor, para uso doméstico, foi comercializado nos Estados Unidos em 1913. Mas nos anos 20-30 começou a produção em massa por acção da General Electric da General Motors. Um grande sucesso iria obter o modelo Monitor Top de 1927 da GE, que apresentava um motor circular, em cima do frigorífico.
Mas os frigoríficos que nos surgem nos anúncios da Coca-Cola são mais tardios e assemelham-se ao modelo desenhado em 1935 por Raymond Loewy, designer francês que se estabeleceu nos Estados Unidos após a guerra, e que desenhou um frigorífico para a Sears, a que chamou Coldspot.

Publicidade de 1947 intitulada «Hospitalidade no seu frigorífico»
Os frigoríficos tiveram um êxito enorme nos Estados Unidos. Nos anos 40 encontravam-se já instalados frigoríficos em cerca de 64% das casas equipadas com electricidade, número que subiu para 80% nos anos 50.
Em Portugal a sua introdução foi mais lenta. Em 1955, Portugal importava dos Estados Unidos 3.100 frigoríficos, 4.109 em 1958. No mesmo ano o número de frigoríficos importados dos Estados Unidos era praticamente igual aos vindos da Alemanha, seguido da Inglaterra e Itália, perfazendo um total de 14.300 unidades. Números pequenos comparados com os encontrados nas casas americanas, mas tanto num país como noutro representavam um sinal de modernidade.
E foi essa noção de modernidade que Haddon Sundblom conseguiu transmitir na sua publicidade, de forma subliminar e que, por extensão, incluía a própria bebida. Esta perdia assim o seus atributos medicinais, para se tornar numa bebida apetecível, adequada a qualquer época do ano e moderna. Publicidade genial, que é uma forma de encantamento, como uma dança da cobra e que continua a fascinar-nos ao fim de todos estes anos.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A véspera de Natal e o nascimento do Pai Natal

Na tradição das histórias de Natal surge-nos como precursor Clemente Clarke Moore (1779-1863) que foi professor de literatura grega e oriental naquela que é hoje a Universidade de Columbia.
Na véspera de Natal de 1822 , C. C. Moore saiu de casa, onde vivia com a sua mulher e seis filhos, para ir comprar um peru. Durante o caminho, enquanto enfrentava o rigor do Inverno, imaginou um poema de Natal que nessa noite contou aos seus filhos. Posteriormente escreveu e publicou o poema intitulado «A visita de S. Nicolau», que hoje é mais conhecido pelo nome de «A noite de véspera do Natal».
O poema teve uma aceitação extraordinária da parte do público e divulgou-se por vários países. Foi a sua descrição de São Nicolau que ajudou a formar a imagem do Pai Natal, chamado S. Nicolau (Santa Claus) nos outros países. Foi nele que vários cartunistas se inspiraram, ao utilizá-lo nos seus desenhos.
Foi o caso de Thomas Nast, que era na altura um conhecido desenhador gráfico na área da política, mas também de outros que se lhes seguiram, como aconteceu nas publicações da revista «Harper’s Weekly».

Desenho de Thomas Nast (c. 1869) designado «Saint Claus nos seus trabalhos», 1ª representação do Pai Natal com fato encarnado.
Embora Moore, em 1844, tenha publicado o conjunto dos seus escritos poéticos, foi a sua história, imaginada no regresso do mercado, na véspera de Natal de 1822 que o tornou famoso.
Segundo alguns, este autor baseou-se numa história de Washington Irving que publicara, em 1821, um poema de Natal chamado «O amigo das crianças».
Já no seu primeiro livro, publicado em 1809, e intitulado, «A History of New-York from the Beginning of the World to the End of the Dutch Dynasty, by Dietrich Knickerbocker», Irving se referia inúmeras vezes a São Nicolau. Descrevia-o então como um santo com fato e chapéu, a fumar um longo cachimbo e sentado num cavalo. O pseudónimo que adoptou nesse livro, "Knickerbocker", serviu de nome a uma grupo de homens que então viviam na chamada New Amsterdam, nome de Nova Yorque no século XIX. Foram eles que introduziram o culto de São Nicolau, embora na realidade fossem ingleses e não Holandeses. Talvez isso explique porque na descrição de São Nicolau não era referido o acompanhante árabe negro (Zwart Piet), habitual na iconografia holandesa.
Postal holandês com a imagem de S. Nicolau com o "Pedro Preto"
Mas voltemos mais atrás para lembrar quem foi S. Nicolau.
Este santo foi bispo em Mira, na actual Turquia e aí viveu, vindo a falecer no século IV. É um santo padroeiro de grande devoção na Rússia, o que explica a sua representação em ícones russos onde aparece com uma barba branca. Mas também o é noutros países, em especial na Grécia, Noruega e Holanda (Amesterdão). Neste país a sua festa tem grande tradição, razão porque alguns atribuem aos emigrantes holandeses a introdução do seu culto na América.
Toda isto vem a propósito de um anúncio da Coca-Cola sobre o qual falaremos no próximo post. Antes porém deixo uma versão do poema de Clemente C. Moore, numa lindíssima publicação de 1925, edição de McLouglin Bros, no livro «The Christmas Book».



Bolo de Natal


Este bolo de Natal, uma porca com os porquinhos a mamar, foi-me oferecido o ano passado.
Embora tenha longa duração porque é feito de massapão, o seu recheio é de doce de ovos, o que já lhe encurta o período de vida.
Já foi comido o ano passado, mas ficou a fotografia para recordar.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Objecto Mistério Nº 3. Resposta: Funil para tarte

O funil para tartes funciona como uma chaminé, nome que por vezes também toma, uma vez que permite a saída do vapor, do seu interior.
As tartes a que nos referimos são as «pies» dos ingleses. Isto é, uma empada gigante, portanto com uma tampa de massa. Eram antigamente chamadas «pastelões».

Existem também algumas receitas que as designam por «timbal». A designação de timbal aplica-se a um instrumento de percussão de origem africana, sendo possível que a adaptação da palavra ao prato culinário tenha a ver com a forma da massa esticada sobre a tarte.
A receita que eu aprendi de timbal, na minha adolescência, era feita com massa folhada, ao contrário das empadas ou pastelões em que se usa mais frequentemente massa quebrada, mas não sei se esta é uma regra.

Durante o cozimento no forno o recheio da tarte ou pastelão ferve e liberta vapores que obrigam, se não se quiser que esta rebente, a que se faça um ou mais orifícios para a saída do mesmo. Há quem faça um orifício central e coloque um canudo de papel vegetal para permitir a saída do vapor. Mas existem objecto próprios para esse fim.

São os ingleses o povo que mais manteve o costume medieval dos pastelões. Pela mesma razão são eles que usam mais frequentemente funis para este tipo de tartes cobertas.

Existem vários modelos de que mostramos alguns exemplares, mas o mais interessante foi ter descoberto que o objecto mistério que apresentei como desafio é português. Embora seja muito semelhante aos paliteiros, em forma e dimensões, estes apresentam a cabeça do pássaro em posição horizontal.
Foi produzido na SECLA (Caldas da Rainha), penso que nos anos 60. Deve ter sido feito apenas para exportação, como acontece com várias peças da Secla. Na realidade não conheço nenhum português que alguma vez tenha usado um destes funis e eu própria confesso que também não.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Objecto Mistério Nº 3

- O objecto mistério de hoje é um utensílio de cozinha e não de mesa, como pode parecer à primeira vista.

- É um objecto que deve datar dos anos 60.

- Foi produzido em Portugal, mas destinou-se sobretudo à exportação

- Existem outros da mesma forma mas com fins diferentes. Esses sim de mesa.

- Para o mesmo fim existem utensílios de diferentes formas, como veremos na resposta seguinte.

- Qual é a coisa? Qual é ela?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Restaurante Aubette. A propósito de uma Ementa


Comecei a organizar um lote de ementas que pertenceram ao Prof. Ricardo Jorge e sobre as quais voltarei a falar.
Debrucei-me sobre a primeira, uma ementa de grandes dimensões, do «Congrès de la Fédération Internationale de la Presse Gastronomique», que teve lugar entre 12 e 17 de Maio de 1969, na Alsácia. Procurei informar-me sobre esta organização mas as minhas buscas foram infrutíferas.
Resolvi então pesquisar o restaurante de nome Aubette, em Estrasburgo, onde teve lugar o jantar de encerramento. A avaliar pela ementa, devia ser de grande qualidade. Não foi fácil porque este já não existe e pelo contrário surgiram posteriormente, com o mesmo nome, por razões óbvias como veremos, outros locais de restauração.



A descoberta que se seguiu foi extremamente interessante e completamente fora do meu conhecimento. Não conheço Estrasburgo e toda a informação foi recolhida da net.

O nome de Aubette foi dado a um grande edifício militar projectado pelo arquitecto Jacques-François Blondel e construído entre 1764 et 1767. Situa-se na Praça Kléber e fazia parte de um plano mais amplo para modernizar a cidade. Transformado posteriormente em museu sofreu em 1870 um incêndio que apenas deixou de pé as paredes. Foi restaurado em 1874 e destinado a outras actividades.
Em 1922 os irmãos Paulo e André Horn, que tinham a concessão da ala direita do edifício, decidiram aí instalar um complexo que incluía restaurante e outras actividades lúdicas. Para tal pede a colaboração do projecto e decoração a três elementos da escola De Stijl, de que também fazia parte, como fundador, Piet Mondrian (1872–1944).
Os elemento em causa eram o arquitecto Theo Van -Doesburg (1883-1931), Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) e Hans Jean Arp (1886-1966). O movimento também designado por neoplasticismo, foi um movimento holandês, iniciado em 1917, que se caracterizava por uma nova concepção do espaço e do uso da cor. À utilização de formas bidimensionais e geométricas, assimétricas, associava-se uma restrição no uso das cores, em que apenas eram utilizado o amarelo, o azul e o vermelho, a que se juntavam o preto e o branco. Este principio foi aplicado à pintura e ao design e posteriormente à arquitectura.
Foram estes conceitos que foram aplicados na decoração de Aubette, obra de vanguarda realizada entre 1925 e 1928. O projecto de grande ambição distribuía-se por quatro pisos. Na cave situavam-se os vestiários, as casas de banho, as cabines telefónicas, um bar americano e uma cave para dança com cabaret. No rés-do-chão situava-se um vestíbulo, um café-cervejaria, um café-restaurante, uma sala de chá e um bar. Por uma grande escada subia-se para um piso intermédio onde ficavam as casas de banho, os vestiários e uma sala de bilhar. Era também aí que se situavam as cozinhas, a sala frigorífica e a copa que dava para o pátio através de um elevador de serviço. No primeiro piso existia uma grande sala que servia ao mesmo tempo de sala de dança e cinema, ligada por um hall à pequena sala de festas.
A propósito do Café Aubette Van Doesburg disse: «A pintura separada da construção arquitectónica não tem o direito de existir».
O complexo, inaugurado com grande fausto em 28 de Fevereiro de 1928, nunca foi bem aceite pela população que o considerava demasiado moderno. Quando em 1938 os irmãos Horn deixaram de ser gerentes o projecto foi alterado para formas mais consensuais.

É provável que o Restaurante Aubette que eu procurava se situasse num desses locais alterados. O espaço foi considerado perdido mas nos anos oitenta foram realizadas obras que revelaram que o local podia ser reabilitado. Os trabalhos de restauro começaram em 1985 e em Junho de 2006 estavam concluídos.
Aquela que foi considerada por Hans Houg, antigo director dos Museus de Estrasburgo, talvez com algum exagero, «a capela Sixtina da arte abstracta», pode agora ser visitada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A crise e a «Economia Doméstica"

Em tempos de crise é bom lembrar que em Portugal, ainda não há muitos anos atrás, se vivia com imensas dificuldades.
Quando começou a haver algum desafogo económico deixaram de se valorizar as pequenas coisas. Nos últimos tempos alcançou-se o auge do consumismo, que atingiu mesmo quem não o podia exercer.
Esqueceram-se os valores morais, os mais importantes, e só se valorizou o material. Dentro deste campo apenas as «marcas comerciais», identificadas com qualidade, luxo ou moda, passaram a ser importantes. Os mais novos, mais facilmente influenciados pela publicidade, assimilaram com facilidade estes conceitos.
De repente todos descobriram que afinal o paraíso prometido não estava ao alcance de todos. Nem nunca esteve. Afinal demasiadas pessoas estavam distraídas.

As novas gerações ouvem agora e pela primeira vez o conceito de economizar. Desde sempre essa noção foi sendo assimilada naturalmente, de forma racional e intuitiva.

Nos finais do século XIX, quando o papel das donas de casa se tornou mais relevante começou-se a instruir as mulheres, pilares da família. E surgiram conceitos considerados então científicos de «Economia Doméstica», que em Portugal apenas na primeira metade do século XX foram ministrados. E mesmo assim apenas nas grandes cidades.

Com o tempo perderam-se estes conceitos de economia doméstica ou outra. E hoje fico surpreendida por ouvir a própria EDP a ensinar os consumidores a poupar.

Como vai longe o período oposto em que, a então correspondente CRGE (Companhias Reunidas de Gás e Electricidade) incentivava ao consumo, promovendo mesmo a venda de electrodomésticos.
Tudo a isto a propósito de um pequeno objecto. Uma lata de conservas reciclada em raspador. Foi-me vendida, como sendo um raspador de escamas de peixe. É provável que assim seja.
O seu fundo foi picado com um prego, de forma regular, criando orifícios, em que os bordos cortantes são utilizados para raspar. Pode também ter sido utilizado para raspar a casca de citrinos, à semelhança de outros exemplares que possuo.

Para mim é um objecto fascinante porque encerra em si, para além da noção de economia, uma disponibilidade do tempo e uma atenção pelas pequenas coisas que hoje já não existe. Para meditar em tempo de crise económica.